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terça-feira, 6 de agosto de 2013

Lume Teatro se apresenta esta semana em Cuiabá

A entrada é gratuita e os ingressos deverão ser retirados com antecedência, no Pavilhão das Artes, da Secretaria de Estado de Cultura de Mato Grosso.


Por Assessoria SEC com Tibanaré

Os amantes do teatro e em especial do clow, terão a oportunidade de conhecer um dos maiores núcleos de pesquisa em artes cênicas do Brasil, o “Lume Teatro”, do Estado de São Paulo. O grupo chega a Cuiabá por meio do Projeto Florescendo relações, idealizado pelo Grupo de Teatro Tibanaré – MT, e apresenta “Anjos Ridículos - O Palhaço e seus elementos” e o espetáculo “La Scarpetta”, no Pavilhão das Artes, da Secretaria de Estado de Cultura de Mato Grosso.

Na sexta-feira (09.08), ás 20h, o ator Ricardo Puccetti, realiza a Demonstração Anjos Ridículos - O Palhaço e seus elementos. Nessa atividade Puccetti apresentará ao público os aspectos básicos do processo de construção do clown pessoal: ações físicas, a relação com o público, o uso do figurino, entre outros. Após a apresentação haverá debate sobre a demonstração. A atividade é gratuita e os ingressos são limitados, por isso os interessados devem retirá-los com uma hora de antecedência no local.

Já no sábado, será a vez do Espetáculo La Scarpetta, também com Ricardo Puccetti, ás 20h, e serão distribuídos cem ingressos. Os interessados podem solicitar sua entrada pelo e-mailgrupotibanare@gmail.com.

Em “La Scarpetta”

O palhaço Teotônio, uma espécie de artista “pau prá toda a obra”, apresenta o seu Spettacolo Artistico com números de magia, equilibrismo, contorcionismo, música e acrobacia com ovos, provocando e surpreendendo o público que vê surgir diante de si o caos.

Dirigido por Nani Colombaioni, La Scarpeta teve sua estréia oficial em 1997, e já se apresentou em diversas cidades do Brasil e ainda na Espanha, Bolívia, Dinamarca, França, México, EUA e Itália. Ricardo Puccetti é ator, palhaço, pesquisador e referência internacional na arte do palhaço. Também responde pela sistematização da pesquisa do Lume na utilização cômica do Corpo.

Florescendo relações

Segundo o diretor do Tibanaré, Jefferson Jarcem, Florescendo Relações nasceu da necessidade de encontrar pesquisadores que se identificam com o fazer artístico do grupo, tornando um encontro de experimentações, assessorias, aprendizados com trabalhos concretos que rodam o Brasil. "O projeto mobiliza também as manifestações populares de Mato Grosso que traçam desenhos físicos e vocais que possam entrar na tomada de treinos dos atores. Neste encontro abrimos alguns dias para a classe artística trocar experiências e pesquisas, além de promover capacitação. Se o Tibanaré conseguir novos apoiadores e manter as parcerias com a prefeitura de Cuiabá e a SEC, poderemos dar continuidade nesse intercâmbio entre artistas do interior do Estado e fora de Mato Grosso”, finaliza Jarcem.

Esta etapa tem o patrocínio da Prefeitura de Cuiabá e da Secretaria Municipal de Cultura e o apoio da Secretaria Estadual de Cultura de mato Grosso.

Segundo a secretária de Estado de Cultura, Janete Gomes Riva, ações como essa que o Grupo Tibanaré teve a iniciativa de executar, enriquecem o cenário do teatro em Mato Grosso. A troca de ideias, experiências e atitudes sempre somam para aqueles que fazem da Arte seu principal trabalho e sua paixão. Por isso a SEC-MT faz questão de apoiar disponibilizando o espaço, fazendo as chamadas nos sites institucionais: para que relações e conhecimento floresçam sempre.

Serviço:

Demonstração Anjos Ridículos - O Palhaço e seus elementos
Dia: 09/08 às 20 horas
Ingressos limitados
Distribuição de ingressos com 01 hora de antecedência no local (19 horas)

Espetáculo La Scarpetta
Dia: 10/08 às 20 horas
Ingressos limitados
Reserva de ingressos pelo e-mail grupotibanare@gmail.com - a partir do dia 05/08
Retirada e distribuição de ingressos: com uma hora de antecedência no local (19 horas)

Informações sobre o evento: (65)84440-818

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Democracia: para refletir! - Se jornalista não pode apanhar, manifestante também não


Vou cobrir nesta segunda (17), novamente, a manifestação contra o aumento nas passagens do transporte público em São Paulo.

