domingo, 19 de setembro de 2010
"Setembro Freire" inicia nesta segunda, em Cuiabá
Nesta segunda-feira, dia 20 de setembro, estará aberto o Circuito Cultural Setembro Freire, às 19h, no Pavilhão das Artes, Palácio da Instrução, ao lado da catedral, em Cuiabá-MT.
Serão 38 artistas interpretando 13 poemas de Silva Freire para performances em teatro, dança, gastronomia, vídeo, esculturas, fotografias, instalações e obras plásticas. Dj Faraz comandará a comemoracão.
Venha participar deste circuito cultural, um momento de grande importância para o mercado cultural matogrossense. O Circuito Cultural Setembro Freire tem entrada franca.
sábado, 18 de setembro de 2010
Programação do Curso "Diálogos - Museu em Mato Grosso"
INFORMAÇÕES:
Dia: 25/09/2010
Horário: 07h30 às 11h30 – 13h30 às 17h30
Local: Plenário da Câmara de Vereadores de Campo Novo do Parecis
Carga horária: 08 horas, com certificado
Ministrante: Maria Antúlia Leventi
EMENTA:
Museu, Museologia e Museografia. A importância da documentação museográfica. Documentação e pesquisa nos museus. Processamento técnico, preservação e gestão da informação. A construção de bases de dados. Sistemas informatizados disponíveis no Brasil para tratamento de informações. Inventário e catalogação. A construção de redes de informação. Política de documentação: da aquisição ao descarte.
Visita ao Museu Histórico de Rosário Oeste
PROGRAMA:
Embasamento teórico
Apresentação
Museu, Museologia e Patrimônio: um breve histórico
O que é um museu
Os museus no Brasil
O que é Patrimônio
O processo museológico (funções básicas dos museus)
Os museus na atualidade
Documentação em museu
O que é documentação
O que é documento
Documentação em arquivos, bibliotecas e museus
Documentação em Ciência da Informação
Objetivos da documentação
Conhecimentos específicos
Aquisição de acervo
Ética de aquisição
A coleção: aberta ou fechada
Formas de aquisição
Política de aquisição
Registro e sistematização das informações
Levantamento do acervo
Classificação
Sistema de numeração
Marcação dos objetos
Inventário
Fichas de controle;
Nomenclator.Z
Uso e disseminação das informações
Prática
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
Série Lendas e Mitos Paresí-Haliti – Lenda do Pai-do-Mato
Quem nunca ouviu falar da Lenda do Pai-do-Mato. Uma das mais comuns e importantes, principalmente nas regiões Nordeste e Centro-Oeste do Brasil. O que as pessoas talvez não saibam é que esta lenda possui uma versão bastante interessante dentro da cultura dos índios Paresí-Haliti.
A primeira descrição da Lenda do Pai-do-Mato, entre estes indígenas, data do início do século XX, mais precisamente 1912, e foi feita pelo pesquisador Roquette-Pinto, em uma série de publicações e gravações (utilizando o dictaphone) e denominada “Ualalocê”. Roquette-Pinto foi um dos pioneiros no desvendamento e registro da tradição Haliti.
Quem também citou o Pai-do-Mato como figura lendária entre os Haliti foi o poeta modernista Mário de Andrade, que usou como base os escritos e sons de Roquette-Pinto. Mário de Andrade, entretanto, se aprofundou no assunto e argumentou a relação da lenda com questões de sexualidade e iniciação das jovens indígenas desta etnia.
A seguir um trecho da citação do poeta Mário de Andrade:
“A moça Camalalô
Foi no mato colher fruta
A manhã fresca de orvalho
Era quase noturna.
- Ah...
Era quase noturna...
Num galho de Tarumã
Estava um homem cantando,
A moça sai do caminho
Pra escutar o canto...
Enganada pelo escuro
Camalalô fala pro homem:
- Homem Ariti, me dá uma fruta que eu estou com fome.
- Ah...
Estava com fome...
O homem rindo falou:
- Zuimaalúti se engana,
Pensa que sou Ariti?
