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domingo, 28 de junho de 2015

Para refletir! - O Mesmo Amor



O hit musical "Same Love" tornou-se um hino para a igualdade LGBT. Estávamos tão grato que Mackelmore e Lewis tomou uma posição para a igualdade no casamento e foi ruidosamente aplaudido. Mas, o nosso trabalho como uma comunidade está longe de ser feito, à medida que buscamos a igualdade nos países.

Esta canção - que homenageia a luta do nosso movimento - é tão convincente que nós pensamos que um tributo apropriado para expressar nossas emoções seria em um movimento como uma dança contemporânea.

O Mesmo Amor

Quando eu estava na 3ª série
Eu achava que eu era gay
Porque eu sabia desenhar, o meu tio era gay
E eu mantinha meu quarto em ordem
Eu contei a minha mãe, com lágrimas no rosto e ela disse
"Ben, você ama meninas desde antes do jardim de infância"
Viajando, sim, acho que ela tinha razão, não tinha?
Um monte de estereótipos na minha cabeça
Me lembro de raciocinar, tipo:
"Sim, eu sou bom na liga de beisebol"
A ideia de que aquilo significava que aqueles que gostavam
De pessoas do mesmo sexo tinham características
Os conservadores acham que é uma escolha
E você pode ser curado com algum tratamento e religião
Feito pelo homem, uma pré-disposição, brincando de Deus
Oh, não, lá vamos nós
América, a valente, ainda teme o que não conhecemos
E que “Deus ama todos os seus filhos” é esquecido
Mas nós interpretamos um livro que foi escrito há 3.500 anos
Eu não sei

E eu não posso mudar
Mesmo se eu tentasse
Mesmo se eu quisesse
E eu não posso mudar
Mesmo se eu tentasse
Mesmo se eu quisesse
Meu amor, meu amor, meu amor
Ela me mantém aquecida

Se eu fosse gay, eu acharia que o hip-hop me odeia
Você tem lido recentemente os comentários no YouTube?
"Cara, isso é gay" É dito diariamente
Nos tornamos tão entorpecidos com o que dizemos
Uma cultura fundada a partir da opressão
Ainda não temos a aceitação deles
Chamamos uns aos outros de bicha
Por trás da tela de um computador
Uma palavra enraizada no ódio
Mas nossa espécie ainda ignora isso
"Gay" é sinônimo de inferioridade
É o mesmo ódio que causou guerras por causa de religião
O gênero, a cor da pele, a quantidade de melanina
A mesma luta que levou as pessoas a guerrear e manifestar
Direitos humanos para todos, não há diferença
Viva! E seja você mesmo!
E na igreja, eles me ensinaram algo diferente
Se há o ódio no sermão, as palavras não são ungidas
E a água benta em que você mergulha, depois é envenenada
Quando todos ficam mais confortáveis, continuando calados
Em vez de lutarmos pelos que tiveram seus direitos roubados
Eu posso não ser o mesmo, mas isso não é importante
Não ha liberdade até que sejamos iguais
Pode ter certeza que eu apoio!

Eu não sei

E eu não posso mudar
Mesmo se eu tentasse
Mesmo se eu quisesse
E eu não posso mudar
Mesmo se eu tentasse
Mesmo se eu quisesse
Meu amor, meu amor, meu amor
Ela me mantém aquecida

Vamos apertar o play, não aperte o pause
Progrida, marche em frente!
Com o véu em nossos olhos, damos as costas à causa
Até o dia em que meus tios possam se unir perante a lei
Crianças andam pelos corredores
Atormentadas pela dor em seus corações
Um mundo com ódio, alguns preferem morrer a ser quem são
E um certificado de papel não vai resolver tudo
Mas já é um bom começo
Nenhuma lei vai nos mudar, nós temos que nos mudar
Seja qual for o Deus em que você crê, viemos do mesmo
Expulse o medo, por baixo de tudo, é tudo o mesmo amor
Já é tempo de erguermos a voz

E eu não posso mudar
Mesmo se eu tentasse
Mesmo se eu quisesse
E eu não posso mudar
Mesmo se eu tentasse
Mesmo se eu quisesse
Meu amor, meu amor, meu amor
Ela me mantém aquecida