Mas me nego a usar colete para jornalista, conforme foi sugerido pelo governo do Estado. Um governo decente é aquele que respeita a liberdade de imprensa, mas também a liberdade de expressão. Em outras palavras, se jornalista não pode apanhar, manifestante também não.

Entendo os colegas que lembram que não são pagos para isso. E que têm família. Mas quem não tem? Além do mais, já contamos com identificações funcionais para apresentá-las em caso de questionamento policial. Para quê um colete que vai nos diferenciar à distância?

Muitos dos casos de violência contra jornalistas, na última quinta (13), ocorreram com a polícia tendo plena consciência de quem eram os agredidos. Vide os relatos da repórter da TV Folha, por exemplo. Ou do grupo de jornalistas acuados na rua da Consolação, que levaram bala mesmo tendo se apresentado como tais.

Um comandante afirmou que os jornalistas sabem do risco que correm ao cobrir esses eventos. Bem, se estava se referindo à conhecida violência da Polícia Militar de São Paulo na repressão a essas manifestações, sim, concordo.

E que deveriam ficar atrás da linha dos policias para se protegerem. Onde é que vi essa política mesmo?…Ah, do Tio Sam ao “embutirem” seus jornalistas para que caminhassem com as tropas e publicassem o que as forças armadas desejavam.

Se não usei colete para cobrir a guerra pela independência em Timor Leste ou a guerra civil angolana, por que usaria aqui já que não estamos em guerra?

Ou o Estado pretende tratar sua população como se estivesse?

Leonardo Sakamoto

Jornalista e doutor em Ciência Política. Cobriu conflitos armados e o desrespeito aos direitos humanos em Timor Leste, Angola e no Paquistão. Professor de Jornalismo na PUC-SP, é coordenador da ONG Repórter Brasil e seu representante na Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo.

Democracia: para refletir! - "Jamais achei que ele fosse atirar", afirma repórter atingida em protesto

sábado, 15 de junho de 2013

Democracia: para refletir! - O poder público não consegue entender as manifestações de São Paulo


Muitos representantes políticos não entendem como manifestações como os protestos contra o aumento das passagens em São Paulo não são conduzidos por partidos, sindicatos e associações, mas sim em um processo descentralizado. Há lideranças no movimento, mas elas estão lá para organizar, não necessariamente controlar o que brotou da insatisfação popular tanto à persistência de problemas existentes quanto aos tipos de soluções que vêm sendo dadas pelos próprios representantes políticos a esses problemas. Por conta disso, vi declarações de analistas que, beges e em pânico, afirmavam que não sabiam como dialogar com uma situação dessas.

Ótimo. Que fujam do comodismo estanque e reaprendam a se comunicar. Pois as demandas, agora, são outras.

Antes de mais nada, vale dizer que os políticos tradicionais têm dificuldade em assimilar como movimentos utilizam ferramentas como Twitter e Facebook. Acreditam que são apenas um espaço para marketing pessoal ou, no máximo, um canal para fluir informação ou atingir o eleitor. Há também os que crêem que redes sociais funcionam como entidades em si e não como plataformas de construção política onde vozes dissonantes ganham escala, pois não são mediadas pelos veículos tradicionais de comunicação. Ou seja, onde você encontra o que não é visto em outros lugares, por exemplo.

Essas tecnologias de comunicação não são ferramentas de descrição da realidade, mas sim de construção e reconstrução desta. Quando a pessoa está atuando através de uma dessas redes, não reporta simplesmente. Inventa, articula, muda. Vive. Isso está mudando aos poucos a forma de se fazer política e as formas de participação social. O poder concedido a representantes, tanto em partidos, como em sindicados, associações, entre outros espaços, tende a diminuir e a atuação direta das pessoas com os desígnios da sua polis, consequentemente, aumentar.

Voltando às manifestações em si. Muitos desses analistas bravejam contra o uso da força, representado pelo bloqueio de uma avenida, por exemplo. Mas o uso dessa força que incomoda é um instrumento político legítimo. É claro que devido à sua natureza, se utilizada, deve ser apenas em circunstâncias extremas. Pode contribuir para alcançar um objetivo, mas também gerar impactos negativos sobre a imagem de determinado grupo junto à sociedade. É, contudo, uma alternativa, muitas vezes desesperada, diante da incapacidade do poder público de agir diante do desespero alheio. Ou, pior, quando o Estado é ele próprio agente de desrespeito aos mais fundamentais direitos. Nesse caso, recorrer a quem? Às divindades da mitologia cristã?