- Eu sou Pai-do-Mato!
- Era o Pai-do-Mato!”
Na Música:
Em 1930, Villa-Lobos apresentou o Pai-do-Mato, Ualalocê e Kamalalô no Rio de Janeiro. Villa-Lobos usou o poema de Mário de Andrade como referência para a composição, bem como as gravações de Roquette-Pinto, feitas em cilindros de cera há quase um século.
Da Série Lendas e Mitos Paresí-Haliti
É Cultura? Tá no Ponto!
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
Missão Jesuíta de Utiariti será o foco do “História no Ponto” em Campo Novo do Parecis
As ruínas da Missão Jesuítica Utiariti, às margens do rio Papagaio, na divisa dos municípios de Campo Novo do Parecis e Sapezal, possuem quase oito décadas de história envolvendo diversas etnias indígenas da região e a Igreja Católica.
No local, foi construído um complexo de prédios a partir de 1930, incluindo a primeira escola indígena de Mato Grosso. A grosso modo, a cultura e as crenças do ‘homem branco’ foram impostas aos índios durante mais de 40 anos.
Clique aqui e leia esta e outras matérias do Ninho do Sol no site do Balaio de Histórias!
No local, os indígenas de etnias como Paresí-Haliti, Manoki e Nhambikwara aprendiam com os professores jesuítas a Língua Portuguesa, além de várias profissões em oficinas montadas na escola.
Diz-se que enquanto os índios mais fortes retiravam a madeira na floresta, os mais jovens aprendiam a fazer móveis, como cadeiras, mesas, armários e camas.
Levantamentos feitos por estudiosos informam que havia também uma oficina onde era ensinada a profissão de eletricista. Na vila havia até uma máquina de beneficiar arroz.
O vai-e-vem de índios entre as aldeias da região era grande. Talvez, por causa disso, anos mais tarde, os jesuítas decidiram manter somente as crianças em regime de internato. Esse modelo de catequização durou até 1972, quando o complexo foi desativado.
O índio Haliti Valdomiro Yamoré, da aldeia Vale do Papagaio, chegou à sede da Missão Jesuíta em 1955, aos seis anos, vindo da Aldeia Água Limpa, terra onde hoje fica uma grande fazenda no município de Campo Novo do Parecis.
"Eu estava muito doente, com sarampo, e as irmãs cuidaram de mim", conta Yamoré que passou sete anos na sede da missão.
As ruínas ficam na área da aldeia Utiariti, dentro da reserva Tirakatinga, dos índios Nhambikwara, entretanto, não há ninguém vivendo especificamente na sede da missão, apesar das belezas naturais e da importância histórico-cultural.
A poucos metros do que restou das estruturas de concreto “levadas pelo não-índio em lombos de jumento”, pode-se ver o Salto Utiariti, uma cachoeira com queda d’água de aproximadamente 100 metros de altura.
Tal salto é propício para a prática de esportes radicais como o rapel.
Apesar de o local ter importância turística evidente, os potenciais pouco têm sido explorados. Desde 2007, os índios reivindicam a atenção do Estado para a exploração do turismo no local.
Série Lendas e Mitos Paresí-Haliti- O Mito da Morte
De acordo com os anciãos, Zoetete eram dois homens que depois de velhos se transformaram em seres diferentes e místicos (Pajés). Eles podiam ver os deuses (Enoré) e tinham a capacidade de curar as pessoas tirando o feitiço que causavam suas doenças.
Em seu caminho para a aldeia dos mortos o espírito do morto deve atravessar uma pinguela de cobra sucuri, enquanto Zoetete espera do outro lado do córrego.
Se o espírito tiver feito muita coisa ruim durante a vida, ao atravessar a pinguela, a sucuri se mexe e ele tem de retornar para a margem do córrego. Se isso acontecer o Zoetete terá que atear fogo no espírito para as coisas ruins irem embora, e então ele atravessará a pinguela e a sucuri não se mexerá e Zoetete o levará para a aldeia dos mortos.
