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sábado, 21 de março de 2015
Para refletir! - Experiência sobre Racismo
O que você faria se uma pessoa negra te pedisse para traduzir um texto para que ele pudesse entender pois não conhece a língua e esse texto fosse de conteúdo racista contra ele?
Uma falsa seleção para um comercial de TV coloca alguns lituanos nessa situação ao traduzir um texto racista para um negro que pediu isso por supostamente não entender muito bem a língua do país.
Vídeo bacana feito na Lituânia sobre o Racismo, tradução a pedido do meu amigo Budah do Uhull.com.br
quinta-feira, 20 de novembro de 2014
segunda-feira, 13 de maio de 2013
Dez maneiras de contribuir para uma infância sem racismo
Dez maneiras de contribuir para uma infância sem racismo, segundo o Unicef no Brasil:
01 - Não deixe de denunciar. Em todos os casos de discriminação, você deve buscar defesa no conselho tutelar, nas ouvidorias dos serviços públicos, na OAB e nas delegacias de proteção à infância e adolescência. A discriminação é uma violação de direitos.
02 - Proporcione e estimule a convivência de crianças de diferentes raças e etnias nas brincadeiras, nas salas de aula, em casa ou em qualquer outro lugar.
03 - Não classifique o outro pela cor da pele; o essencial você ainda não viu. Lembre-se: racismo é crime.
04 - Se seu filho ou filha foi discriminado, abrace-o, apoie-o. Mostre-lhe que a diferença entre as pessoas é legal e que cada um pode usufruir de seus direitos igualmente. Toda criança tem o direito de crescer sem ser discriminada.
05 - Textos, histórias, olhares, piadas e expressões podem ser estigmatizantes com outras crianças, culturas e tradições. Indigne-se e esteja alerta se isso acontecer!
06 - Eduque as crianças para o respeito à diferença. Ela está nos tipos de brinquedos, nas línguas faladas, nos vários costumes entre os amigos e pessoas de diferentes culturas, raças e etnias. As diferenças enriquecem nosso conhecimento.
07 - Valorize e incentive o comportamento respeitoso e sem preconceito em relação à diversidade étnico-racial.
08 - Muitas empresas estão revendo sua política de seleção e de pessoal com base na multiculturalidade e na igualdade racial. Procure saber se o local onde você trabalha participa também dessa agenda. Se não, fale disso com seus colegas e supervisores.
09 - Órgãos públicos de saúde e de assistência social estão trabalhando com rotinas de atendimento sem discriminação para famílias indígenas e negras. Você pode cobrar essa postura dos serviços de saúde e sociais da sua cidade. Valorize as iniciativas nesse sentido.
10 - As escolas são grandes espaços de aprendizagem. Em muitas, as crianças e os adolescentes estão aprendendo sobre a história e a cultura dos povos indígenas e da população negra; e como enfrentar o racismo. Ajude a escola de seus filhos a também adotar essa postura.
01 - Não deixe de denunciar. Em todos os casos de discriminação, você deve buscar defesa no conselho tutelar, nas ouvidorias dos serviços públicos, na OAB e nas delegacias de proteção à infância e adolescência. A discriminação é uma violação de direitos.
02 - Proporcione e estimule a convivência de crianças de diferentes raças e etnias nas brincadeiras, nas salas de aula, em casa ou em qualquer outro lugar.
03 - Não classifique o outro pela cor da pele; o essencial você ainda não viu. Lembre-se: racismo é crime.
04 - Se seu filho ou filha foi discriminado, abrace-o, apoie-o. Mostre-lhe que a diferença entre as pessoas é legal e que cada um pode usufruir de seus direitos igualmente. Toda criança tem o direito de crescer sem ser discriminada.
05 - Textos, histórias, olhares, piadas e expressões podem ser estigmatizantes com outras crianças, culturas e tradições. Indigne-se e esteja alerta se isso acontecer!
06 - Eduque as crianças para o respeito à diferença. Ela está nos tipos de brinquedos, nas línguas faladas, nos vários costumes entre os amigos e pessoas de diferentes culturas, raças e etnias. As diferenças enriquecem nosso conhecimento.