O diálogo e as vias legais devem ser a primeira opção e, se possível, a única. Mas nem sempre o outro lado, hegemônico, está disposto a negociar – principalmente se isso significar perda de regalias (note-se que não falei de perda de direitos, mas sim de re-ga-li-as). Muitos diálogos terminam em muros intransponíveis pelas vias legais. E, vale a pena lembrar, muitas das leis que impõe desigualdades foram implantadas pelas classe sociais mais abastadas da sociedade, através da ação de seus representantes políticos em parlamentos.

Desigualdades que, sobrepostas e reafirmadas ao longo do tempo através de instituições como igrejas, família, escolas, setores da mídia, enfim, os instrumentos à mão, transformam exploração em tradição. O explorado esquece a razão da exploração e acaba aceitando-a, mais ou menos na linha do “Deus quis assim” ou “a vida é assim mesmo”. E, antes que eu me esqueça, maldito seja o “homem cordial” brasileiro. Pessoa do deixa-disso do para-com-isso, que não bate-boca, que não debate porque lhe foi ensinado que isso é feio. Com isso, não evolui, nem ajuda a evoluir.

Jovens ingleses desempregados, sem esperança e perspectivas, sob uma longa recessão econômica e uma polícia despreparada para ligar com protestos, iniciaram uma revolta e foram chamados de vândalos lá e aqui. O estopim do protesto, os “20 centavos” deles, pouco importa. Pois não era o estopim a razão da revolta, mas um acumulado de fatores que giravam em torno de sua qualidade de vida. Na verdade, da falta dela. Muita gente no Reino Unido não entendia porque eles faziam aquilo já que, durante tanto tempo, aceitaram coisa pior em silêncio.

Nesse ponto, manifestações públicas que causem impacto urbano, como congestionamentos, devem ser consideradas como legítima defesa e não como violência gratuita. Da mesma forma que uma ocupação em praça pública no Egito, que impeça o país de funcionar normalmente enquanto um ditador não deixar o poder. Ou o bloqueio de rodovias que chegam a La Paz, enquanto os direitos de populações tradicionais não forem respeitados. E até mesmo a resistência contra o salve-se-quem-puder do capitalismo global, atormentando a vida do mercado financeiro em Wall Street, em Saint Paul ou na ruas de Roma.

Muitas vozes se levantam para reclamar da “violência” resultante dessas ações, mas se calam diante de massacres, chacinas e genocídios que ocorrem diariamente. Ou das pequenas violências do dia-a-dia, como ter que espremido feito bagaço de laranja em um busão após um dia cheio de trabalho ou ir acomodado, feito sardinha em óleo, voltando para casa de metrô. Só quem nunca pegou transporte público pode pedir calma à população mediante a passagens caras e serviço ruim.

“Ah, mas esses jovens que resolveram, de uma hora para outra, questionar como a vida foi organizada antes deles nascerem são muito novos para entender.” Não, não são não. Já perceberam o que significa ordem, hierarquia e tradição e não gostaram. Até porque são valores de uma civilização representada por fuzis, colheitadeiras, motosserras, terno e paletó que, mais cedo ou mais tarde, vai ter que mudar. Isso não é o mundo, nem a política, que muitos deles querem.

O paradigma do sistema político representativo está em grave crise por não ter conseguido dar respostas satisfatórias à sociedade. Aos mais jovens, sobretudo. Bem pelo contrário, apesar de ser uma importante arena de discussão, ele não foi capaz de alterar o status quo. Apenas lançou migalhas através de pequenas concessões, mantendo a estrutura da mesma maneira e a população sob controle. O Estado continua servindo aos interesses de alguns privilegiados.

A incapacidade do sistema político de gerar respostas satisfatórias levou também ao fortalecimento da luta em outras frentes, além daquela representada pelo capital-trabalho. A vanguarda dos progressistas foi ocupada por grupos que discutem as liberdades individuais e a qualidade de vida nas grandes cidades – da mobilidade urbana, passando pelas demandas de direitos sexuais e reprodutivos ao poder de dispor do próprio corpo.

Os mais velhos vêm isso como uma pauta que não altera em nada a estrutura social. Bem, como já disse aqui, o problema entre a velha e a nova “esquerda” (na falta de uma outra palavra de contestação ao status quo usei essa, mas podem também chamar de “jujuba” ou “picanha” se não gostarem de “esquerda”) está no contexto histórico em que seus atores foram formados. Não adianta mostrar fatos novos ou uma nova luz para a interpretação da realidade, há grupos que fecham e não abrem com padrões paleozóicos de interpretação da realidade.

A meu ver a solução desse embate se dará com os mais antigos se retirando com a idade para dar lugar aos mais novos, formados em uma matriz diferente.

