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sábado, 18 de maio de 2013

Democracia: para refletir! - Marina Silva morreu abraçada a Feliciano

Marina Silva faleceu politicamente hoje, 15 de maio, vítima de si própria.
Morreu abraçada ao irmão evangélico Marco Feliciano.


As linhas acima resumem o fato político mais importante do dia.

Num erro de avaliação impressionante, Marina Silva, numa viagem ao Recife, tomou a defesa de Feliciano. Disse que ele estava sendo atacado, em boa parte, por ser evangélico. Vou repetir. Disse que ele estava sendo atacado, em boa parte, por ser evangélico. Você pode checar aqui, neste vídeo.

Ora.

Feliciano, desde que irrompeu do anonimato, tem repetido barbaridades homofóbicas e racistas em sucessivas e despudoradas odes à intolerância e ao fanatismo. Quando já achávamos que ele tinha esgotado o estoque de obscurantismo agressivo, eis que aparece um vídeo no qual ele diz que Deus assassinou John Lennon porque não gostou de uma coisa que Lennon disse.

E com todo esse passivo brutal de posições que fazem mal à sociedade, Marina consegue dizer que a rejeição a Feliciano se funda mais na religião que na obra do pastor. “Quando penso em certas coisas que disse, invejo os mudos”, escreveu Sêneca, o grande filósofo estoico da Antiguidade romana.

Eis uma frase que cabe em Marina.

Para quem num certo momento surgiu como esperança de renovação política, não poderia haver desfecho mais patético do que falecer na bizarra defesa do que existe de mais vulgar, mais mistificador e mais atrasado na política brasileira, o pastor Feliciano.

O jornalista Paulo Nogueira, baseado em Londres, é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Democracia: para refletir! - Amar virou um ato de coragem


Se serviu para demonstrar que em muitos aspectos e em certos escaninhos a sociedade brasileira ainda pratica conceitos e ações dignos da idade média, o atual debate sobre a homofobia, tendo figuras inquisitoriais como os felicianos, malafaias e bolsonaros que muitos insistem em manter em evidência, ao menos permitiu que se fizesse um pouco de luz no sentido oposto ao propagado por estes cidadãos.

Cidadãos que, aliás, não honram esta condição, posto que rejeitam o conceito básico de cidadania segundo o qual a vida privada, se não fere a lei, diz respeito unicamente ao indivíduo.

A fobia pública destes personagens permanece gerando reação que felizmente indica alguma evolução neste setor. Figuras públicas resolveram assumir e propalar sua orientação sexual homo, outras tantas que merecem a atenção da mídia, embora "comportadas" dentro dos padrões aceitos pelos preconceituosos, passaram a apoiar publicamente esta que, graças aos homofóbicos, tende a se tornar uma causa mais e mais apoiada.

Com a ajudinha sempre providencial das mídias sociais, claro.

Aliás, nestas mídias - Facebook e Twitter à frente - surgiu um movimento que deixa evidente que revelar o amor, em pleno século 21, é considerado um ato de coragem. Tem-se tratado aqueles que simplesmente dizem em alto e bom som que amam (uma pessoa do mesmo sexo, que seja!) como se fossem heróis.

Ok, a sociedade brasileira está muito mais próxima da Grã-Bretanha de Oscar Wilde, perseguido e aniquilado por conta de seu comportamento pessoal em nome o "amor que não ousa dizer seu nome" do que dos EUA em que o presidente fala de "nossos irmãos gays".

Mas avança-se.

Infelizmente este debate dá sobrevalor a políticos que se por isso não fosse estariam recolhidos à mais adequada insignificância.

Que seja.

Há que se esclarecer, tolerar, respeitar, superando-se as bobagens do tipo "ditadura gay" e passando todos a levar a vida que lhes convier.

O problema é que muita gente ainda tem medo, repetindo Wilde outra uma vez, de versos como:

"E ambos, nessa atração de semelhantes,
Num cingir de músculos, os amantes
Ergueram-se aos portais da transcendência."

Luiz Caversan é jornalista e consultor na área de comunicação corporativa. Foi repórter especial, diretor da sucursal do Rio da Folha, editor dos cadernos "Cotidiano", "Ilustrada" e "Dinheiro", entre outras funções. Escreve aos sábados no site da Folha.

terça-feira, 14 de maio de 2013

Democracia: para refletir! - Chega de meios termos: homofobia é crime, sim.


Se não está previsto em lei ainda é porque nós somos atrasados em tudo ou quase. Se ainda não existe um movimento consistente, maduro e efetivo contra as barbaridades que se cometem em nome do “eu não gosto do jeito que você leva sua vida” é porque somos acomodados, para não dizer acovardados, na ideia arcaica de que afinal este é o velho e bom país da cordialidade. Balela.

Vivemos num tempo de retrocesso e assistimos calados ou apenas manifestando nosso pasmo a uma inédita escalada da violência. Violência típica da idade média. Ou haveria época mais sinistra em que um pai tem a orelha decepada (deve estar em alguma prateleira de troféus…) porque estava abraçado ao filho e foi “confundido” com um gay? Progredimos tanto para chegar a isso?

