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domingo, 28 de junho de 2015

Para refletir! - O Mesmo Amor



O hit musical "Same Love" tornou-se um hino para a igualdade LGBT. Estávamos tão grato que Mackelmore e Lewis tomou uma posição para a igualdade no casamento e foi ruidosamente aplaudido. Mas, o nosso trabalho como uma comunidade está longe de ser feito, à medida que buscamos a igualdade nos países.

Esta canção - que homenageia a luta do nosso movimento - é tão convincente que nós pensamos que um tributo apropriado para expressar nossas emoções seria em um movimento como uma dança contemporânea.

O Mesmo Amor

Quando eu estava na 3ª série
Eu achava que eu era gay
Porque eu sabia desenhar, o meu tio era gay
E eu mantinha meu quarto em ordem
Eu contei a minha mãe, com lágrimas no rosto e ela disse
"Ben, você ama meninas desde antes do jardim de infância"
Viajando, sim, acho que ela tinha razão, não tinha?
Um monte de estereótipos na minha cabeça
Me lembro de raciocinar, tipo:
"Sim, eu sou bom na liga de beisebol"
A ideia de que aquilo significava que aqueles que gostavam
De pessoas do mesmo sexo tinham características
Os conservadores acham que é uma escolha
E você pode ser curado com algum tratamento e religião
Feito pelo homem, uma pré-disposição, brincando de Deus
Oh, não, lá vamos nós
América, a valente, ainda teme o que não conhecemos
E que “Deus ama todos os seus filhos” é esquecido
Mas nós interpretamos um livro que foi escrito há 3.500 anos
Eu não sei

E eu não posso mudar
Mesmo se eu tentasse
Mesmo se eu quisesse
E eu não posso mudar
Mesmo se eu tentasse
Mesmo se eu quisesse
Meu amor, meu amor, meu amor
Ela me mantém aquecida

Se eu fosse gay, eu acharia que o hip-hop me odeia
Você tem lido recentemente os comentários no YouTube?
"Cara, isso é gay" É dito diariamente
Nos tornamos tão entorpecidos com o que dizemos
Uma cultura fundada a partir da opressão
Ainda não temos a aceitação deles
Chamamos uns aos outros de bicha
Por trás da tela de um computador
Uma palavra enraizada no ódio
Mas nossa espécie ainda ignora isso
"Gay" é sinônimo de inferioridade
É o mesmo ódio que causou guerras por causa de religião
O gênero, a cor da pele, a quantidade de melanina
A mesma luta que levou as pessoas a guerrear e manifestar
Direitos humanos para todos, não há diferença
Viva! E seja você mesmo!
E na igreja, eles me ensinaram algo diferente
Se há o ódio no sermão, as palavras não são ungidas
E a água benta em que você mergulha, depois é envenenada
Quando todos ficam mais confortáveis, continuando calados
Em vez de lutarmos pelos que tiveram seus direitos roubados
Eu posso não ser o mesmo, mas isso não é importante
Não ha liberdade até que sejamos iguais
Pode ter certeza que eu apoio!

Eu não sei

E eu não posso mudar
Mesmo se eu tentasse
Mesmo se eu quisesse
E eu não posso mudar
Mesmo se eu tentasse
Mesmo se eu quisesse
Meu amor, meu amor, meu amor
Ela me mantém aquecida

Vamos apertar o play, não aperte o pause
Progrida, marche em frente!
Com o véu em nossos olhos, damos as costas à causa
Até o dia em que meus tios possam se unir perante a lei
Crianças andam pelos corredores
Atormentadas pela dor em seus corações
Um mundo com ódio, alguns preferem morrer a ser quem são
E um certificado de papel não vai resolver tudo
Mas já é um bom começo
Nenhuma lei vai nos mudar, nós temos que nos mudar
Seja qual for o Deus em que você crê, viemos do mesmo
Expulse o medo, por baixo de tudo, é tudo o mesmo amor
Já é tempo de erguermos a voz

E eu não posso mudar
Mesmo se eu tentasse
Mesmo se eu quisesse
E eu não posso mudar
Mesmo se eu tentasse
Mesmo se eu quisesse
Meu amor, meu amor, meu amor
Ela me mantém aquecida

O amor é paciente, o amor é bondoso
O amor é paciente e bondoso (sem choro aos domingos)
O amor é paciente (sem choros aos domingos)
O amor é bondoso (eu não choro mais aos domingos)
O amor é paciente (sem choros aos domingos)
O amor é bondoso (eu não choro mais aos domingos)
O amor é paciente (eu não choro mais aos domingos)
O amor é bondoso (eu não choro mais aos domingos)
O amor é paciente, o amor é bondoso


Liberdade Full Frontal em colaboração com Dream It Productions e Ryan Hanson Productions

Produtor Executivo: Conor Gaughan
Dirigido por Emrhys Cooper e Ryan Hanson
Produzido por Dustin Louie e Keelin Clark
Diretor de fotografia: Karla Di Benedetto
Tomadas da obra: Blaine Dunkley
Editores: Ryan Hanson e Keith júnior

Coreógrafos: Emrhys Cooper, Ryan Hanson
Coreógrafos assistentes: Nick Aragão, James Aragão (The Twins Ninja)
Dançarinos: Nick Aragon, James Aragão (The Twins Ninja), Nicole Bondzie, Filippo Calvagno, Ryan Hanson, Emrhys Cooper, Charlotte Preço, Hannah May Evans

Um obrigado muito especial para William Pôncio !!

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

A crueldade do "orgulho hétero" e do "100% branco"

Quando um branco diz que tem orgulho de ser branco, um hétero de ser hétero e um homem de ser homem, cometem um ato de insensibilidade e injustiça.


