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terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Didgeridoo: a flauta mais antiga do mundo

Didgeridoo: flauta ancestral dos aborígenes da Austrália

Origem

Uma das lendas sobre a origem do Didgeridoo conta que, em um tempo em que não havia estrelas no céu, para evidenciar nossa pequenez frente a este Universo, e em que não havia música, para aflorar nossa sensibilidade, um grupo de aborígines, no norte da Austrália, se reuniu à volta de uma fogueira simplesmente para apreciá-la.

O mais atento deles percebeu que, de um pedaço de madeira em chamas, estavam saindo pequenos insetos. Sentindo compaixão por eles, rapidamente tirou aquele pedaço de madeira da fogueira e, vendo que era oco, assoprou-o para o alto, para retirar os insetos da quente madeira. Ao assoprar, o som do Didgeridoo ecoou pela noite e, ao irem para o alto os pequenos insetos, as estrelas se formaram.

Originalmente era considerado sagrado, e ainda o é, pelos aborígines do norte da Austrália, sendo tocado em seus rituais místico-religiosos. Segundo alguns historiadores, é o instrumento musical mais antigo do mundo. Considerando pinturas rupestres encontradas naquele país, estima-se que exista há aproximadamente 40.000 anos.

Aborígene tocando flauta: instrumento pode ser o mais antigo do mundo

A palavra "Didgeridoo"

A maioria dos estudiosos do assunto considera que a palavra "Didgeridoo" é onomatopeica (palavra cuja pronúncia imita o som natural da coisa significada), inventada por ocidentais. Mas alguns consideram possível ser ela uma derivação de duas palavras irlandesas: dúdaire ou dúidire, que tem vários significados, como "corneteiro", "fumante inveterado", "soprador", "pescoçudo", "abelhudo", "aquele que cantarola", "cantor de canções populares com voz macia e aveludada", e a palavra dubh, que significa "negro", ou duth, que significa "nativo".

Na Austrália, há pelo menos 45 sinônimos para o nome Didgeridoo, dependendo da tribo ou da região. Estão entre esses sinônimos: bambu, bombo, kambu e pampuu, todos diretamente se referindo a bambu, o que indica, entre outros estudos, que os primeiros Didgeridoos eram feitos de bambu.

Há outros sinônimos que, na linguagem dos aborígines, também têm alguma relação com bambu: garnbak, illpirra, martba, jiragi, yiraki e yidaki, sendo esses dois últimos os nomes mais usados para Didgeridoo pelos aborígines australianos.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

A fábula "O rouxinol e a flauta de Pã"

Dizem que o Rouxinol era um pássaro comum como todos os outros, cinzento e sem graça. Piava, voava, fazia seu ninho, comia frutos e sementes.

As Fábulas de Esopo, literatura muito explorada na atualidade

Segundo velha lenda nórdica ele ganhou as penas róseas e a voz maravilhosa por ter uma grande paixão e resolveu morrer pela sua amada. Segundo Esopo ele foi tomar aulas de canto e criação artística com o gênio da Flauta divina das florestas, o famoso sátiro Pã.

Rouxinol, o pássaro flautista das fábulas de Esopo

O semideus emitia uma melodia e o Rouxinol a repetia. Depois a flauta produzia outros acordes e melodias e o Rouxinol modelava tudo em sua garganta, qualquer que fosse a dificuldade das combinações, com igual ou maior perfeição do que a flauta mágica. Os pássaros, os bichos, as borboletas, os elementais e todos os seres da mata se reuniam para ouvir os dois artistas experimentando as maravilhas dos sons.

Cansado e esgotado em sua inventividade, Pã assentou na relva e o Rouxinol ampliou um pouco a última melodia, depois ampliou mais, improvisou sons ainda não produzidos, soltou nos trinados de harmonia surpresas para si próprio. Tentou mais uma criação além de todas as lições... Dizem que Pã saiu de mansinho, com todos os ouvintes embevecidos e se afundou pelas selvas e até hoje não voltou a se mostrar.

REVISÃO. Alguns recontadores se aventuram a pensar que Pã fugiu triste. Outros concluem que ele ficou muito feliz por ter tido um aluno tão brilhante. Outros emitem a moral de que “o discípulo deve subir além do Mestre”.

Esopo, famoso fabulista na antiga Grécia

O que é uma Fábula?