07 - Valorize e incentive o comportamento respeitoso e sem preconceito em relação à diversidade étnico-racial.
08 - Muitas empresas estão revendo sua política de seleção e de pessoal com base na multiculturalidade e na igualdade racial. Procure saber se o local onde você trabalha participa também dessa agenda. Se não, fale disso com seus colegas e supervisores.
09 - Órgãos públicos de saúde e de assistência social estão trabalhando com rotinas de atendimento sem discriminação para famílias indígenas e negras. Você pode cobrar essa postura dos serviços de saúde e sociais da sua cidade. Valorize as iniciativas nesse sentido.
10 - As escolas são grandes espaços de aprendizagem. Em muitas, as crianças e os adolescentes estão aprendendo sobre a história e a cultura dos povos indígenas e da população negra; e como enfrentar o racismo. Ajude a escola de seus filhos a também adotar essa postura.
domingo, 25 de março de 2012
Chimamanda Adichie: O perigo de uma única história
Uma contadora de histórias nos fala sobre o que gosta de chamar "o perigo de uma história única". Uma lição de vida.
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domingo, 20 de novembro de 2011
Como você encara a diversidade?
Saia do discurso e vá para a prática.
O Dia da Consciência Negra (20 de novembro), e o tema “diversidade nas empresas” levanta uma série de questões sobre o preconceito racial e a inclusão existente nos ambientes de trabalho. Segundo uma pesquisa do Instituto Ethos e do Ibope Inteligência, divulgada na primeira semana de novembro, somente 25,6% dos gerentes das 500 maiores empresas brasileiras são negros, o que revela a baixa taxa de diversidade racial nas companhias nacionais.
Mas essa variedade nos espaços profissionais refere-se apenas à inclusão de afrodescendentes? Antes de tudo, é fundamental acabar com a falsa ideia de diversidade, que geralmente associa o tema à distinção entre raças. O assunto é amplo e faz parte da vida em sociedade, já que existem diferenças de culturas, idades, religiões nas empresas, nas escolas ou em qualquer outro lugar.
Diante disso, fica a reflexão: como seria se fôssemos todos iguais? As diferenças, quaisquer que sejam, são importantes para intensificar a noção de indivíduo. Melhor ainda é entender que, quando integramos pessoas diferentes, também criamos um novo indivíduo, formado por ideias e pensamentos que se unem. Então, qual a importância da valorização da diferença nos ambientes profissionais? Como integrar pessoas distintas e formar uma equipe vitoriosa?
Podemos pensar em uma empresa diversificada exatamente como um indivíduo constituído de seres que se complementam. No ambiente profissional, cada funcionário desempenha seu papel e contribui para os resultados e o sucesso da empresa. Nesse caso, destacam-se os espaços de trabalho mais colaborativos e que permitem a troca de ideias e o debate das melhores soluções para o desenvolvimento da organização.
Mas tolerar a diversidade não é a forma mais adequada na integração entre as pessoas dentro das empresas. É essencial, sobretudo, valorizar as individualidades e reconhecer que elas poderão resultar em contribuições inestimáveis para o trabalho em equipe. Além disso, é fundamental eliminar o preconceito, que ainda permanece grande nos ambientes de trabalho. De acordo com um estudo recente feito em São Paulo, 60% dos casos de racismo acontecem nos espaços profissionais. Esse dado nos faz pensar seriamente sobre a variedade nas organizações e, diante disso, a diversidade não pode ser ignorada.
É válido destacar ainda que o incentivo à diferença dentro das empresas, por meio da contratação e valorização de grupos distintos da sociedade, melhora a imagem dessas organizações. Em um mundo no qual as informações são veiculadas rapidamente, os consumidores estão mais exigentes e preferem companhias que desenvolvam produtos e serviços inovadores e apliquem técnicas diversificadas.
Nesse sentido, a efetiva aplicação da diferença nos ambientes de trabalho tende a gerar bons resultados por meio de práticas não só inclusivas e integrativas, mas também entendam o profissional e suas necessidades individuais. Entram no conjunto dessas atitudes, somente para citar um exemplo, o acesso à empresa e ferramentas de trabalho adaptados para deficientes físicos.