A aldeia dos mortos é uma réplica da aldeia dos vivos diferenciando-se apenas no fato de que lá estão suspensas as proibições do incesto.
Cada grupo Paresí-Haliti tem um lugar próprio na terra, uma aldeia para a morada depois da morte. Os Wáimare vão para um lugar denominado Zolohoiaka e os Kazárini vão para um outro lugar chamado Kalokaré.
Quando chega à aldeia dos mortos o espírito vira um Halíti de novo e ganha uma família igualzinha a que tinha antes de morrer. Deve ficar recluso dentro da casa e os Halíti lhe darão remédios e comida até que ele fique curado da doença que o matou.
Depois ele poderá se casar com quem quiser, fazer roça e pescar.
Da Série Lendas e Mitos Paresí-Haliti
É Cultura? Tá no Ponto!
Programação do "História no Ponto" no Ninho do Sol
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
Série Lendas e Mitos Paresí-Haliti – O Mito de Criação

Após uma extensa pesquisa utilizando várias fontes de informação encontrei a versão que, na minha opinião, é mais ampla e melhor condiz com a realidade deste povo que habita a vastidão do Chapadão do Parecis.
Mito de Criação
"Antigamente não existia ninguém, só Enoré, que tinha uma filha e um filho. Quando seus filhos foram buscar água para ele, escutaram um barulho e a terra estremeceu.
Eram os Paresí-Haliti querendo sair de dentro de uma rocha nas proximidades de uma ponte natural de pedra, localizada no Rio Sucuruína.
O primeiro Paresí estava ali, dançando com as flautas sagradas, até que um pequeno pássaro voou para fora da pedra por uma fenda, retornando mais tarde para dizer aos outros como era bonito lá fora.
Então Wazáre, o herói mítico, persuadiu vários pássaros e animais para que aumentassem a fenda para que todos pudessem sair. Um grupo de irmãos saiu do interior da terra por uma abertura na rocha, transportando-se do mundo subterrâneo onde vivia para outro, situado acima, que viria a constituir-se no mundo Haliti.
Esses irmãos contribuíram, de formas diversas, para a conformação desse mundo. Eram eles: Wazáre, Kamazo, Zakálo, Zalóya, Zaolore, Kóno, Tahóe, Kamaihiye.
O primeiro a sair foi Wazáre, o mais velho dos irmãos, que orientou a saída dos mais novos e cuidou de sua instalação em diversos locais do novo mundo que descortinavam.
O mito revela que esse mundo existia antes de Wazáre chegar, mas que foi por seu intermédio que pode ser apreendido cognitivamente e, portanto, habitado pelos Halíti. As cabeceiras, os rios, os pássaros, as árvores e as flores estavam lá, mas foi Wazáre quem as denominou.
Quando saíram da pedra, os irmãos tinham uma aparência singular: eram peludos, possuíam rabos, tinham dentes compridos e membranas entre os dedos das mãos e dos pés sugerindo que estivessem em um estado “quase humano”.
Acontecimentos diversos ocorreram para a transformação da aparência dos irmãos, num processo gradativo que contou com o auxílio de seres do mundo animal (cutia, mutuca e formiga), que moldaram os corpos dos ancestrais para que atingissem a forma Halíti. Mas havia um homem, chamado Kuytihoré, que não arrancou todos os seus pelos corporais. Este homem era rico: tinha gado, cavalos e ferramentas de aço, que ofereceu para compartilhar com Wazáre.
Ele deixou Wazáre zangado, e este disse: “eu não quero gado, porque eles vão sujar o espaço em frente às casas dos meus filhos. Não quero ferramentas porque elas são envenenadas e vão matar meus filhos. Vocês vão para o outro lado da ponte de pedra, e não se misturem com os Paresí”. Kuytihoré foi para longe e ficou com os brancos e teve muitos filhos.
Ao final do processo de transformação, os irmãos saídos da pedra se tornaram aptos a manter relações sexuais e procriar. Wazáre e seus irmãos encontraram as filhas do rei das árvores (Atyáhiso) e com elas se casaram.