O amor é paciente, o amor é bondoso
O amor é paciente e bondoso (sem choro aos domingos)
O amor é paciente (sem choros aos domingos)
O amor é bondoso (eu não choro mais aos domingos)
O amor é paciente (sem choros aos domingos)
O amor é bondoso (eu não choro mais aos domingos)
O amor é paciente (eu não choro mais aos domingos)
O amor é bondoso (eu não choro mais aos domingos)
O amor é paciente, o amor é bondoso


Liberdade Full Frontal em colaboração com Dream It Productions e Ryan Hanson Productions

Produtor Executivo: Conor Gaughan
Dirigido por Emrhys Cooper e Ryan Hanson
Produzido por Dustin Louie e Keelin Clark
Diretor de fotografia: Karla Di Benedetto
Tomadas da obra: Blaine Dunkley
Editores: Ryan Hanson e Keith júnior

Coreógrafos: Emrhys Cooper, Ryan Hanson
Coreógrafos assistentes: Nick Aragão, James Aragão (The Twins Ninja)
Dançarinos: Nick Aragon, James Aragão (The Twins Ninja), Nicole Bondzie, Filippo Calvagno, Ryan Hanson, Emrhys Cooper, Charlotte Preço, Hannah May Evans

Um obrigado muito especial para William Pôncio !!

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

10 tipos de pessoa para evitar sempre que possível


O tempo demasiadamente quente acirra minhas tendências antissociais. É impossível amar no verão. Fujo de abraços, evito contato fora do ar-condicionado. Acho OK levar um gelo – acho até desejável. Beijos gelados, olhares gelados.

Por RENATO ESSENFELDER

Neste verão, talvez no ano inteiro, pretendo evitar pelo menos dez tipos de pessoa.

1: Pessoa que fala sobre si o tempo inteiro.
Eu por exemplo jamais falaria de mim assim gratuitamente porque eu sou um cara discreto, culto e acima de tudo educado.

2: Pessoa intolerante.
Estamos todos de saco cheio dessas pessoas insuportáveis que não concordam conosco e, sinceramente, deveriam todas ser despachadas para uma ilha no meio do Atlântico.

3: Pessoa-chavão.
Apesar de a vida ser uma caixinha de surpresas, como o futebol, não há nada como um dia após o outro para nos afastarmos dessas más companhias.

4: Pessoa dogmática / cheia de certezas.
Todas as mulheres são vítimas dos homens, que são todos uns canalhas.

5: Pessoa neopseudopolitizada.
Sabe que os petralhas destruíram o país com esmolas e quadrilhas. Ou que os tucanalhas vão privatizar tudo e massacrar os mais pobres.

6: Pessoa orgulhosamente ignorante.
Afinal, pra que ler um livro se você pode ler o resumo do resumo dele no grupo do What’s? Poesia é coisa de boiola. Trouxas.

7: Pessoa que fala alto demais (e, ainda por cima, idiotices).
O FODA DAS FÉRIAS É INTERROMPER O TREINO MAS EM FEVEREIRO PARTIU MONSTRO.

8: Pessoa sem humor.
O que você quer dizer com sem humor?

9: Pessoa à prova de erros.
Pessoal eu bem que avisei.

10: Pessoa que leva listas muito a sério.

sábado, 15 de junho de 2013

Democracia: para refletir! - O poder público não consegue entender as manifestações de São Paulo


Muitos representantes políticos não entendem como manifestações como os protestos contra o aumento das passagens em São Paulo não são conduzidos por partidos, sindicatos e associações, mas sim em um processo descentralizado. Há lideranças no movimento, mas elas estão lá para organizar, não necessariamente controlar o que brotou da insatisfação popular tanto à persistência de problemas existentes quanto aos tipos de soluções que vêm sendo dadas pelos próprios representantes políticos a esses problemas. Por conta disso, vi declarações de analistas que, beges e em pânico, afirmavam que não sabiam como dialogar com uma situação dessas.

Ótimo. Que fujam do comodismo estanque e reaprendam a se comunicar. Pois as demandas, agora, são outras.

Antes de mais nada, vale dizer que os políticos tradicionais têm dificuldade em assimilar como movimentos utilizam ferramentas como Twitter e Facebook. Acreditam que são apenas um espaço para marketing pessoal ou, no máximo, um canal para fluir informação ou atingir o eleitor. Há também os que crêem que redes sociais funcionam como entidades em si e não como plataformas de construção política onde vozes dissonantes ganham escala, pois não são mediadas pelos veículos tradicionais de comunicação. Ou seja, onde você encontra o que não é visto em outros lugares, por exemplo.