E você, como está lidando com a diversidade na empresa em que atua? Como é a relação com as pessoas que têm pensamentos diferentes dos seus? Se ainda não pensou nestas questões, é importante começar, pois a integração é um dos passos essenciais para uma boa relação entre as pessoas. E dentro das empresas, o grande diferencial fica por conta da soma das riquezas individuais, sejam elas experiências, valores, crenças ou limitações.
Essa construção coletiva certamente resultará em bons projetos para a organização que caminha rumo ao sucesso. Além disso, é fundamental que haja medidas alternativas de modo a atender todos os profissionais, indistintamente. Portanto, não ignore a diversidade. Valorize o diferente como um complemento para sua própria personalidade.
Por Antonio Carlos Pereira - consultor, palestrante e sócio-diretor da Areté, empresa especializada em treinamento e desenvolvimento profissional.
O Dia da Consciência Negra (20 de novembro), e o tema “diversidade nas empresas” levanta uma série de questões sobre o preconceito racial e a inclusão existente nos ambientes de trabalho. Segundo uma pesquisa do Instituto Ethos e do Ibope Inteligência, divulgada na primeira semana de novembro, somente 25,6% dos gerentes das 500 maiores empresas brasileiras são negros, o que revela a baixa taxa de diversidade racial nas companhias nacionais.
Mas essa variedade nos espaços profissionais refere-se apenas à inclusão de afrodescendentes? Antes de tudo, é fundamental acabar com a falsa ideia de diversidade, que geralmente associa o tema à distinção entre raças. O assunto é amplo e faz parte da vida em sociedade, já que existem diferenças de culturas, idades, religiões nas empresas, nas escolas ou em qualquer outro lugar.
Diante disso, fica a reflexão: como seria se fôssemos todos iguais? As diferenças, quaisquer que sejam, são importantes para intensificar a noção de indivíduo. Melhor ainda é entender que, quando integramos pessoas diferentes, também criamos um novo indivíduo, formado por ideias e pensamentos que se unem. Então, qual a importância da valorização da diferença nos ambientes profissionais? Como integrar pessoas distintas e formar uma equipe vitoriosa?
Podemos pensar em uma empresa diversificada exatamente como um indivíduo constituído de seres que se complementam. No ambiente profissional, cada funcionário desempenha seu papel e contribui para os resultados e o sucesso da empresa. Nesse caso, destacam-se os espaços de trabalho mais colaborativos e que permitem a troca de ideias e o debate das melhores soluções para o desenvolvimento da organização.
Mas tolerar a diversidade não é a forma mais adequada na integração entre as pessoas dentro das empresas. É essencial, sobretudo, valorizar as individualidades e reconhecer que elas poderão resultar em contribuições inestimáveis para o trabalho em equipe. Além disso, é fundamental eliminar o preconceito, que ainda permanece grande nos ambientes de trabalho. De acordo com um estudo recente feito em São Paulo, 60% dos casos de racismo acontecem nos espaços profissionais. Esse dado nos faz pensar seriamente sobre a variedade nas organizações e, diante disso, a diversidade não pode ser ignorada.
É válido destacar ainda que o incentivo à diferença dentro das empresas, por meio da contratação e valorização de grupos distintos da sociedade, melhora a imagem dessas organizações. Em um mundo no qual as informações são veiculadas rapidamente, os consumidores estão mais exigentes e preferem companhias que desenvolvam produtos e serviços inovadores e apliquem técnicas diversificadas.
Nesse sentido, a efetiva aplicação da diferença nos ambientes de trabalho tende a gerar bons resultados por meio de práticas não só inclusivas e integrativas, mas também entendam o profissional e suas necessidades individuais. Entram no conjunto dessas atitudes, somente para citar um exemplo, o acesso à empresa e ferramentas de trabalho adaptados para deficientes físicos.
E você, como está lidando com a diversidade na empresa em que atua? Como é a relação com as pessoas que têm pensamentos diferentes dos seus? Se ainda não pensou nestas questões, é importante começar, pois a integração é um dos passos essenciais para uma boa relação entre as pessoas. E dentro das empresas, o grande diferencial fica por conta da soma das riquezas individuais, sejam elas experiências, valores, crenças ou limitações.