Fábula é uma narrativa figurada, na qual as são animais que ganham caracteristicas humanas. Sempre contém um moral por sustentação, constatada no final da história. É um gênero muito versátil, pois permite diversas maneiras de se abordar determinado assunto. É muito interessante para crianças, pois permite que elas sejam ensinadas dentro de preceitos morais sem que percebam.

A fábula surgiu no Oriente, mas já era cultivada entre assírios e babilônios. No entanto foi o escravo grego Esopo, que viveu no século VI a.C. quem consagrou o gênero. La Fontaine foi outro grande fabulista, imprimindo à fábula grande refinamento.

http://pt.shvoong.com/books/mythology-ancient-literature

domingo, 6 de fevereiro de 2011

A flauta de Pã pelo mundo

Nessa postagem mostramos alguns dos tipos de flauta de Pã ou flauta pastoril encontradas em diversas culturas no mundo.

Flauta de Pã estilo romeno, instrumento folclórico muito utilizado

Flauta de Pã ou Flauta de Amolador é um instrumento com grandes tradições em Portugal. O amolador fazia-se anunciar ao som da sua flauta, correndo a escala musical, do grave para o agudo e vice-versa, com uns floreados pelo meio. Era a publicidade da época. Porque além de amolar facas, "tisoiras" e consertar panelas, ele também arranjava guarda-chuvas. O povo da aldeia, quando ouvia ao longe o som da sua flauta de Pã, dizia: vai chover!

Na Birmânia é um dos instrumentos populares mais importantes, onde é conhecido por "naúre". Na Romênia, a flauta Pã é disposta em curvatura (função ergométrica) e sua base (sapata) é feita em madeira de lei. Na Oceania a flauta é conhecida por didgeridoo.

Nos países andinos a flauta de pã é conhecida como "siku" pela comunidade Aymará, de "antara" pelos Quechuas e "zampoña" pelos espanhóis. Existem vários tipos, tamanhos, notas, tipos de canas, dependendo da localidade onde é construída a flauta de Pã: no Peru existem flautas com até 2 metros de altura.

Flauta de Pã andina: conhecida por "siku", "antara" ou "zampoña"

Os "sikus" mais originais ou "puros" são tocados em escala pentatônica. Existem uma característica comum de tocar o "siku" em par, isto é, tocando uma parte e alternando a escala com a outra parte sempre juntas. Essa partes são denominadas masculino e feminino, uma parte se chama "ira" que guia e a outra se chama "arka" que acompanha.

O termo "sikuri" é usado nas comunidades bolivianas para o tocador de "siku", e o termo "sikuriadas" ou "sikuriados", são temas melódicos tocados somente com os "sikus". Nos povoados andinos é comum encontrar essas "tropas" musicais que variam de cinco ou dez "sikuris" ou até mais.

No Equador, nas comunidades índigenas existe um parente próximo ao "siku" ou "zampoña", é o "rondador", flauta construída com canas bem finas enfileiradas, de 20 a 40 canas. Também tocado em escala pentatônica, muito utilizado em danças como "sanjuanito", "albazo", "longuita", "pasacalle", e outras.

Pã e Syrinx: surge a flauta de pã

Na sétima postagem sobre a flauta doce, narramos o mito de criação da flauta de Pã na antiga Grécia, um dos instrumentos de sopro utilizado pelo povo Paresí-Haliti ainda nos dias de hoje.

Pã, senhor dos bosques, segundo a mitologia greco-romana

Segundo a mitologia greco-romana, Pã é uma antiquíssima divindade pelágica especial à Arcádia, o guarda dos rebanhos que ele tem por missão fazer multiplicar. Deus dos bosques e dos pastos, protetor dos pastores, veio ao mundo com chifres e pernas de bode. Pã é filho de Mercúrio, o mensageiro dos deuses.

Cartas de tarô - Pã é representado como a figura do Diabo

A imagem mais conhecida de Pã é disseminada pelo cristianismo que, na Idade Média, o associou ao Diabo, muito popular ainda nos dias de hoje: o "pé-de-bode", o "chifrudo", o "capeta", "o cabeça-de-bode", o "tinhoso".

