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segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Espetáculo "Amure" levará aos palcos cultura indígena

Ponte de Pedra - Um dos locais míticos mais importantes do povo Paresí-Haliti
e um dos assuntos que serão abordados no espetáculo Amure

Espetáculo tem como proposta principal questionar o contato entre culturas, e a perda de uma pela outra.

O Espetáculo "AMURE” narra a história de Toni, um jovem indígena da etnia Paresí-Haliti. Num processo de aculturação, o jovem indígena é chamado a questionar a situação atual de seu povo, numa viagem rumo ao seu passado imemorial.

No processo de pesquisa (laboratório cênico) serão feitas entrevistas com pessoas de notório saber da etnia Paresí-Haliti acerca dos mitos, lendas e histórias de sua cultura. Também clippagem de matérias relacionadas à essa etnia em vários veículos de informação, a fim de constituir acervo para pesquisa a ser doado à Biblioteca Ninho do Sol.

O espetáculo “AMURE” dará um panorama geral da situação atual dos indígenas da etnia Paresí-Haliti, que vivem na Terra Indígena Utiariti, entre os municípios de Campo Novo do Parecis, Tangará da Serra e Sapezal. Também na Terra Indígena Ponte de Pedra, entre os municípios de Campo Novo do Parecis, Diamantino e Nova Maringá.

Essa etnia milenar é conhecida desde os anos de 1700, considerada por muitos pesquisadores como um povo pacífico, que tem sofrido desde o seu contato com o não-índio um processo crescente de aculturação, de perda de seus valores míticos, sociais, culturais.

“Dizem os mais antigos que os pajés Haliti são capazes de voar...”

O espetáculo “AMURE”, de autoria de Van César e Alexandre Rolim, está sendo montado baseado em documentos e pesquisas das mais diversas fontes. Um grande elenco e equipe técnica participarão do espetáculo “AMURE”.

O espetáculo trará inúmeras palavras na língua mãe dos Paresí-Haliti como forma de valorização de todos os aspectos culturais. Será apresentado em Campo Novo do Parecis e nos municípios de Tangará da Serra, Sapezal e Cuiabá.

Os figurinos e adereços confeccionados por indígenas dessa etnia serão anexados ao Projeto Memória do Ponto de Cultura Ninho do Sol, após as apresentações do espetáculo, assim como os registros resultantes das entrevistas, constituindo-se acervo do projeto.

Se não for pra me fazer voar...

O roteiro de “AMURE” está estruturado em 09 cenas, e a primeira delas narra o Chamado do Pajé, onde um jovem indígena descreve sua primeira visão do mundo espiritual e a missão que começa a se delinear.

Palco escuro, apenas um feixe de luz ilumina um jovem indígena vestido normalmente, com jeans e camiseta. Ele está ajoelhado, com o olhar parado, olhando o vazio.

Toni – Acordo em luz!
Acordo em cor!
Estou suspenso no nada, flutuando no vazio...

Eu poderia ter seguido minha vida normal de um jovem indígena desta terra, um jovem haliti que deixou sua wenakalaty, sua aldeia muito cedo para estudar em escola de imóti, de não-índio, de quem absorvi a língua, os costumes, o modo de vestir, de ser, de sentir.
Sentir...
Já não sinto o meu povo Haliti como meu.
Já não tenho o amor pelos rios, pela mata, pelo cerrado, pelos campos onde a seriema canta triste o seu cantar.
Já não sentia...
Agora sinto!
Sinto profundamente meus pés tocarem o chão... Sinto com cada fibra, com cada nervo, com cada fagulha de meu ser. Sinto cada folha seca que se despedaça a cada passo que dou rumo àquela árvore que se agiganta no meio da floresta.
Paro... Olho...
A árvore se parte em quatro, apontando direções – norte e sul, nascer e por do sol. Direções que devo seguir?
Sinto meus pés deixarem o chão...

Toni (grita) – Se não for pra me fazer voar, não tire meus pés do chão!

Estou envolto em luz... estou envolto em cor!
Estou suspenso no nada, flutuando no vazio...

No meio da árvore partida vejo um ninho. Nele um ovo – um grande ovo e junto, um pequeno pássaro cor de terra, cor de casca, cor de folha seca que olha para o ovo que se parte. De dentro dele sai um bebe que olha pra mim... Ele tem a idade de uma criança no olhar... Ele tem a idade do mundo na alma... Olho profundamente – ele é eu!

Ela chega suavemente e toca o rosto dele.

Miriã – Você foi chamado!

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Espetáculo "A Mesa", de Mitso Carrara "não aconteceu"

Espetáculo "A Mesa", de Nova Mutum

"Os Intiquentos Companhia de Teatro e Circo", de Nova Mutum, apresentou na noite de 22 de julho de 2010, no Anfiteatro do Centro Cultural de Tangará da Serra, o espetáculo ´A Mesa´, baseado no livro "O Concretismo Abstrato", de Alexandre Carrara, que também atua e dirige o espetáculo.

Segundo os atores Daiane Avlis e Mitso Carrara, o espetáculo propõe quebrar tabus e paradigmas do mundo moderno, levando ao enfrentamento o comportamento humano diante dos valores da vida. “Deboche, ironia, verdades e mentiras, o caos absoluto da mente. Um mundo de ilusões, de choques entre o que é certo e o que é errado, do que é triste e alegre”, sintetizam os atores, ao falar sobre o espetáculo que busca mostrar que o ser humano deve fazer suas escolhas, seguir sua própria vida, sem se deixar levar pelo concretismo abstrato do mundo dos outros.