Essas, por sua vez, também não se encontravam completas, isto é, seus corpos não estavam prontos para copular e conceber. O processo de “humanização” das mulheres se fez através dos maridos, que detinham os instrumentos necessários para torná-las “halóti” (ser humano do sexo feminino).
Utilizando-se de um dente de paca, os homens modelaram a vagina das mulheres, tornando-se seus criadores. As mulheres também participaram da “humanização” dos seres míticos, uma vez que foram elas que ordenaram às mutucas que modificassem o órgão sexual masculino, de forma a adequá-lo ao tamanho de suas vaginas.
Os frutos destas uniões foram os halíti Kozárini (filhos de Kamázo), os Kazíniti (filhos de Záolore), os Warére (filhos de Kóno), os Káwali (filhos de Tahóe) e os Wáimare (filhos de Zákalo e Zalóya). Wazáre não gerou filhos e Kamaihíye também não deixou descendentes; os Wáimare são filhos de dois irmãos que mantiveram relações sexuais com a mesma mulher.
Os Kozárini, Kazíniti, Wáimare, Káwali e Warére nasceram “completamente humanos”, o que está claramente expresso na noção de Haliti (gente – gênero humano), que é aplicada para a totalidade de seus descendentes. Wazáre destinou a cada irmão um território determinado, dando surgimento a grupos sociais específicos".
Da Série Lendas e Mitos Paresí-Haliti
É Cultura? Tá no Ponto!
Ponto de Cultura Ninho do Sol recebe o "História no Ponto"
O projeto História no Ponto é realizado pela Revista de História da Biblioteca Nacional em parceria com a Secretaria de Programas Culturais do Ministério da Cultura, e estará acontecendo em Campo Novo do Parecis de 23 a 25 de setembro de 2010.
Além do envio mensal da maior publicação sobre história do Brasil em circulação para a sede de 1.000 pontos de cultura, doze Pontos de Cultura (veja "Os Pontos" abaixo) realizarão um evento, que inclui um debate com um historiador convidado pela Revista a falar sobre algum tema relevante ao passado e ao presente da localidade do Ponto de Cultura.
Cada Ponto também terá a oportunidade de realizar apresentações artísticas e mostrar seus trabalhos para o público do evento.
O objetivo é proporcionar um diálogo entre saberes, promovendo um entrelaçamento destas diversas histórias, sejam acadêmicas ou populares, escrita nos livros ou cantada por mestres da cultura oral.
Com o objetivo de fortalecer e disseminar a diversidade do programa dos Pontos de Cultura, tanto em seus aspectos históricos, como também étnicos e sociais, a equipe do projeto irá gravar durante os eventos nos Pontos depoimentos de personagens importantes que reúnam histórias das regiões. Estas histórias serão a matéria-prima para o resgate e a valorização destes saberes na rede mundial de computadores.
Pretende-se estimular o conhecimento crítico sobre o passado e as dinâmicas da História, mostrando que a disciplina não está vinculada apenas a formas mnemônicas de apreensão de conteúdos, mas é também uma ciência viva que investiga o passado, que emprega práticas e métodos específicos para sua produção e que é capaz de incentivar reflexões críticas sobre os eventos do cotidiano.
O projeto permitirá ainda o debate, a reflexão e a difusão das diferentes tradições locais que constituem o Brasil. Trata-se de um utensílio cultural de enorme valor para se somar à contribuição que os Pontos de Cultura vem prestando às comunidades e ao enriquecimento da criação cultural no país.
"Os Pontos"
Quintal da Aldeia - Pirenópolis/Go
terça-feira, 14 de setembro de 2010
Série Lendas e Mitos Paresí-Haliti – A Lenda do Milho
Ainotarê ordenou que o filho, logo após seu falecimento, o enterrasse no meio da grande roça que tinha perto da Haty (habitação tradicional dos Haliti). O chefe também avisou ao filho que, pouco tempo depois, nasceria na sepultura uma planta repleta de sementes.
