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segunda-feira, 22 de agosto de 2011

22 de agosto - Dia Nacional do Folclore

Entenda o que é folclore e conheça algumas lendas brasileiras


Iara, a Mãe d'Água, agrega tradições indígenas brasileiras e européias

Em 22 de agosto, o Brasil comemora o Dia do Folclore. A data foi criada em 1965 através de um decreto federal.

Folclore é o conjunto de todas as tradições, lendas e crenças de um País. O folclore pode ser percebido na alimentação, linguagem, artesanato, religiosidade e vestimentas de uma nação.

Segundo a Carta do Folclore Brasileiro, aprovada pelo I Congresso Brasileiro de Folclore em 1951, "constituem fato folclórico as maneiras de pensar, sentir e agir de um povo, preservadas pela tradição popular, ou pela imitação".


Saci pererê, mito que agrega elementos de Portugal, dos indígenas brasileiros e afrodescendentes

Alguns mitos e lendas que fazem parte do folclore:
Saci-Pererê
Boitatá
Curupira (ou Caipora)
Lobisomem
Mãe D'água, a Iara
Mula-sem-cabeça
Negrinho do Pastoreio

Para que serve?

O folclore é o modo que um povo tem para compreender o mundo em que vive. Conhecendo o folclore de um País, podemos compreender o seu povo. E assim conhecemos, ao mesmo tempo, parte de sua História. Mas para que um certo costume seja realmente considerado folclore, dizem os estudiosos que é preciso que este seja praticado por um grande número de pessoas e que também tenha origem anônima.

Qual a origem da palavra "folclore"?

A palavra surgiu a partir de dois vocábulos saxônicos antigos. "Folk", em inglês, significa "povo". E "lore", conhecimento. Assim, folk + lore (folklore) quer dizer ''conhecimento popular''. O termo foi criado por William John Thoms (1803-1885), um pesquisador da cultura européia que em 22 de agosto de 1846 publicou um artigo intitulado "Folk-lore". No Brasil, após a reforma ortográfica de 1934, que eliminou a letra k, a palavra perdeu também o hífen e tornou-se "folclore".

Qual a origem do folclore brasileiro?

O folclore brasileiro, um dos mais ricos do mundo, formou-se ao longo dos anos principalmente por índios, brancos e negros. Saiba mais:

Região Sul
Danças: congada, cateretê, baião, chula, chimarrita, jardineira, marujada.
Festa tradicionais: Nossa Senhora dos Navegadores, em Porto Alegre; da Uva, em Caxias do Sul; da Cerveja, em Blumenau; festas juninas; rodeios.
Lendas: Negrinho do Pastoreio, do Sepé Tiarajú do Boitatá, do Boiguaçú, do Curupira, do Saci-Pererê.
Pratos: churrasco, arroz-de-carreteiro, feijoada, fervido.
Bebidas: chimarrão, feito com erva-mate, tomado em cuia e bomba apropriada.

Região Sudeste
Danças: fandango, folia de reis, catira e batuque.
Lendas: Lobisomem, Mula-sem-cabeça, Iara, Lagoa Santa.
Pratos: tutu de feijão, feijoada, ligüiça, carne de porco. Artesanato: trabalhos em pedra-sabão, colchas, bordados, e trabalhos em cerâmica.


Minhocão do Pari, lenda dos ribeirinhos cuiabanos

Região Centro-Oeste
Danças: tapiocas, congada, reisado, folia de reis, cururu e tambor .
Festas tradicionais: carvalhada, tourada, festas juninas.
Lendas: pé-de-garrafa, Lobisomem, Saci-Pererê, Ramãozinho.
Pratos: arroz de carreteiro, mandioca, peixes.

Região Nordeste
Danças: frevo, bumba-meu-boi, maracatu, baião, capoeira, caboclinhos, bambolê, congada, carvalhada e cirandas.
Festas:: Senhor do Bonfim, Nossa. Senhora da Conceição, Iemanjá, na Bahia; Missa do Vaqueiro, Paixão de Cristo, em Pernambuco; romarias - destaca-se a de Juazeiro do Norte, no Ceará.


Bumba-meu-boi, tradição eurodescendente presente em todo o território nacional

Região Norte
Danças: marujada, carimbó, boi-bumbá, ciranda.
Festas: Círio de Nazaré (Belém), indígenas.
Artesanato: cerâmica marajoara, máscaras indígenas, artigos feitos em palha.
Lenda: Sumaré, Iara, Curupira, da Vitória-régia, Mandioca, Uirapuru. Pratos: caldeirada de tucunaré, tacacá, tapioca, pato no tucupi.

domingo, 20 de março de 2011

"Amure" e a Véia Péia, mágica contadora de histórias

Hoje comemoramos nosso dia, o Dia do Contador de Histórias. E é um prazer ser chamado assim. Meu nome é Van César, professor, graduado em Artes com Habilitação em Artes Plásticas e especialista em Literatura Infanto Juvenil e Ensino. Minha monografia de especialização foi na área do conto, especialmente o conto maravilhoso e o conto de fadas.