Essa construção coletiva certamente resultará em bons projetos para a organização que caminha rumo ao sucesso. Além disso, é fundamental que haja medidas alternativas de modo a atender todos os profissionais, indistintamente. Portanto, não ignore a diversidade. Valorize o diferente como um complemento para sua própria personalidade.
Por Antonio Carlos Pereira - consultor, palestrante e sócio-diretor da Areté, empresa especializada em treinamento e desenvolvimento profissional.
sábado, 19 de novembro de 2011
sexta-feira, 18 de novembro de 2011
quinta-feira, 17 de novembro de 2011
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
Cultura Negra no Brasil - O racismo
A contribuição cultural de escravos-negros é enorme. Na religião, música, dança, alimentação, língua, temos a influência negra, apesar da repressão que sofreram as suas manifestações culturais mais cotidianas.
Quarta de uma série de postagens sobre as influências da África Negra na formação da cultura brasileira.
O racismo
Racismo no Brasil é, no mínimo, uma atitude de ignorância as próprias origens. Qual é o antepassado do “verdadeiro brasileiro”? Indígena (os primeiros povos a habitar a terra do ‘Pau Brasil’)? Os negros (que foram trazidos para trabalhar como escravos e, ainda, serviram de mercadoria para seus senhores)? Os portugueses (que detém o status de descobridores desta terra)? Porém, pode ser a miscigenação de todas as raças, como vemos hoje? Afinal de contas, aqui se instalaram povos de todos os lugares do mundo. Portugueses, espanhóis, alemães, franceses, japoneses, árabes e, ultimamente, peruanos, bolivianos, paraguaios, uruguaios e argentinos vivem neste país que é hospitaleiro até demais com os estrangeiros e, muitas vezes, hostil com sua população.
Na sociedade brasileira do século XIX, havia um ambiente favorável ao preconceito racial, dificultando enormemente a integração do negro. De fato, no Brasil republicano predominava o ideal de uma sociedade civilizada, que tinha como modelo a cultura européia, onde não havia a participação senão da raça branca. Este ideal, portanto, contribuía para a existência de um sentimento contrário aos negros, pardos, mestiços ou crioulos, sentimento este que se manifestava de várias formas: pela repressão às suas atividades culturais, pela restrição de acesso a certas profissões, as "profissões de branco" (profissionais liberais, por exemplo), também pela restrição de acesso a logradouros públicos, à moradia em áreas de brancos, à participação política, e muitas outras formas de rejeição ao negro.
Contra o preconceito e em defesa dos direitos civis e políticos da população afrobrasileira surgiram jornais, como A Voz da Raça, O Clarim da Alvorada; clubes sociais negros e, em especial, a Frente Negra Brasileira, que tendo sido criada em 1931, foi fechada em 1937 pelo Estado Novo.
Atualmente, a população brasileira faz parte do ‘vira-latismo’ mundial. Quantas pessoas mestiças nascidas no Brasil você conhece ou, pelo menos, já viu? Quantas vezes você ouviu alguém dizer que...”meu avô era africano, minha avó espanhola”, ou então...”meu pai é japonês e minha mãe é árabe”? Quando representantes ‘tupiniquins’ participam de eventos esportivos ou sociais, o que vemos são pessoas de diferentes raças, mas apenas um sangue, somente uma paixão, o Brasil.
O que existe por aqui é muito racismo camuflado e que todo mundo faz questão de não enxergar. Os alvos, mesmo que inconscientemente, sempre são os mesmos. Negros, mestiços, nordestinos, pessoas fora do padrão da moda, ou seja, obesos, magrelas, altos demais, baixos ou anões e, principalmente, os mais pobres sofrem com a discriminação e não conseguem emprego, estudo, dignidade e respeito. Estes não têm vez na sociedade brasileira!
Para exemplificar isso, basta visitar as faculdades, os pontos de encontro (como bares, danceterias, teatros e cinemas) ou, até mesmo, se tiver mais coragem, verificar o revés da história, ou seja, favelas e presídios. Claramente, nesses lugares, este racismo hipócrita e camuflado vem à tona e causa espanto em muitas pessoas que não ‘querem’ encarar a verdade dos fatos.