Mito de criação da flauta de Pã

Um dia percorria Pã o monte Liceu, segundo o seu hábito, e encontrou a ninfa Syrinx que jamais quisera receber as homenagens das divindades e que só tinha uma paixão: a caça. Aproximou-se dela, e como nos costumes campestres se vai imediatamente ao objetivo, sem nenhum artifício, sem nenhum desvio, disse-lhe: "Cedei, formosa ninfa, aos desejos de um deus que pretende tornar-se vosso esposo." (Ovídio).

Pã e Syrinx: mito que deu origem a flauta de Pã

Queria falar mais; mas Syrinx, pouco sensível àquelas palavras, deitou a correr, e já chegara perto do rio Ladon, seu pai, quando, vendo-a detida, rogou às ninfas, suas irmãs, que a acudissem. Pã, que lhe saíra no encalço, quis abraçá-la, mas em vez de uma ninfa, só abraçou caniços. Suspirou e os caniços agitados emitiram um som doce e queixoso.

O deus, comovido com o que acabava de ouvir, pegou alguns caniços de tamanho desigual e, unindo-os com cera, formou a espécie de instrumentos que se chama syrinx e que constitui a flauta de sete tubos, transformada em atributo de Pã.

A imagem de Pã utilizada pelo cinema: O Labirinto do Fauno

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

O Pífano: antigo instrumento de sopro brasileiro

Zabé na Loca - importante nome da música folclórica nordestina que se utiliza do pífano.

Pífano, pífaro e pife são a mesma coisa. Um instrumento de influência indígena feito de taboca, uma espécie de bambu, com sete orifícios, um para soprar e seis para dedilhar. Às vezes também são feitos de canos de PVC ou de canos de metal, mas não têm a mesma sonoridade nem a mesma beleza.

Existem duas maneiras tradicionais de tocar esse instrumento: em dueto (dois pífanos), acompanhado do ritmo da zabumba, pratos, caixa e contra-surdo, que são as famosas "Bandas de Pífanos"; e com o pífano solo acompanhado de sanfona, cavaquinho, violão de sete cordas, pandeiro e ganzá. No caso das bandinhas, os dois pífanos tocam em intervalos de terças, às vezes de quartas e em algumas passagens provocam dissonâncias incríveis.

Às vezes é difícil acreditar como um instrumento tão simples é capaz de produzir uma música tão rica e bela, animar festas, procissões e ainda ser o sustento de muitos músicos no nordeste. Geralmente, os tocadores fazem seus próprios instrumentos, e uma quantidade maior para vender em feiras e apresentações.

Indígenas Nhambikwara, de Sapezal, tocando flauta de bambú.

O som desses instrumentos influenciou muitos compositores e arranjadores brasileiros. Está marcado na música de Lenine, Quinteto Violado, Hermeto Pascoal, Xangai, Egberto Gismonte, Geraldo Azevedo, Naná Vasconcelos, Cascabulho, Orquestra Armorial, Antúlio Madureira, e recentemente na música de Carlos Malta.

Zé da Flauta (músico e produtor)
Fonte: www.terra.com.br/...01/.../ctudo-ze-pifano.html

Bandas de Pífano na cultura popular

A Banda de Pífano é um conjunto instrumental de percussão e sopro, dos mais antigos, característicos e importantes da música folclórica brasileira.

Banda de pífanos se apresentando na Feira de Caruaru

Historicamente o pífano remonta à época dos primeiros cristãos, que tinham no pífano, pifes ou pífora, uma maneira de saudar a Virgem Maria nas festas natalinas. Na feição nordestina a banda de pífanos é uma criação do mestiço brasileiro, que com sua criatividade e intuição musical adaptou o instrumental, dando-lhe a forma típica pela qual é conhecida no folclore brasileiro.

Por toda a região Nordeste do Brasil e nos estados de Minas Gerais e Goiás são usados várias termos para denominar o conjunto: Banda de Pífanos, Banda de Pife, Música de Pife, Zabumba, Cabaçal, Esquenta-Mulher, Banda de Negro, Terno, Banda de Couro (Goiás), Musga do Mato, Pipiruí ( Minas Gerais).

Assim como a sua denominação varia, a sua composição também tem sensíveis diferenças, mas seus instrumentos básicos são dois pífanos, um surdo, um tarol e um bombo ou zabumba.