"Amure", espetáculo selecionado no Edital Microprojetos na Amazônia Legal

Assim como eu, o Teatro Ogan e o Ponto de Cultura Ninho do Sol têm um carinho especial por esses mágicos profissionais que encantam a todos com seu "carregamento de histórias", como bem disse Marina Colasanti em seu conto "Com sua voz de mulher", já postado neste blog.

Algumas boas experiências com a contação de histórias fazem parte do histórico do Teatro Ogan, a exemplo de "Feiurinha para Crianças", de Pedro Bandeira, espetáculo premiado em vários festivais no Estado.

Outras experiências foram os contos "Cinco ciprestes vezes dois" também de Marina Colasanti e recentemente o conto "O Baú das Histórias" de Gail E. Haley, narrado na primeira edição do Programa Balaco Baco, uma iniciativa do Ponto de Cultura Ninho do Sol, apresentado na Rádio Liberdade FM, que vai ao ar sempre aos sábados, das 11h30 às 13h.

A mais recente experiência do Teatro Ogan tem sido a montagem do espetáculo "Amure", em contação de histórias, que será apresentado no Fringe 2011 nos próximos dias 07 a 10 de abril, um evento que faz parte do Festival de Teatro de Curitiba (FTC), no Paraná.

A Véia Péia, que dá nome a um dos abrigos arqueológicos no Rio do Sangue

Sobre "Amure"

O espetáculo traz uma contadora de histórias, a Véia Péia, personagem que narra as lendas e mitos dos Paresí-Haliti através da história de Toni, um jovem indígena que tem a missão de resgatar os valores culturais de seu povo, numa viagem em busca de seu passado imemorial.

Nas palavras da Véia Péia:

'Venho de muito longe, minha criança
Venho da noite do tempo!
Meu destino é aqui e lá

Minha sina é vento
Meu lamento é canção
Meu alimento é um pedaço de biju
Oferecido por um dócil viajante
Com amor no coração

Venho de muito longe, minha criança
Para contar minha história até onde ela se tornou nossa.
Vou contar a história do meu povo, o dócil povo Haliti
Uma história dos índios Paresí que habitam o Chapadão inóspito e triste
Que habitam uma terra que foi chamada a muito tempo de Serra do Norte.

Contam os mais velhos que antigamente não existia ninguém, só Enorê...'


Assim começa uma viagem pelas mazelas que o povo Haliti passou, desde os dias atuais, a colonização, as Missões jesuíticas, a nova Marcha para o Oeste promovida por Mal. Rondon e o contato com os primeiros bandeirantes.

E essa velha conduzirá a todos nessa viagem, falando da beleza da Terra dos Parecis, rumo ao passado mítico, até o dia da criação do mundo na região de Ponte de Pedra, para ao fim revelar quem ela é.

E ela encerra as histórias:

'Você está ouvindo? É o som das flautas sagradas, que guardam a linguagem das serpentes, na Casa da Jararaca. Já está amanhecendo, e elas logo vão parar de tocar... É minha hora de partir!'

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Série Lendas e Mitos Paresí-Haliti – A Lenda do Milho

Imagem Ilustrativa

Sentindo que a morte se aproximava, Ainotarê, um grande chefe Paresí-Haliti, dos primórdios da etnia, chamou seu filho Kaleitoê.

Ainotarê ordenou que o filho, logo após seu falecimento, o enterrasse no meio da grande roça que tinha perto da Haty (habitação tradicional dos Haliti). O chefe também avisou ao filho que, pouco tempo depois, nasceria na sepultura uma planta repleta de sementes.

Porém, Ainotarê advertiu que, três dias depois da grande inundação da chuva, brotaria de sua cova uma planta que, algum tempo depois, rebentaria em sementes. E disse-lhe que não as comesse, sim guardasse-as para a replanta, e assim, a tribo ganharia um recurso alimentar precioso.

O filho ouviu suas explicações atentamente e seguiu suas instruções.

Assim surgiu o milho entre os índios Paresí-Haliti, que habitam a região do Chapadão do Parecis.

Por Clemente Brandenburger, Lendas dos Nossos Índios, 33, Rio de Janeiro, 1931.

Da Série Mitos e Lendas dos Índios Paresí-Haliti
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