Essas tecnologias de comunicação não são ferramentas de descrição da realidade, mas sim de construção e reconstrução desta. Quando a pessoa está atuando através de uma dessas redes, não reporta simplesmente. Inventa, articula, muda. Vive. Isso está mudando aos poucos a forma de se fazer política e as formas de participação social. O poder concedido a representantes, tanto em partidos, como em sindicados, associações, entre outros espaços, tende a diminuir e a atuação direta das pessoas com os desígnios da sua polis, consequentemente, aumentar.

Voltando às manifestações em si. Muitos desses analistas bravejam contra o uso da força, representado pelo bloqueio de uma avenida, por exemplo. Mas o uso dessa força que incomoda é um instrumento político legítimo. É claro que devido à sua natureza, se utilizada, deve ser apenas em circunstâncias extremas. Pode contribuir para alcançar um objetivo, mas também gerar impactos negativos sobre a imagem de determinado grupo junto à sociedade. É, contudo, uma alternativa, muitas vezes desesperada, diante da incapacidade do poder público de agir diante do desespero alheio. Ou, pior, quando o Estado é ele próprio agente de desrespeito aos mais fundamentais direitos. Nesse caso, recorrer a quem? Às divindades da mitologia cristã?

O diálogo e as vias legais devem ser a primeira opção e, se possível, a única. Mas nem sempre o outro lado, hegemônico, está disposto a negociar – principalmente se isso significar perda de regalias (note-se que não falei de perda de direitos, mas sim de re-ga-li-as). Muitos diálogos terminam em muros intransponíveis pelas vias legais. E, vale a pena lembrar, muitas das leis que impõe desigualdades foram implantadas pelas classe sociais mais abastadas da sociedade, através da ação de seus representantes políticos em parlamentos.

Desigualdades que, sobrepostas e reafirmadas ao longo do tempo através de instituições como igrejas, família, escolas, setores da mídia, enfim, os instrumentos à mão, transformam exploração em tradição. O explorado esquece a razão da exploração e acaba aceitando-a, mais ou menos na linha do “Deus quis assim” ou “a vida é assim mesmo”. E, antes que eu me esqueça, maldito seja o “homem cordial” brasileiro. Pessoa do deixa-disso do para-com-isso, que não bate-boca, que não debate porque lhe foi ensinado que isso é feio. Com isso, não evolui, nem ajuda a evoluir.

Jovens ingleses desempregados, sem esperança e perspectivas, sob uma longa recessão econômica e uma polícia despreparada para ligar com protestos, iniciaram uma revolta e foram chamados de vândalos lá e aqui. O estopim do protesto, os “20 centavos” deles, pouco importa. Pois não era o estopim a razão da revolta, mas um acumulado de fatores que giravam em torno de sua qualidade de vida. Na verdade, da falta dela. Muita gente no Reino Unido não entendia porque eles faziam aquilo já que, durante tanto tempo, aceitaram coisa pior em silêncio.

Nesse ponto, manifestações públicas que causem impacto urbano, como congestionamentos, devem ser consideradas como legítima defesa e não como violência gratuita. Da mesma forma que uma ocupação em praça pública no Egito, que impeça o país de funcionar normalmente enquanto um ditador não deixar o poder. Ou o bloqueio de rodovias que chegam a La Paz, enquanto os direitos de populações tradicionais não forem respeitados. E até mesmo a resistência contra o salve-se-quem-puder do capitalismo global, atormentando a vida do mercado financeiro em Wall Street, em Saint Paul ou na ruas de Roma.

Muitas vozes se levantam para reclamar da “violência” resultante dessas ações, mas se calam diante de massacres, chacinas e genocídios que ocorrem diariamente. Ou das pequenas violências do dia-a-dia, como ter que espremido feito bagaço de laranja em um busão após um dia cheio de trabalho ou ir acomodado, feito sardinha em óleo, voltando para casa de metrô. Só quem nunca pegou transporte público pode pedir calma à população mediante a passagens caras e serviço ruim.

“Ah, mas esses jovens que resolveram, de uma hora para outra, questionar como a vida foi organizada antes deles nascerem são muito novos para entender.” Não, não são não. Já perceberam o que significa ordem, hierarquia e tradição e não gostaram. Até porque são valores de uma civilização representada por fuzis, colheitadeiras, motosserras, terno e paletó que, mais cedo ou mais tarde, vai ter que mudar. Isso não é o mundo, nem a política, que muitos deles querem.