Zé do Pife e as Juvelinas - importante grupo folclórico que utiliza o pífano

O pífano é o comandante da banda. É um instrumento semelhante à flauta, feito de taquara, uma madeira muito comum nas matas do sul de Pernambuco. É encontrado em três tamanhos: 65cm a 70cm, chamado Régua Inteiro, 50cm, oTrês Quartos e o de 40cm, Régua Pequena. O som do pífano muda de acordo com o tamanho. Cada pífano tem sete orifícios, sendo seis para os dedos e um para os lábios (sopro). O segredo, tanto da confecção quanto da execução do pífano, é passado de pai para filho.

Os componentes das bandas são, na sua maioria, trabalhadores rurais que se ocupam da agricultura de subsistência, trabalhando no "alugado", ou cultivando sua pequena roça. Reúnem-se antes de cada apresentação e repassam o repertório. Não têm formação musical e tudo o que tocam é de ouvido.

Entre as músicas mais executadas estão Asa Branca, Valsa, Mulher Rendeira, A Briga do Cachorro com a Onça, Sabiá, Guriatã de Coqueiro, A Ema Gemeu no Pé do Juremá, entre outras. Há várias bandas de pífanos pelo Nordeste, mas uma das mais conhecidas é a de Caruaru, fundada pelos irmãos Biano, Sebastião e Benedito, em 1924, que já tocou até para Lampião em Tacaratu, quando o cangaceiro foi pagar uma promessa.

Lúcia Gaspar
Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco
Fonte: pesquisaescolar@fundaj.gov.br

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Uirapuru: o flautista da floresta

Na quinta postagem sobre a flauta doce, temos no folclore brasileiro a Lenda do Uirapuru, pássaro que canta maravilhosamente, e seu canto é semelhante ao som da flauta.

Uirapuru, pássaro mágico cujo canto é semelhante à flauta

Certo jovem, não muito belo, era admirado e desejado por todas as moças de sua tribo por tocar flauta maravilhosamente bem. Deram-lhe então o nome de Catuboré, (flauta encantada).

Entre elas, a bela Mainá conseguiu o seu amor; casar-se-iam durante a primavera. Certo dia, já próximo do grande dia, Catuboré foi à pesca e de lá não mais voltou. Saindo a tribo inteira à sua procura, encontraram-no sem vida à sombra de uma árvore, mordido por uma cobra venenosa.

Sepultaram-no no próprio local. Mainá, desconsolada, passava várias horas a chorar sua grande perda.

A alma de Catuboré, sentindo o sofrimento de sua noiva, lamentava-se profundamente pelo seu infortúnio. Não podendo encontrar paz pediu ajuda ao Deus Tupã. Este então transformou a alma do jovem no pássaro Irapuru, que mesmo com escassa beleza possui um canto maravilhoso, semelhante ao som da flauta, para alegrar a alma de Mainá.

O cantar do Irapuru ainda hoje contagia com seu amor os outros pássaros e todos os seres da Natureza.



Fontes: http://singrandohorizontes.wordpress.com/2010/05/17/folclore-indigena-irapuru-o-flautista

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

A Flauta Mágica: ária da Rainha da Noite

A Flauta Mágica: iniciação na filosofia iluminista

A Rainha da Noite - ária da ópera "A Flauta Mágica", de Mozart

Die Zauberflöte (A Flauta Mágica, em alemão) é uma ópera em dois atos de Wolfgang Amadeus Mozart, com libreto alemão de Emanuel Schikaneder. Estreou no Theater auf der Wieden em Viena, no dia 30 de setembro de 1791.

Emanuel Schikaneder era companheiro de loja maçônica de Mozart. À época, por influência da Revolução Francesa, a maçonaria adquiria simpatizantes ao mesmo tempo que era perseguida. A ópera mostra a filosofia do Iluminismo pregada pela maçonaria. Algumas de suas árias tornaram-se muito conhecidas, como o dueto de Papageno e Papagena, e as duas árias da Rainha da Noite.

Os conceitos de liberdade, igualdade e fraternidade da Revolução Francesa transparecem em vários momentos na ópera, por exemplo quando o valor de Tamino, protagonista da história, é questionado por ser um príncipe, e que por tal motivo talvez não conseguisse suportar as duras provas exigidas para entrar no templo. Em sua defesa, Sarastro responde: "mais que um príncipe, é uma pessoa".