Porém, Ainotarê advertiu que, três dias depois da grande inundação da chuva, brotaria de sua cova uma planta que, algum tempo depois, rebentaria em sementes. E disse-lhe que não as comesse, sim guardasse-as para a replanta, e assim, a tribo ganharia um recurso alimentar precioso.
O filho ouviu suas explicações atentamente e seguiu suas instruções.
Assim surgiu o milho entre os índios Paresí-Haliti, que habitam a região do Chapadão do Parecis.
Por Clemente Brandenburger, Lendas dos Nossos Índios, 33, Rio de Janeiro, 1931.
Da Série Mitos e Lendas dos Índios Paresí-Haliti
É Cultura? Tá no Ponto!
Projeto Cultural "Olhares Indígenas" oferecerá capacitações em fotografia e vídeo

Modos de viver Haliti: aspectos que serão registrados nas oficinas
O Projeto Cultural “Olhares Indígenas”, de proposição de Enoch José Pereira, pretende capacitar, preservar, promover e divulgar a cultura indígena Paresí-Haliti, de inestimável importância científica e cultural na região noroeste de Mato Grosso.
Estas ações serão executadas por meio de oficinas de capacitações de jovens indígenas e não-indígenas em fotografia e vídeo, organização de uma exposição fotográfica e exibição das produções em uma mostra de vídeo.
O Projeto Cultural “Olhares Indígenas” pretende envolver 14 jovens indígenas de 17 a 29 anos, conforme edital, selecionados pelas lideranças das aldeias envolvidas, e 10 jovens não-índios, selecionados pelo Conselho Municipal de Cultura, num processo de integração e respeito entre culturas, conforme segue:
• 14 indígenas (dois de cada aldeia) das aldeias Seringal, Quatro Cachoeiras, Bacaval, Bacaiuval, Sacre II, Ponte de Pedra e Chapada Azul.
• 10 jovens não-índios do município de Campo Novo do Parecis.
Celebrações, comidas, bebidas, cantos e danças serão registrados em fotografias e vídeo
A Oficina de Fotografia e a Oficina de Vídeo serão ministradas por profissionais com reconhecida capacidade na área, que darão as noções necessárias para que os jovens indígenas e não-indígenas possam registrar aspectos relevantes de suas aldeias: as hátis (casas tradicionais), vestimentas, artesanato (arte plumária, cestaria, armas de caça e pesca, bola de látex da mangaba), pintura corporal, comidas típicas, danças, cantos, jogos, festas.
A Oficina de Fotografia e a Oficina de Vídeo também permitirá o registro de locais de importância histórica, cultural, turística e ambiental do município de Campo Novo do Parecis e região:
• Cidade de Pedra e Ponte de Pedra – locais com formações rochosas em pleno cerrado, cachoeiras e uma ponte natural de pedra; local sagrado de nascimento mítico do povo Haliti e de toda a humanidade;
• Salto Utiariti – cachoeira com 90m de queda, local de passagem de Mal. Rondon;
• Salto Belo – cachoeira com 40m de queda, local de atuação de Madre Tarcila e Pe. Arlindo Ignácio de Oliveira, personalidades históricas no período das Missões.
• Abrigos da Prainha e da Véia Péia – abrigos com inscrições rupestres de importância arqueológica nessa região.
• Quatro Cachoeiras – cachoeiras que dão nome a uma das aldeias da Terra Indígena Utiariti, local de celebração do Fogo Ancestral Indígena nos I Jogos Interculturais Indígenas de Mato Grosso e local de passagem da Tocha Pan-americana Rio 2007.
A Exposição Fotográfica e Mostra de Vídeo “Olhares Indígenas” pretendem envolver a classe estudantil, professores, universitários e toda a comunidade, as aldeias indígenas e os órgãos municipais, estaduais e federais na preservação deste patrimônio cultural regional por meio do seu conhecimento e valorização.