Protestos contra o aumento de passagens do transporte público; sobre estações de metrô que têm sua localização alterada em benefícios de um grupo social privilegiado; ocupações de reitorias por estudantes, de prédios abandonados por sem-teto; manifestações pelo direito ao aborto, pelo uso de substâncias consideradas como ilícitas e outras liberdades. Todas têm um objetivo muito maior do que obter concessões de curto prazo. Elas não servem apenas para garantir transporte público, tapar as goteiras das salas de aula, destinar um prédio aos sem-teto ou ainda conquistar direitos individuais. Os problemas enfrentados pelos movimentos urbanos envolvidos nesses atos políticos não são pontuais, mas sim decorrência de um modelo de desenvolvimento que enquanto explora o trabalho, concentra a renda e favorece classes de abastados, deprecia a coisa pública (quando ela não se encaixa em seus interesses) ou a privatiza (quando ela se encaixa).

Como muitos dizem, a luta não é por “20 centavos”. É por dignidade.

As ações são, sim, uma disputa de poder feita simultaneamente em âmbito local e global que, no horizonte histórico, poderá resultar na manutenção da pilhagem econômica, social e cultural da grande maioria da sociedade ou levar à implantação de um novo modelo – mais humano, livre e democrático.

A história mostra que apesar da esquerda ter capacidade de influenciar a realidade no país, ela não foi capaz de transformá-la. E a menos que novas respostas se imponham para romper com a estrutura atual, continuaremos vendo fracassos se repetirem. A reconquista do espaço público traz uma lufada de esperança para a busca de respostas. Você, que reclama dessa molecada, deveria levantar e aplaudir de pé. Pois talvez essa nova geração, auxiliada pela tecnologia, faça a diferença na forma que os que vieram antes ainda não conseguiram fazer.

Leonardo Sakamoto

Leonardo Sakamoto é jornalista e doutor em Ciência Política. Cobriu conflitos armados e o desrespeito aos direitos humanos em Timor Leste, Angola e no Paquistão. Professor de Jornalismo na PUC-SP, é coordenador da ONG Repórter Brasil e seu representante na Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo.

Democracia: para refletir! - Violência em São Paulo: o protesto que eu não vi na TV


Eu fico meio assim de falar estando longe, porque é fácil falar estando longe. Mas estar longe também dá uma perspectiva boa, mais ampla, então eu vou falar.

A fiança para os detidos na manifestação é de R$20 mil reais. Tem gente que atropela e mata, paga 5 a 10 mil reais e sai andando da delegacia.

Eles estão se assustando. E sabe por que? Porque todo mundo sabe que quem foi pra Paulista ontem não está lá por causa da passagem de ônibus - como os manifestantes na Turquia não estão lá por causa da construção de um parque. Foi só a gota d'água.

O lance é que ninguém aguenta mais. Ninguém aguenta mais ler que a desigualdade social diminuiu e o Brasil vai ser a maior economia do mundo em 20 anos, e não conseguir sair de casa por medo de tomar um tiro na cabeça sem motivo. SP, especificamente, está sufocando todo mundo. Viver em SP é uma batalha diária, mesmo. Só percebe quem vive uma outra vida. A gente fica tão imerso em todos os esforços que tem que fazer, diariamente, pra checar vivo e íntegro em casa no fim do dia, que não percebe o quão extenuante isso é. O quanto isso acaba com a nossa saúde mental, com a nossa dignidade, com os nossos valores do que é realmente importante na vida. Eu só percebi quando saí daí e vi que outra vida era possível mesmo em uma cidade grande.

Aliás, era isso que eu queria dizer: outra vida é possível. E se 5% das 10 mil pessoas que estiveram na rua ontem são vândalos, bom, eu acho que é preço pequeno a se pagar perto do resto, bem intencionado, que só não aguenta mais ser massacrado todos os dias e viu o aumento da passagem de ônibus como a gota d'água.

O que eles querem é que você pense que quem está na rua é meia-dúzia de vândalos vagabundos. Molecada que não tem o que fazer, gente perigosa que precisa pagar VINTE MIL REAIS de fiança pra sair cadeia. Eles querem muito que você acredite nisso. Você sabe que não: que tinha todo tipo de gente lá. Você sabe que tá todo mundo tão puto quanto você tá. Que, como você, ninguém aguenta mais nem um segundo de conversa fiada dos nossos governantes, e que estamos tão no limite que nós, o povo apático, estamos indo pra rua (eu não estou, mas enfim) de tão putos.

Uma vez só, tenha em mente que, se tem alguém na TV tentando te convencer de algo, você deveria acreditar justamente no contrário.

Ana Paula Freitas