Ilustração moderna do conto "A Flauta Mágica", de Wolfgang Amadeus Mozart

Contexto histórico

A Flauta Mágica foi produzida no séc. XVIII, período histórico em que a linha de pensamento do homem sofria uma mudança radical através do Iluminismo, ideologia que defendia o fim das superstições medievais cultivadas pela Igreja durante a Idade Média e a valorização de uma visão de mundo racional, em que a sabedoria aparece como única possibilidade de justiça e igualdade entre os homens, o que imediatamente coloca em xeque as relações de poder e subordinação da sociedade da época e a legitimidade dos aristocratas e das tiranias.

Nesse contexto, A Flauta Mágica se apresenta como uma ópera de formação e como uma alegoria para as provações pelas quais o homem precisa passar para sair das trevas do pensamento medieval em direção da luz iluminista. Assim, as principais personagens Tamino e Pamina enfrentam os obstáculos impostos pelos membros do Templo da Sabedoria para juntos, ao final da ópera, encontrarem a realização plena e a união ideal.

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Die_Zauberfl%C3%B6te

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Flautista de Hamelin: a flauta doce no folclore

Na segunda postagem sobre a flauta doce, vamos descrever uma das histórias infantis em que a flauta aparece como instrumento mágico.

Ilustração antiga para "O Flautista de Hamelin"

É do inglês Robert Browning a mais famosa recriação da história do Flautista de Hamelin, um conto que cedo ou tarde aparece em nossa infância. O poema de Browning é brilhante; melhor ainda é o acontecimento misterioso que jaz por trás dele, talvez um episódio histórico, talvez uma “lenda urbana” da Idade Média. Teria acontecido no século 13 ou 14: o relato colhido pelos Irmãos Grimm fala em 26 de junho de 1284, mas o poema de Browning situa o fato em 22 de julho de 1376.

A cidade de Hamelin foi vítima de uma praga de ratos. As autoridades não sabiam mais o que fazer. Surgiu na cidade um sujeito que se apresentou como pegador-de-ratos (“Rattenfänger”), que era uma profissão informal muito comum na época. Tocando numa flauta, ele atraiu os ratos da cidade até o rio, onde todos se afogaram. Ao tentar receber o pagamento combinado, o prefeito recusou-se a pagar.

Ele pegou a flauta, tocou outra música e atraiu todas as crianças da cidade, levando-as até uma montanha próxima, onde uma caverna misteriosa se abriu para que todas entrassem. E nunca mais ninguém teve notícias do Flautista ou das crianças.

Ilustração moderna para o conto "O Flautista de Hamelin"

Origens do Conto

As crônicas históricas dizem que o episódio original envolveu apenas as crianças, e o extermínio dos ratos só foi anexado ao enredo alguns séculos depois. A lenda é uma dessas que crescem por justaposição de novos episódios a um episódio inicial.

A cidade de Hamelin vive ainda hoje dessa lenda; durante o verão, uma peça de teatro é montada ao ar livre para os turistas, todos os domingos. A cidade é cheia de estátuas, vitrais e monumentos recordando o Flautista.

Mas Hamelin não é a única. Brandenburgo conta a história de um tocador de realejo que levou as crianças da cidade para dentro de uma montanha; parece ser uma mera transposição de local, e não uma nova lenda. Outra lenda diz que na cidade de Erfurt, em 1257, cerca de mil crianças se agruparam no centro da cidade, cantando e dançando, e partiram assim estrada afora, até chegarem em Arnstadt, onde foram recolhidas até que seus pais as trouxessem de volta.

História parecida com a de Hamelin é contada em Korneuburg, na Áustria, onde as crianças foram levadas num navio e vendidas como escravos em Constantinopla. Algumas versões dizem que a montanha onde as crianças sumiram (o monte Poppenberg) tinha um túnel que ia dar na Transilvânia, e elas passaram o resto da vida lá.

Episódios reais (pragas de ratos, a “Cruzada das Crianças”) podem ter servido de origem para a lenda, mas sua longevidade se deve sem dúvida a sua lição moral nítida (castigo pelo não-pagamento de um acordo), ao cruel nivelamento entre ratos e crianças, ao poder mágico da música, à figura arlequinal e enigmática do Flautista (que geralmente é descrito como vestindo uma roupa de faixas vermelhas e amarelas).