O paradigma do sistema político representativo está em grave crise por não ter conseguido dar respostas satisfatórias à sociedade. Aos mais jovens, sobretudo. Bem pelo contrário, apesar de ser uma importante arena de discussão, ele não foi capaz de alterar o status quo. Apenas lançou migalhas através de pequenas concessões, mantendo a estrutura da mesma maneira e a população sob controle. O Estado continua servindo aos interesses de alguns privilegiados.

A incapacidade do sistema político de gerar respostas satisfatórias levou também ao fortalecimento da luta em outras frentes, além daquela representada pelo capital-trabalho. A vanguarda dos progressistas foi ocupada por grupos que discutem as liberdades individuais e a qualidade de vida nas grandes cidades – da mobilidade urbana, passando pelas demandas de direitos sexuais e reprodutivos ao poder de dispor do próprio corpo.

Os mais velhos vêm isso como uma pauta que não altera em nada a estrutura social. Bem, como já disse aqui, o problema entre a velha e a nova “esquerda” (na falta de uma outra palavra de contestação ao status quo usei essa, mas podem também chamar de “jujuba” ou “picanha” se não gostarem de “esquerda”) está no contexto histórico em que seus atores foram formados. Não adianta mostrar fatos novos ou uma nova luz para a interpretação da realidade, há grupos que fecham e não abrem com padrões paleozóicos de interpretação da realidade.

A meu ver a solução desse embate se dará com os mais antigos se retirando com a idade para dar lugar aos mais novos, formados em uma matriz diferente.

Protestos contra o aumento de passagens do transporte público; sobre estações de metrô que têm sua localização alterada em benefícios de um grupo social privilegiado; ocupações de reitorias por estudantes, de prédios abandonados por sem-teto; manifestações pelo direito ao aborto, pelo uso de substâncias consideradas como ilícitas e outras liberdades. Todas têm um objetivo muito maior do que obter concessões de curto prazo. Elas não servem apenas para garantir transporte público, tapar as goteiras das salas de aula, destinar um prédio aos sem-teto ou ainda conquistar direitos individuais. Os problemas enfrentados pelos movimentos urbanos envolvidos nesses atos políticos não são pontuais, mas sim decorrência de um modelo de desenvolvimento que enquanto explora o trabalho, concentra a renda e favorece classes de abastados, deprecia a coisa pública (quando ela não se encaixa em seus interesses) ou a privatiza (quando ela se encaixa).

Como muitos dizem, a luta não é por “20 centavos”. É por dignidade.

As ações são, sim, uma disputa de poder feita simultaneamente em âmbito local e global que, no horizonte histórico, poderá resultar na manutenção da pilhagem econômica, social e cultural da grande maioria da sociedade ou levar à implantação de um novo modelo – mais humano, livre e democrático.

A história mostra que apesar da esquerda ter capacidade de influenciar a realidade no país, ela não foi capaz de transformá-la. E a menos que novas respostas se imponham para romper com a estrutura atual, continuaremos vendo fracassos se repetirem. A reconquista do espaço público traz uma lufada de esperança para a busca de respostas. Você, que reclama dessa molecada, deveria levantar e aplaudir de pé. Pois talvez essa nova geração, auxiliada pela tecnologia, faça a diferença na forma que os que vieram antes ainda não conseguiram fazer.

Leonardo Sakamoto

Leonardo Sakamoto é jornalista e doutor em Ciência Política. Cobriu conflitos armados e o desrespeito aos direitos humanos em Timor Leste, Angola e no Paquistão. Professor de Jornalismo na PUC-SP, é coordenador da ONG Repórter Brasil e seu representante na Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo.

terça-feira, 14 de maio de 2013

Democracia: para refletir! - Chega de meios termos: homofobia é crime, sim.


Se não está previsto em lei ainda é porque nós somos atrasados em tudo ou quase. Se ainda não existe um movimento consistente, maduro e efetivo contra as barbaridades que se cometem em nome do “eu não gosto do jeito que você leva sua vida” é porque somos acomodados, para não dizer acovardados, na ideia arcaica de que afinal este é o velho e bom país da cordialidade. Balela.