O ator Alexandre Mitso Carrara, conhecido no meio artístico pelo seu acurado senso de criticidade direcionado a espetáculos teatrais, apresentou durante os 23 minutos de "A Mesa" uma sucessão de frases elaboradas que não atingiu o público presente.

A proposta de direção, incluindo a marcação de cena, a iluminação, o palco nú, os figurinos e principalmente a interpretação não trouxeram nenhuma novidade, resultando num espetáculo "quadradinho".

A idéia interessante de questionamentos que o espetáculo se propõe apresentar pode ser resumida numa grande interrogação que ficou para o público presente "O que ele quis dizer com isso?". Enfim, o espetáculo "não aconteceu".

Com informações do Diário da Serra.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Teatro Ogan aprova projeto no CMC

Ponte de Pedra, um "Jardim do Éden" em pleno cerrado matogrossense

O Conselho Municipal de Cultura encaminhou o projeto cultural "AMURE", proposição do Teatro Ogan, ao CEC - Conselho Estadual de Cultura para análise e aprovação. O projeto cultural concorre na 2ª edição do PROAC 2010 - Programa de Apoio à Cultura do estado de Mato Grosso, no Edital de Artes Cênicas - modalidade montagem de espetáculos.

Com uma proposta interessante de montagem, o espetáculo teatral "AMURE", de autoria de Van César e Alexandre Rolim, narra a história de um indígena da etnia Paresí-Haliti. Num processo de aculturação, o jovem indígena é chamado a questionar a situação atual de seu povo, numa viagem rumo ao seu passado imemorial.


A beleza e o colorido da atnia Paresí-Haliti

“Dizem os mais antigos que os pajés Haliti são capazes de voar...”

O espetáculo “AMURE” dará um panorama geral da situação atual dos indígenas da etnia Paresí-Haliti, que vivem na Terra Indígena Utiariti, entre os municípios de Campo Novo do Parecis, Tangará da Serra e Sapezal. Também na Terra Indígena Ponte de Pedra, entre os municípios de Campo Novo do Parecis, Diamantino e Nova Maringá.

Essa etnia milenar é conhecida desde os anos de 1700, considerada por muitos pesquisadores como um povo pacífico, que tem sofrido desde o seu contato com o não-índio um processo crescente de aculturação, de perda de seus valores míticos, sociais, culturais.

Apresentação durante os I Jogos Interculturais de Mato Grosso e passagem da Tocha Rio 2007

Este espetáculo tem como proposta principal questionar o contato entre culturas, e a perda de uma pela outra. Na história de um jovem indígena, será narrada a história de seu povo, desde o período atual até seu passado mítico. O espetáculo está sendo montado baseado em documentos e pesquisas das mais diversas fontes.

Ao todo serão 13 atores e equipe técnica que participarão do espetáculo. Durante o mesmo serão pronunciadas inúmeras palavras na língua mãe dos Peresí-Haliti e os figurinos e adereços também serão confeccionados por indígenas dessa etnia, como forma de valorização de todos os aspectos culturais.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Teatro Ogan envia projeto para o Proac 2010

Quatro projetos foram aprovados e selecionados pelo Conselho Municipal de Cultura de Campo Novo do Parecis e enviados para o Conselho Estadual de Cultura, onde irão concorrer ao Programa de Apoio a Cultura (Proac 2010). Os projetos foram analisados na tarde desta quinta-feira, 25.


De acordo com a presidente do Conselho, Sílvia Schneiders, os quatro projetos remetidos para a Secretaria de Estado de Cultura (Sec) são de áreas culturais distintas: Música; Artes Cênicas; Cultura Popular, Folclore e Artesanato e; Artes Integradas.

Na área da Música o projeto enviado é a VI Mostra Cerrado de Música, tendo como proponente o músico Walison Londero; nas Artes Cênicas o espetáculo teatral “Amure”, do Teatro Ogan; na Cultura Popular, Folclore e Artesanato o projeto PNEUART, proposto pelo artesão Revair de Matos e; Artes Integradas o projeto V Fest Folclore, proposto pela Prefeitura de Campo Novo.

Mostra Cerrado de Música
Em sua VI Edição, o evento é tradicional e agremia há vários anos artistas e bandas locais e regionais de renome estadual e nacional, promovendo uma troca de experiências entre eles. No evento são oferecidos cursos, workshops e oficinas.
Amure
O espetáculo teatral “Amure”, proposto pelo Teatro Ogan, tem como pano de fundo a cultura indígena da etnia Paresí-Haliti, habitantes milenares da nossa região. O grupo pretende sintetizar a história destes indígenas desde o seu surgimento até os dias atuais, mas de forma regressiva.

PNEUART
Este projeto tem como tema a reutilização de pneus, ou seja, o projeto tem tudo a ver com a preservação do meio ambiente e a relação do ser humano com o mesmo. Os proponentes pretendem viajar por várias cidades da região mostrando um trabalho de reciclagem desenvolvido aqui e ao mesmo tempo educar as pessoas para o assunto.

Fest Folclore
Evento realizado em anos anteriores, o Fest Folclore visa ser uma grande festa de integração entre as diversas áreas culturais manifestadas no município. A proposta é juntar em um único evento o VII Festival Parecis de Danças, IV Festival de Capoeira de Campo Novo do Parecis, a Feira Artesanal (com participantes de outros municípios da região), o Festival da Comida Típica; a Exposição de Artes, além de oferecer oficinas de Dança (Hip Hop, Siriri e Contemporânea) e Capoeira (Danças do Fogo e Maculelê), e shows regionais.