O final em suspenso, com uma pergunta que não é respondida ao longo dos séculos (para onde foram as crianças?) garante à lenda um mistério inesgotável.

http://universofantastico.wordpress.com/2008/10/11/o-flautista-de-hamelin/– por Bráulio Tavares

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Ninho do Sol oferece Oficina de Flauta Doce

Não se sabe exatamente quando foi inventada a Flauta Doce, mas sabe-se que ela é um dos instrumentos musicais mais antigos criados pelo Homem.

Uma das ilustrações mais antigas em que aparece a flauta doce

Procurando dinamizar as ações do Ponto de Cultura Ninho do Sol e potencializar os "saberes e fazeres" do Teatro Ogan e seus integrantes, será oferecida neste ano de 2011 a Oficina de Flauta Doce, com o oficineiro voluntário Eduh Gevizier, integrante do grupo.

Iniciamos agora uma sequência de postagens sobre a flauta doce para que se conheça melhor esse instrumento musical que é considerado um dos mais antigos do mundo. Também porque o Ponto de Cultura Ninho do Sol tem em suas diretrizes o trabalho com a cultura indígena Paresí-Haliti, que possui em suas tradições e história relação direta com o instrumento musical na Tradição das Flautas Sagradas.

Músico da Idade Média tocando flauta

Origens

A flauta doce é um instrumento de sopro direto, onde o som é produzido por um bocal contendo um apito, e um tubo cônico ou cilíndrico contendo diversos furos.
A origem deste instrumento está nos antigos instrumentos folclóricos que ainda podem ser encontrados em diversas partes da Europa hoje. No seu princípio, em tempos mais remotos, ela era feita de bambu, de madeira (torneado), mas só na Idade Média é que ela aparece em velhas pinturas, murais, mosaicos, e etc.

A história da flauta doce está ligada à origem do seu nome em inglês: RECORDER, que vem do latim RECORDARI que significa lembrar, recordar, trazer à memória. Em italiano a palavra RICORDO também significa lembrança, memento; e daí, talvez a primeira referência à flauta doce num livro de contas do Rei Henrique IV em 1388 por pagar uma "fístula nomine ricordo" (uma flauta chamada ricordo).

Na Renascença, ela pouco foi modificada. No período que compreende entre o final do séc. XVII e o começo do séc. XVIII é o momento em que a flauta doce atinge o seu apogeu. Muitos compositores escreviam para o instrumento e muitos construtores se especializavam na sua fabricação, o inventário do Rei Henrique VIII (1547), mostra-nos que ele possuía diversos instrumentos em seus palácios, entre eles 72 flautas transversais e 76 flautas doces, a maioria, conjuntos em caixas, que incluía, por exemplo, uma grande baixo de madeira e várias flautas de marfim.

Durante um século e meio a flauta doce constou somente na história dos instrumentos musicais. Por volta do final do séc. XIX alguns músicos, através de suas pesquisas em música antiga e instrumentos, voltaram a ter contato com a família das flautas doces. Coube a um inglês chamado Arnold Dolmetsch (1858-1940) esse renascimento. Como resultado de muita pesquisa ele conseguiu construir um quarteto de flautas doces e tocá-las com sua família num concerto histórico no Festival Haslemere em 1926. Seu filho Carl se tornou um virtuoso no instrumento e elevou-o a um nível de alta interpretação.

Foi, entretanto no período Barroco, que grandes músicos passaram a compor obras especialmente para serem executadas na Flauta Doce. Compositores como: Johann Mattheson (1684-1764), Georg Phillip Telemann (1681-1767), Antonio Vivaldi (1678-1741), Alessandro Scarlatti (1659-1725), Johann Sebastian Bach (1685-1750), e outros.

Alguns modelos de Flauta Doce:
Sopranino em Fá ( F )
Soprano em DO ( C ) a mais conhecida.
Contralto em FA ( F )
Tenor em DO ( C )
Baixo em FA ( F )


Como diferenciar a Flauta Doce Soprano GERMÂNICA da BARROCA

Na Germânica o 5º furo é menor, sendo que na Barroca o menor é o 4º furo (normalmente a Barroca tem um B gravado atrás). Existem flautas Germânicas e Barrocas de 08 e de 10 furos, sendo que as flautas com 10 furos tem o 6º e o 7º furos duplos (os furos são contados a partir do bocal).

Pesquisa: Ailton Rios (Agosto/2008)
Fonte: http://www.ailtonrios.com.br/flauta.php