Segundo a Constituição Brasileira, qualquer pessoa que se sentir humilhada, desprezada, discriminada, etc...por sua cor de pele, religião, opção sexual...pode recorrer a um processo judicial contra quem cometeu tal atrocidade. Mas, neste país, a verdade é que ninguém encara isto seriamente e quando atitudes dessa natureza são tomadas, causam estranheza nas pessoas. Estão errados em exigir seus direitos? Certamente, não! Mas, na verdade fato assim devem servir de alento para que todos lutemos por vagas nas faculdades públicas, trabalho e, conseqüentemente, respeito!
Porém, sem ter de passar pela humilhante condição de “cotas para negros” ou programas de televisão sensacionalistas que exploram a distinção racial e social para ganhar audiência. A cota tem de estar disponível para quem não tem condições de cursar uma faculdade paga. Mas, para que isto ocorra é necessário que haja uma reforma no ensino, com o objetivo de se melhorar e valorizar as escolas estaduais e municipais, para que seus alunos possam “brigar” por vagas em universidade gratuitas, independente de sua cor de pele.
Quarta de uma série de postagens sobre as influências da África Negra na formação da cultura brasileira.
O racismo
Benetton - publicidade contra o racismo
Racismo no Brasil é, no mínimo, uma atitude de ignorância as próprias origens. Qual é o antepassado do “verdadeiro brasileiro”? Indígena (os primeiros povos a habitar a terra do ‘Pau Brasil’)? Os negros (que foram trazidos para trabalhar como escravos e, ainda, serviram de mercadoria para seus senhores)? Os portugueses (que detém o status de descobridores desta terra)? Porém, pode ser a miscigenação de todas as raças, como vemos hoje? Afinal de contas, aqui se instalaram povos de todos os lugares do mundo. Portugueses, espanhóis, alemães, franceses, japoneses, árabes e, ultimamente, peruanos, bolivianos, paraguaios, uruguaios e argentinos vivem neste país que é hospitaleiro até demais com os estrangeiros e, muitas vezes, hostil com sua população.
Na sociedade brasileira do século XIX, havia um ambiente favorável ao preconceito racial, dificultando enormemente a integração do negro. De fato, no Brasil republicano predominava o ideal de uma sociedade civilizada, que tinha como modelo a cultura européia, onde não havia a participação senão da raça branca. Este ideal, portanto, contribuía para a existência de um sentimento contrário aos negros, pardos, mestiços ou crioulos, sentimento este que se manifestava de várias formas: pela repressão às suas atividades culturais, pela restrição de acesso a certas profissões, as "profissões de branco" (profissionais liberais, por exemplo), também pela restrição de acesso a logradouros públicos, à moradia em áreas de brancos, à participação política, e muitas outras formas de rejeição ao negro.
Contra o preconceito e em defesa dos direitos civis e políticos da população afrobrasileira surgiram jornais, como A Voz da Raça, O Clarim da Alvorada; clubes sociais negros e, em especial, a Frente Negra Brasileira, que tendo sido criada em 1931, foi fechada em 1937 pelo Estado Novo.
Qual o conceito de raças?
Atualmente, a população brasileira faz parte do ‘vira-latismo’ mundial. Quantas pessoas mestiças nascidas no Brasil você conhece ou, pelo menos, já viu? Quantas vezes você ouviu alguém dizer que...”meu avô era africano, minha avó espanhola”, ou então...”meu pai é japonês e minha mãe é árabe”? Quando representantes ‘tupiniquins’ participam de eventos esportivos ou sociais, o que vemos são pessoas de diferentes raças, mas apenas um sangue, somente uma paixão, o Brasil.
O que existe por aqui é muito racismo camuflado e que todo mundo faz questão de não enxergar. Os alvos, mesmo que inconscientemente, sempre são os mesmos. Negros, mestiços, nordestinos, pessoas fora do padrão da moda, ou seja, obesos, magrelas, altos demais, baixos ou anões e, principalmente, os mais pobres sofrem com a discriminação e não conseguem emprego, estudo, dignidade e respeito. Estes não têm vez na sociedade brasileira!