Vivemos num tempo de retrocesso e assistimos calados ou apenas manifestando nosso pasmo a uma inédita escalada da violência. Violência típica da idade média. Ou haveria época mais sinistra em que um pai tem a orelha decepada (deve estar em alguma prateleira de troféus…) porque estava abraçado ao filho e foi “confundido” com um gay? Progredimos tanto para chegar a isso?

Este episódio foi tratado pela imprensa em geral com rara insensibilidade, como uma banalidade do dia-a-dia, ou, no linguajar dos boletins de ocorrência de antigamente, como uma “desinteligência”. Não, foi barbárie mesmo! Ah, os caras antes de descer o cacete perguntaram a pai e filhos se eles eram gays. E os coitados nem eram!

Ou seja, se fossem, tudo bem?

Mesmo que os animais tenham partido para cima desses dois infelizes porque não gostaram da cor da camisa que eles estavam usando, ou por causa do corte do cabelo, o “grito de guerra” foi anti-gay e certamente partiu da velha máxima de que “viado tem mais é que tomar porrada”.Um garoto quase fica cego na avenida Paulista agredido com uma lâmpada fluorescente, um rapaz perde os dentes na porta de uma boate por causa de um soco inglês, outro é esfaqueado sem nem saber de onde nem porque, agora aparece este “caçador de orelhas”.

O que mais?

Eis onde nos encontramos, senhoras e senhores, em plena idade das trevas, acessível pelo seu smart-phone, Ipad ou por sua televisão de led 3G. Aproveitem!

Luiz Caversan, 55 anos, é jornalista, produtor cultural e consultor na área de comunicação corporativa. Foi repórter especial, diretor da sucursal do Rio da Folha, editor dos cadernos Cotidiano, Ilustrada e Dinheiro, entre outros. Escreve aos sábados para a Folha.com

sábado, 26 de novembro de 2011

Pense nisso! - O Espelho de Gandhi


Perguntaram a Mahatma Gandhi: -Quais são os fatores que destroem os seres humanos?
Ele respondeu:
A Política, sem princípios; o Prazer, sem compromisso; a Riqueza, sem trabalho; a Sabedoria, sem caráter; os Negócios, sem moral; a Ciência, sem humanidade; a Oração, sem caridade.

A vida me ensinou que as pessoas são amigáveis??, se eu sou amável,
que as pessoas são tristes, se estou triste,
que todos me querem, se eu os quero,
que todos são ruins, se eu os odeio,
que há rostos sorridentes, se eu lhes sorrio,
que há faces amargas, se eu sou amargo,
que o mundo está feliz, se eu estou feliz,
que as pessoas ficam com raiva quando eu estou com raiva,
que as pessoas são gratas, se eu sou grato.

A vida é como um espelho: se você sorri para o espelho, ele sorri de volta. A atitude que eu tome perante a vida é a mesma que a vida vai tomar perante mim.
"Quem quer ser amado, ame"

quinta-feira, 21 de abril de 2011

A trincheira de Jean Wyllys

Democracia: para refletir!



Por Leandro Fortes

Jean Wyllys de Matos Santos é um sujeito tranquilo, bem humorado, que defende idéias sem alterar a voz, as mais complexas, as mais simples, baiano, enfim. Ri, como todos os baianos, da pecha da preguiça, como assim nomeiam os sulistas um sentimento que lhes é desconhecido: a ausência de angústia. Homossexual assumido, Jean cerra fileiras no pequeno e combativo PSOL, a única trincheira radical efetivamente ativa na política brasileira. E é justamente no Congresso Nacional que o deputado Jean Wyllys, eleito pelos cidadãos fluminenses, tem se movimentado numa briga dura de direitos civis, a luta contra a homofobia.

Cerca de 200 homossexuais são assassinados no Brasil, anualmente, exclusivamente por serem gays. Entre eles, muitos adolescentes.

Mas o Brasil tem pavor de discutir esse assunto, inclusive no Congresso, onde o discurso machista une sindicalistas a ruralistas, em maior ou menor grau, mas, sobretudo, tem como aliado as bancadas religiosas, unidas em uma cruzada evangélica. Os neopentecostais, como se sabe, acreditam na cura da homossexualidade, uma espécie de praga do demônio capaz de ser extirpada como a um tumor maligno.

