Perguntinha (im) pertinente que circulou esta semana nas redes sociais: o tal "pastor" preso no Rio é acusado de mais de 20 estupros, assediava costumeiramente as fiéis, promovia orgias num big apartamento de Copacabana e quem precisa de cura são os gays?
Sim, porque é este tipo de "religioso", cujo representante maior é o deputado Feliciano, que propaga a imensa, incomensurável besteira que é classificar como uma doença o que na verdade é uma orientação sexual pessoal e de foro íntimo.
Escolher ou não como companheiro/a uma pessoa do mesmo sexo só diz respeito a quem toma esta decisão, a mais ninguém. Tanto que a Justiça estadual de praticamente metade dos Estados brasileiros já reconheceu isso e aceita o casamento de pessoas do mesmo sexo.
Trata-se, portanto, de questão cível, não é da conta e não tem nada a ver com estes líderes das trevas, que extravasam em alto e bom som sua ignorância como se esta fosse uma dádiva dos céus.
Seria interessante agora o Feliciano, o Malafaia e seus pares virem a público para explicar o que se passa na cabeça de um sujeito assim, que eles mesmos tantas vezes incensaram.
Ambos não podem, é claro, ser responsabilizados pelas eventuais atitudes criminosas de Marcos Pereira da Silva, mas certamente são coniventes com as besteiras que ele propaga.
O que dizem agora sobre seu comportamento?
Será que tem cura?
Luiz Caversan é jornalista e consultor na área de comunicação corporativa. Foi repórter especial, diretor da sucursal do Rio da Folha, editor dos cadernos "Cotidiano", "Ilustrada" e "Dinheiro", entre outras funções. Escreve aos sábados no site da Folha.
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quarta-feira, 15 de maio de 2013
terça-feira, 14 de maio de 2013
Democracia: para refletir! - Chega de meios termos: homofobia é crime, sim.

Se não está previsto em lei ainda é porque nós somos atrasados em tudo ou quase. Se ainda não existe um movimento consistente, maduro e efetivo contra as barbaridades que se cometem em nome do “eu não gosto do jeito que você leva sua vida” é porque somos acomodados, para não dizer acovardados, na ideia arcaica de que afinal este é o velho e bom país da cordialidade. Balela.
Vivemos num tempo de retrocesso e assistimos calados ou apenas manifestando nosso pasmo a uma inédita escalada da violência. Violência típica da idade média. Ou haveria época mais sinistra em que um pai tem a orelha decepada (deve estar em alguma prateleira de troféus…) porque estava abraçado ao filho e foi “confundido” com um gay? Progredimos tanto para chegar a isso?
Este episódio foi tratado pela imprensa em geral com rara insensibilidade, como uma banalidade do dia-a-dia, ou, no linguajar dos boletins de ocorrência de antigamente, como uma “desinteligência”. Não, foi barbárie mesmo! Ah, os caras antes de descer o cacete perguntaram a pai e filhos se eles eram gays. E os coitados nem eram!
Ou seja, se fossem, tudo bem?
Mesmo que os animais tenham partido para cima desses dois infelizes porque não gostaram da cor da camisa que eles estavam usando, ou por causa do corte do cabelo, o “grito de guerra” foi anti-gay e certamente partiu da velha máxima de que “viado tem mais é que tomar porrada”.Um garoto quase fica cego na avenida Paulista agredido com uma lâmpada fluorescente, um rapaz perde os dentes na porta de uma boate por causa de um soco inglês, outro é esfaqueado sem nem saber de onde nem porque, agora aparece este “caçador de orelhas”.
O que mais?
Eis onde nos encontramos, senhoras e senhores, em plena idade das trevas, acessível pelo seu smart-phone, Ipad ou por sua televisão de led 3G. Aproveitem!
Luiz Caversan, 55 anos, é jornalista, produtor cultural e consultor na área de comunicação corporativa. Foi repórter especial, diretor da sucursal do Rio da Folha, editor dos cadernos Cotidiano, Ilustrada e Dinheiro, entre outros. Escreve aos sábados para a Folha.com
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