Para exemplificar isso, basta visitar as faculdades, os pontos de encontro (como bares, danceterias, teatros e cinemas) ou, até mesmo, se tiver mais coragem, verificar o revés da história, ou seja, favelas e presídios. Claramente, nesses lugares, este racismo hipócrita e camuflado vem à tona e causa espanto em muitas pessoas que não ‘querem’ encarar a verdade dos fatos.
Segundo a Constituição Brasileira, qualquer pessoa que se sentir humilhada, desprezada, discriminada, etc...por sua cor de pele, religião, opção sexual...pode recorrer a um processo judicial contra quem cometeu tal atrocidade. Mas, neste país, a verdade é que ninguém encara isto seriamente e quando atitudes dessa natureza são tomadas, causam estranheza nas pessoas. Estão errados em exigir seus direitos? Certamente, não! Mas, na verdade fato assim devem servir de alento para que todos lutemos por vagas nas faculdades públicas, trabalho e, conseqüentemente, respeito!
Porém, sem ter de passar pela humilhante condição de “cotas para negros” ou programas de televisão sensacionalistas que exploram a distinção racial e social para ganhar audiência. A cota tem de estar disponível para quem não tem condições de cursar uma faculdade paga. Mas, para que isto ocorra é necessário que haja uma reforma no ensino, com o objetivo de se melhorar e valorizar as escolas estaduais e municipais, para que seus alunos possam “brigar” por vagas em universidade gratuitas, independente de sua cor de pele.
terça-feira, 15 de novembro de 2011
terça-feira, 22 de março de 2011
O crime de Sharpeville: Imperioso lembrar para jamais repetir, ou imitar
Ontem, 21 de março, foi um dia especial para a cultura negra. Há exatos 51 anos, 69 crianças, mulheres e homens negros foram assassinados em praça pública pelo exército sul-africano no bairro de Sharpeville, na cidade de Johannesburgo. Motivo: terem saído às ruas, pacificamente, para reivindicar a extinção da Lei do Passe, que os obrigava a portar cartões de identificação com o registro dos locais por onde lhes era permitido circular.
O crime do regime do Apartheid da África do Sul ficou conhecido como O Massacre de Sharpeville. E motivou a instituição do Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial, pela Organização das Nações Unidas (ONU). Uma data que o Brasil, a maior Diáspora Africana do continente americano, tem razões, infelizmente, para relembrar.
O Governo Brasileiro, em articulação com a sociedade civil organizada, tem dado passos largos para desestabilizar a mentalidade que constrói tragédias como a de Sharpeville. As políticas de ações afirmativas, que elevaram consideravelmente o número de negros e negras nas universidades públicas; e a sanção do Estatuto da Igualdade Racial, marco histórico para a construção da igualdade de oportunidades entre negros e não-negros, são dois dos mais recentes passos da política de inclusão para o acesso aos bens econômicos e culturais do País.
Mas ainda há muito a enfrentar.
Uma rápida análise do noticiário é suficiente para identificar manifestações de racismo na sociedade brasileira. Em 13 de janeiro deste ano, por exemplo, os seguranças de um supermercado em São Paulo foram acusados de apreender, ilegalmente, uma criança de 10 anos, sob acusação de furto e gritos de “negrinho sujo e fedido”. Depois de submeter o garoto a humilhações, os seguranças encontraram em seu bolso o ticket que comprovava que ele pagara pelos objetos sob suspeita…
No Carnaval baiano deste ano, mais um indicativo de discriminação. O líder da banda de pagode Psirico acusou um empresário, em plena Avenida, sob as luzes das câmeras de TV, de tê-lo chamado de “preto” e “favelado”. Os casos ganharam destaque nos veículos de comunicação de massa, mas são apenas dois exemplos, dentre diversos outros registrados em notas de rodapé ou em Boletins de Ocorrência Policial.
O caldo de cultura que baseia tais ataques à identidade de descendentes de africanos está, sem sombra de dúvida, entrelaçado com o perfil dominante das mortes violentas no País, que vitimam, em sua maioria, jovens negros, segundo estudos sobre violência urbana da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). O mesmo caldo que motivou o assassinato dos jovens sul-africanos.