O mais incrível, no entanto, não é o medievalismo dessa posição, mas o fato de ela conseguir interditar no Parlamento não só a discussão sobre a criminalização da homofobia, mas também o direito ao aborto e a legalização das drogas. Em nome de uma religiosidade tacanha, condenam à morte milhares de brasileiros pobres e, de quebra, mobilizam em torno de si e de suas lideranças o que há de mais lamentável no esgoto da política nacional.

Jean Wyllys se nega a ser refém dessa gente e, por isso mesmo, é odiado por ela. Contra ele, costumam lembrar-lhe a participação no Big Brother Brasil, o inefável programa de massa da TV Globo, onde a debilidade humana, sobretudo a de caráter intelectual, é vendida como entretenimento. Jean venceu uma das edições do BBB, onde foi aceito por ser um homossexual discreto, credenciado, portanto, para plantar a polêmica, mas não de forma a torná-la um escândalo.

Dono de um discurso política bem articulado, militante da causa gay e intelectualmente superior a seus pares, não só venceu o programa como ganhou visibilidade nacional. De repórter da Tribuna da Bahia, em Salvador, virou redator do programa Mais Você, de Ana Maria Braga, mas logo percebeu que isso não era, exatamente, uma elevação de status profissional.

Na Câmara dos Deputados, Jean Wyllys, 36 anos, baiano de Alagoinhas, tornou-se a cara da luta contra a homofobia no Brasil, justamente num momento em que se discute até a criminalização do bullyng. Como se, nas escolas brasileiras, não fossem os jovens homossexuais o alvo principal das piores e mais violentas “brincadeiras” perpetradas por aprendizes de brucutus alegremente estimulados pelo senso comum. Esses mesmos brucutus que, hoje, ligam para o gabinete do deputado do PSOL para ameaçá-lo de morte.

Abaixo, a íntegra de uma carta escrita por Jean ao Jornal do Brasil, por quem foi acusado, por um colunista do JB Wiki (seja lá o que isso signifique), de “censurar cristãos”. O texto é uma pequena aula de civilidade e História. Vale à pena lê-lo:

Em primeiro lugar, quero lembrar que nós vivemos em um Estado Democrático de Direito e laico. Para quem não sabe o que isso quer dizer, “Estado laico”, esclareço: O Estado, além de separado da Igreja (de qualquer igreja), não tem paixão religiosa, não se pauta nem deve se pautar por dogmas religiosos nem por interpretações fundamentalistas de textos religiosos (quaisquer textos religiosos). Num Estado Laico e Democrático de Direito, a lei maior é a Constituição Federal (e não a Bíblia, ou o Corão, ou a Torá).

Logo, eu, como representante eleito deste Estado Laico e Democrático de Direito, não me pauto pelo que diz A Carta de Paulo aos Romanos, mas sim pela Carta Magna, ou seja, pelo que está na Constituição Federal. E esta deixa claro, já no Artigo 1º, que um dos fundamentos da República Federativa do Brasil é a dignidade da pessoa humana e em seu artigo 3º coloca como objetivos fundamentais a construção de uma sociedade livre, justa e solidária e a promoção do bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação. A república Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais pelos princípios da prevalência dos Direitos Humanos e repúdio ao terrorismo e ao racismo.

Sendo a defesa da Dignidade Humana um princípio soberano da Constituição Federal e norte de todo ordenamento jurídico Brasileiro, ela deve ser tutelada pelo Estado e servir de limite à liberdade de expressão. Ou seja, o limite da liberdade de expressão de quem quer que seja é a dignidade da pessoa humana do outro. O que fanáticos e fundamentalistas religiosos mais têm feito nos últimos anos é violar a dignidade humana de homossexuais.

Seus discursos de ódio têm servido de pano de fundo para brutais assassinatos de homossexuais, numa proporção assustadora de 200 por ano, segundo dados levantados pelo Grupo Gay da Bahia e da Anistia Internacional. Incitar o ódio contra os homossexuais faz, do incitador, um cúmplice dos brutais assassinatos de gays e lésbicas, como o que ocorreu recentemente em Goiânia, em que a adolescente Adriele Camacho de Almeida, 16 anos, que, segundo a mídia, foi brutalmente assassinada por parentes de sua namorada pelo fato de ser lésbica. Ou como o que ocorreu no Rio de Janeiro, em que o adolescente Alexandre Ivo, que foi enforcado, torturado e morto aos 14 anos por ser afeminado.