O projeto “Olhares Indígenas” pretende, especialmente, formar cidadãos conscientes de sua herança cultural com os objetivos de fortalecer as políticas públicas que permitam a valorização, gerenciamento e preservação do patrimônio imaterial com efetiva participação das populações envolvidas, fazendo com que as informações obtidas nestas ações sejam o que deveriam ser – um bem público – e, portanto, a serviço dessas sociedades.
Com informações de Enoch Pereira
Fotos Sílvia Schneiders
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
Série Lendas e Mitos Paresí-Haliti - A Lenda da Mandioca
Em prosa:
Conta a lenda dos índios Paresí-Haliti, que habitam a nossa região, que Zatiamare e sua mulher, Kôkôtêrô, tiveram um casal de filhos: um menino, o qual chamaram de Zôkôôiê e uma menina, Atiôlô.
O pai amava o filho e desprezava a filha. Se ela o chamava, ele só respondia por meio de assovios; nunca lhe dirigia a palavra. Atiôlô sofria muito com o desprezo do pai.
Desgostosa, Atiôlô pediu a sua mãe que a enterrasse viva, visto como assim seria mais útil. Depois de longa resistência ao estranho desejo, Kôkôtêrô acabou cedendo às súplicas da filha e a enterrou no meio do cerrado.
Porém, ali não pode resistir por causa do calor, e rogou que a levassem para o campo, onde também não se sentiu bem. Mais uma vez suplicou a Kôkôtêrô que a mudasse para outra cova, esta última aberta na mata, aí se sentiu à vontade.
Pediu, então, à sua mãe que se retirasse, recomendando-lhe que não volvesse os olhos quando ela gritasse. Depois de muito tempo gritou. Kôkôtêrô voltou-se rapidamente.
Viu, no lugar onde enterrara a filha, um arbusto muito alto, que logo se tornou rasteiro assim que se aproximou. Tratou da sepultura. Limpou o solo. A plantinha foi-se mostrando cada vez mais viçosa. Mais tarde, Kôkôtêrô arrancou do solo a raiz da planta: era a mandioca.
Que dela é tudo gostoso,
Nos conta os índios parecís
Das bandas de Mato Grosso.
Zatiame uma índia
De nome Kôkôrêtô,
O seu filho Zôcôiê
E a filha Atiôlô.
O pai amava o índio
Que era sua maravilha,
Porém nunca dirigiu a palavra
Para a índia sua filha.
Ela muito desgostosa
Por não ter esse carinho,
Queria ser enterrada viva
E para a sua mãe pediu.
Desejava ser útil aos seus
Assim falava Atiôlô,
E o seu pedido foi fazer
A mãe índia Kôkôrêtô.
Cedendo aos rogos da filha
Foi enterrada no cerrado,
Porém ali não pôde resistir
Porque o calor era danado.
Rogou que a levasse para o campo
Onde poderia sentir bem,
Mas no campo não deu certo
E tornou implorar também.
Mais uma vez pediu
A sua mãe Kôkôrêtô,
Que a enterrasse na mata
Que assim fez com muito amor.
Lá se sentiu à vontade
Que pediu a mãe que retirasse,
E que não volvesse seus olhos
Enquanto ela não gritasse.
Depois de muito tempo
Enfim, a filha gritou,
Para lá saiu correndo
A sua mãe Kôkôrêtô.
E onde enterrou a filha
Veja o que aconteceu!
Surgiu uma plantinha
Que na cova nasceu.
Um arbusto foi crescendo
Que rasteiro foi ficando,
Kôkôrêtô assim que viu
A sepultura foi limpando.
Limpou logo o solo
Que a plantinha viçosa,
Sustentada por uma raiz
Grande e maravilhosa.
Deu-se o nome de mandioca
A raiz daquela plantinha,
A filha ajudou os seus
Dando-lhes tapioca e farinha”.
Por Airam Ribeiro-Poeta de Cordel
Da Série Mitos e Lendas dos Índios Paresí-Haliti
É Cultura? Tá no Ponto!