E os brasileiros têm consciência da força simbólica do racismo. Não foi à toa que festejaram a eleição do presidente Barack Obama nos Estados Unidos da América. Um negro no comando da mais poderosa nação do mundo emite simbolismo oposto ao que guia as mãos e as vozes que agridem a identidade dos negros e negras no Brasil e no mundo.
Não foi à toa também que, das conversas com a presidenta Dilma Rousseff, tenha constado a agenda da cultura negra. Para além dos resultados imediatos da discussão sobre o Plano de Ação Conjunta Brasil-Estados Unidos para a Eliminação da Discriminação Étnico-racial e Promoção da Igualdade, que norteou a pauta sobre o assunto, há os efeitos simbólicos da visita em si de Barack Obama sobre a identidade negra no Brasil.
Efeitos previsivelmente positivos. Um dos muitos que, esperamos, serão gerados em 2011, instituído pela ONU como o Ano Mundial dos Afrodescendentes.
Artigo de Eloi Ferreira de Araujo, presidente da Fundação Cultural Palmares, publicado originalmente no Correio Braziliense, sob título “O crime de Sharpeville”.
O crime do regime do Apartheid da África do Sul ficou conhecido como O Massacre de Sharpeville. E motivou a instituição do Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial, pela Organização das Nações Unidas (ONU). Uma data que o Brasil, a maior Diáspora Africana do continente americano, tem razões, infelizmente, para relembrar.
O Governo Brasileiro, em articulação com a sociedade civil organizada, tem dado passos largos para desestabilizar a mentalidade que constrói tragédias como a de Sharpeville. As políticas de ações afirmativas, que elevaram consideravelmente o número de negros e negras nas universidades públicas; e a sanção do Estatuto da Igualdade Racial, marco histórico para a construção da igualdade de oportunidades entre negros e não-negros, são dois dos mais recentes passos da política de inclusão para o acesso aos bens econômicos e culturais do País.
Mas ainda há muito a enfrentar.
Uma rápida análise do noticiário é suficiente para identificar manifestações de racismo na sociedade brasileira. Em 13 de janeiro deste ano, por exemplo, os seguranças de um supermercado em São Paulo foram acusados de apreender, ilegalmente, uma criança de 10 anos, sob acusação de furto e gritos de “negrinho sujo e fedido”. Depois de submeter o garoto a humilhações, os seguranças encontraram em seu bolso o ticket que comprovava que ele pagara pelos objetos sob suspeita…
No Carnaval baiano deste ano, mais um indicativo de discriminação. O líder da banda de pagode Psirico acusou um empresário, em plena Avenida, sob as luzes das câmeras de TV, de tê-lo chamado de “preto” e “favelado”. Os casos ganharam destaque nos veículos de comunicação de massa, mas são apenas dois exemplos, dentre diversos outros registrados em notas de rodapé ou em Boletins de Ocorrência Policial.
O caldo de cultura que baseia tais ataques à identidade de descendentes de africanos está, sem sombra de dúvida, entrelaçado com o perfil dominante das mortes violentas no País, que vitimam, em sua maioria, jovens negros, segundo estudos sobre violência urbana da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). O mesmo caldo que motivou o assassinato dos jovens sul-africanos.
E os brasileiros têm consciência da força simbólica do racismo. Não foi à toa que festejaram a eleição do presidente Barack Obama nos Estados Unidos da América. Um negro no comando da mais poderosa nação do mundo emite simbolismo oposto ao que guia as mãos e as vozes que agridem a identidade dos negros e negras no Brasil e no mundo.
Não foi à toa também que, das conversas com a presidenta Dilma Rousseff, tenha constado a agenda da cultura negra. Para além dos resultados imediatos da discussão sobre o Plano de Ação Conjunta Brasil-Estados Unidos para a Eliminação da Discriminação Étnico-racial e Promoção da Igualdade, que norteou a pauta sobre o assunto, há os efeitos simbólicos da visita em si de Barack Obama sobre a identidade negra no Brasil.
Efeitos previsivelmente positivos. Um dos muitos que, esperamos, serão gerados em 2011, instituído pela ONU como o Ano Mundial dos Afrodescendentes.
Artigo de Eloi Ferreira de Araujo, presidente da Fundação Cultural Palmares, publicado originalmente no Correio Braziliense, sob título “O crime de Sharpeville”.
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