Por: Vinicius Werneck

O negro sente orgulho de ser negro, pois em agosto de 1955 um jovem negro de 14 anos foi assassinado por ter ousado assobiar para uma mulher branca. Seu nome, Emmett Till. Torturado, assassinado e mutilado. Nessa ordem. A mãe pediu que o caixão fosse deixado aberto, para que “o mundo visse o que fez com meu bebê”.

O negro sente orgulho de ser negro, pois chorou e sangrou e suou para que esse tipo de violência fosse cada vez mais raro. Ele sente orgulho, pois inspirada pela história de Till, uma jovem professora, cansada de toda essa iniquidade, recusou-se a seguir a lei e a se levantar para um homem branco sentar no ônibus. Foi presa.

O negro sente orgulho, pois já causa revolta na maioria de nós imaginar que cor de pele indicava inferioridade. Ele sente orgulho da própria história, pois teve que lutar centenas de anos por direitos que os não-negros nasceram possuidores. O orgulho do negro não acontece em detrimento de quem não é negro.

É um orgulho que todos deveríamos compartilhar enquanto sociedade.


O LGBT sente orgulho de ser lésbica, gay, bi ou trans, pois aprendeu depois de muitos anos chorando no travesseiro, que não é um erro, não nasceu com defeito e que não precisa ter vergonha de si. O orgulho vem do aprendizado árduo de que é possível ser feliz.

O LGBT sente orgulho de ser o que é, pois tem que lutar cotidianamente o medo de ser agredido por amar quem ama. Sente orgulho, pois mesmo vendo casais heterossexuais vivendo a liberdade que queriam experimentar, não transformam a sensação em rancor, mas em combustível para a perseguição do sonho de igualdade.

O LGBT sente orgulho do que é, pois passa por um momento de auto-aceitação e descobrimento que outros não passam, e vêem a importância de sua luta histórica por igualdade.

É um orgulho que deveríamos compartilhar enquanto sociedade.


A mulher sente orgulho de ser mulher, pois só ela sabe a real importância de sua luta. Só ela sente o quanto dói o assédio sexual constante e socialmente aceito de chefes, colegas, amigos e desconhecidos. Ela se orgulha, pois ninguém mais entende o que é o medo de passar por uma rua vazia, de esperar à noite em um ponto de ônibus, de andar sozinha em frente a um grande canteiro de obras.

A mulher se orgulha de sua luta e de conquistas que empoderam as mulheres. Se orgulha de cada mulher que não aceita mais o abuso físico de um companheiro que escolheu para amar mas que em vez disso a machuca. E percebe que é preciso continuar na luta, toda vez que ainda culpam a vítima pelo ato doentio do agressor (“estava com a roupa errada” “no lugar errado", “na hora errada", “com o olhar errado", “com uma atitude errada”, etc). Elas se orgulham da própria história de conquistas e lutas.

E é um orgulho que todos nós deveríamos compartilhar.

Eu tenho orgulho dos meus amigos negros e de suas lutas e vitórias; me orgulho de meus amigos LGBT que aprenderam a amar a si mesmos como são; me orgulho das minhas amigas mulheres que lutam pelo que acreditam, mesmo que diversas vezes sofrendo por consequência a implicância de homens (e até mesmo de outras mulheres). É um orgulho nascido da luta, da dor; da conquista de território numa guerra de trincheiras com o conservadorismo. Pessoas que, fatigadas de apenas sonhar, lutam incansavelmente; gritam, quando mais fácil é calar; ousam, mesmo que lhes custe a vida.

Essa reafirmação da branquitude, da heterossexualidade e da masculinidade, identidades dominantes, são uma patente dificuldade de lidar com a diversidade. É um orgulho nascido não da luta pela igualdade, mas da vontade de demarcar com uma caneta ainda mais forte privilégios seculares.

Soa um pouco patológico ter orgulho do que não se precisou conquistar…

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Democracia: para refletir! - Quem precisa de cura?

Perguntinha (im) pertinente que circulou esta semana nas redes sociais: o tal "pastor" preso no Rio é acusado de mais de 20 estupros, assediava costumeiramente as fiéis, promovia orgias num big apartamento de Copacabana e quem precisa de cura são os gays?

Sim, porque é este tipo de "religioso", cujo representante maior é o deputado Feliciano, que propaga a imensa, incomensurável besteira que é classificar como uma doença o que na verdade é uma orientação sexual pessoal e de foro íntimo.

Escolher ou não como companheiro/a uma pessoa do mesmo sexo só diz respeito a quem toma esta decisão, a mais ninguém. Tanto que a Justiça estadual de praticamente metade dos Estados brasileiros já reconheceu isso e aceita o casamento de pessoas do mesmo sexo.

Trata-se, portanto, de questão cível, não é da conta e não tem nada a ver com estes líderes das trevas, que extravasam em alto e bom som sua ignorância como se esta fosse uma dádiva dos céus.

Seria interessante agora o Feliciano, o Malafaia e seus pares virem a público para explicar o que se passa na cabeça de um sujeito assim, que eles mesmos tantas vezes incensaram.

Ambos não podem, é claro, ser responsabilizados pelas eventuais atitudes criminosas de Marcos Pereira da Silva, mas certamente são coniventes com as besteiras que ele propaga.

O que dizem agora sobre seu comportamento?

Será que tem cura?

Luiz Caversan é jornalista e consultor na área de comunicação corporativa. Foi repórter especial, diretor da sucursal do Rio da Folha, editor dos cadernos "Cotidiano", "Ilustrada" e "Dinheiro", entre outras funções. Escreve aos sábados no site da Folha.