Este episódio foi tratado pela imprensa em geral com rara insensibilidade, como uma banalidade do dia-a-dia, ou, no linguajar dos boletins de ocorrência de antigamente, como uma “desinteligência”. Não, foi barbárie mesmo! Ah, os caras antes de descer o cacete perguntaram a pai e filhos se eles eram gays. E os coitados nem eram!

Ou seja, se fossem, tudo bem?

Mesmo que os animais tenham partido para cima desses dois infelizes porque não gostaram da cor da camisa que eles estavam usando, ou por causa do corte do cabelo, o “grito de guerra” foi anti-gay e certamente partiu da velha máxima de que “viado tem mais é que tomar porrada”.Um garoto quase fica cego na avenida Paulista agredido com uma lâmpada fluorescente, um rapaz perde os dentes na porta de uma boate por causa de um soco inglês, outro é esfaqueado sem nem saber de onde nem porque, agora aparece este “caçador de orelhas”.

O que mais?

Eis onde nos encontramos, senhoras e senhores, em plena idade das trevas, acessível pelo seu smart-phone, Ipad ou por sua televisão de led 3G. Aproveitem!

Luiz Caversan, 55 anos, é jornalista, produtor cultural e consultor na área de comunicação corporativa. Foi repórter especial, diretor da sucursal do Rio da Folha, editor dos cadernos Cotidiano, Ilustrada e Dinheiro, entre outros. Escreve aos sábados para a Folha.com

sábado, 6 de agosto de 2011

Por que alguém deveria se orgulhar de ser gay ou hétero?

Por Reinaldo Azevedo

Alguns leitores pedem que eu comente o tal “Dia do Orgulho Hétero”, aprovado pela Câmara dos Vereadores de São Paulo. Já comentei faz tempo. Acho de uma estupidez supina. Mas certamente é um exagero afirmar que se trata de expressão da homofobia ou sei lá o quê. Isso já é manifestação dos patrulheiros “do bem”, daqueles que acham que a “sociedade tem todo o direito de se manifestar, desde que a causa seja boa” — vale dizer: desde que eles concordem com a pauta. É expressão típica da mentalidade de esquerda, que pretende ter o monopólio das boas intenções. O “Dia do Orgulho Hétero” é só a outra face do “gayzismo”, que é o proselitismo gay levado às raias da patrulha.

Gays podem e devem reivindicar direitos, sim! Mas o que quer dizer “Dia do Orgulho gay?” Por que “orgulho”? Orgulho de quê? As pessoas costumam se orgulhar, na hipótese benigna, de um feito raro, notável, de uma ação espetacular; na hipótese nada virtuosa, de serem possuidoras de alguma característica ou de algum bem que fazem falta à imensa maioria das pessoas — nesse caso, “orgulho” é quase sempre arrogância.

Nem devem se orgulhar os gays de serem gays, já que isso não lhes confere competências especiais, nem devem se orgulhar os héteros, pelo mesmo motivo. Adicionalmente, observo que a “condição gay” — e não “opção” — mais traz dissabores aos indivíduos do que facilidades extras, e só por isso eles se organizam para reivindicar direitos. Quem se orgulha de ser discriminado está com alguma patologia. Os héteros pertencem a uma maioria que ultrapassa os 90% da humanidade. “Orgulho” de ser maioria não é um sentimento de que alguém deva… orgulhar-se!

Eu nunca fui simpático — atenção: nem quando era de esquerda! — a esses movimentos que chamarei de “afirmação identitária”: “Nós somos negros, nós somos mulheres, nós somos gays”. Quando eu era comuna, achava que isso distorcia a essência da luta de classes — se eu fosse comuna, certamente continuaria a achar a mesma coisa, consoante com a teoria. Costumo ser ortodoxo em matéria de doutrina, hehe… Como sou um liberal, acho que essas expressões negam a essência da democracia. É preciso tomar muito cuidado com as chamadas ações de “discriminação positiva”.

Uma coisa é construir calçadas, por exemplo, com passagem para cadeirantes — o que confere facilidades aos chamados “portadores de necessidades especiais”, nome politicamente correto para a deficiência física —, outra, distinta, é instituir regimes de cotas raciais ou sociais em universidades, cassando direitos de indivíduos em nome da reparação histórica e violando o princípio da igualdade perante a lei. Quando os gays reivindicam igualdade perante a lei, estão no caminho certo — sempre destacando que o Supremo não pode violar a Constituição por isso, como fez…; quando tentam emplacar o PLC 122, vão pelo mau caminho.

Talvez um dia a gente ainda venha a se orgulhar do bom senso e da ponderação. Não custa ter esperanças, não é mesmo?

Fonte:http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Um gesto de combate ao preconceito e ao bulliyng



Bela campanha criada na Irlanda para a Belong, uma instituição de apoio a jovens Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros (LGBT), com idades entre 14 e 23 anos.

No vídeo podemos aprender que um simples gesto e a não omissão são suficientes para combater ao preconceito homofóbico e a prática de bulliyng em jovens homossexais.