O PLC 122 , apesar de toda campanha para deturpá-lo junto à opinião pública, é um projeto que busca assegurar para os homossexuais os direitos à dignidade humana e à vida. O PLC 122 não atenta contra a liberdade de expressão de quem quer que seja, apenas assegura a dignidade da pessoa humana de homossexuais, o que necessariamente põe limite aos abusos de liberdade de expressão que fanáticos e fundamentalistas vêm praticando em sua cruzada contra LGBTs.

Assim como o trecho da Carta de Paulo aos Romanos que diz que o “homossexualismo é uma aberração” [sic] são os trechos da Bíblia em apologia à escravidão e à venda de pessoas (Levítico 25:44-46 – “E, quanto a teu escravo ou a tua escrava que tiveres, serão das gentes que estão ao redor de vós; deles comprareis escravos e escravas…”), e apedrejamento de mulheres adúlteras (Levítico 20:27 – “O homem ou mulher que consultar os mortos ou for feiticeiro, certamente será morto. Serão apedrejados, e o seu sangue será sobre eles…”) e violência em geral (Deuteronômio 20:13:14 – “E o SENHOR, teu Deus, a dará na tua mão; e todo varão que houver nela passarás ao fio da espada, salvo as mulheres, e as crianças, e os animais; e tudo o que houver na cidade, todo o seu despojo, tomarás para ti; e comerás o despojo dos teus inimigos, que te deu o SENHOR, teu Deus…”).

A leitura da Bíblia deve ensejar uma religiosidade sadia e tolerante, livre de fundamentalismos. Ou seja, se não pratica a escravidão e o assassinato de adúlteras como recomenda a Bíblia, então não tem por que perseguir e ofender os homossexuais só por que há nela um trecho que os fundamentalistas interpretam como aval para sua homofobia odiosa.

Não declarei guerra aos cristãos. Declarei meu amor à vida dos injustiçados e oprimidos e ao outro. Se essa postura é interpretada como declaração de guerra aos cristãos, eu já não sei mais o que é o cristianismo. O cristianismo no qual fui formado – e do qual minha mãe, irmãos e muitos amigos fazem parte – valoriza a vida humana, prega o respeito aos diferentes e se dedica à proteção dos fracos e oprimidos. “Eu vim para que TODOS tenham vida; que TODOS tenham vida plenamente”, disse Jesus de Nazaré.

Não, eu não persigo cristãos. Essa é a injúria mais odiosa que se pode fazer em relação à minha atuação parlamentar. Mas os fundamentalistas e fanáticos cristãos vêm perseguindo sistematicamente os adeptos da Umbanda e do Candomblé, inclusive com invasões de terreiros e violências físicas contra lalorixás e babalorixás como denunciaram várias matérias de jornais: é o caso do ataque, por quatro integrantes de uma igreja evangélica, a um centro de Umbanda no Catete, no Rio de Janeiro; ou o de Bernadete Souza Ferreira dos Santos, Ialorixá e líder comunitária, que foi alvo de tortura, em Ilhéus, ao ser arrastada pelo cabelo e colocada em cima de um formigueiro por policiais evangélicos que pretendiam “exorcizá-la” do “demônio”.

O que se tem a dizer? Ou será que a liberdade de crença é um direito só dos cristãos?

Talvez não se saiba, mas quem garantiu, na Constituição Federal, o direito à liberdade de crença foi um ateu Obá de Xangô do Ilê Axé Opô Aforjá, Jorge Amado. Entretanto, fundamentalistas cristãos querem fazer uso dessa liberdade para perseguir religiões minoritárias e ateus.

Repito: eu não declarei guerra aos cristãos. Coloco-me contra o fanatismo e o fundamentalismo religioso – fanatismo que está presente inclusive na carta deixada pelo assassino das 13 crianças em Realengo, no Rio de Janeiro.

Reitero que não vou deixar que inimigos do Estado Democrático de Direito tente destruir minha imagem com injúrias como as que fazem parte da matéria enviada para o Jornal do Brasil. Trata-se de uma ação orquestrada para me impedir de contribuir para uma sociedade justa e solidária. Reitero que injúria e difamação são crimes previstos no Código Penal. Eu declaro amor à vida, ao bem de todos sem preconceito de cor, raça, sexo, idade e quaisquer outras formas de preconceito. Essa é a minha missão.

Jean Wyllys (Deputado Federal pelo PSOL Rio de Janeiro)