terça-feira, 18 de maio de 2010

Fazendo arte no Centro Cultural e Ponto de Cultura Ninho do Sol

Wazare: O herói ancestral Paresí-Haliti surgindo do interior da rocha

O Centro Cultural e o Ponto de Cultura Ninho do Sol estão recebendo arte de vários artistas plásticos de nosso município

Uma grande ação de identificação e valorização do Centro Cultural e do Ponto de Cultura Ninho do Sol começam a ser realizados. Aos que chegam no espaço situado na sede da Associação de Moradores do Bairro Nossa Senhora Aparecida, grande parceira da cultura deste município, logo percebe as obras de arte que ali estão sendo executadas.

Logo no hall de entrada um grande painel está sendo realizado pela equipe do Ponto de Cultura Ninho do Sol, intitulado "Wazare", o herói mítico do povo Paresí-Haliti, que saiu da pedra da cachoeira, na região de Ponte de Pedra, para povoar este mundo. Com ele saem muitos outros povos indígenas, incluindo-se os imóti (não-índios) para serem agentes de transformação de sua realidade, criando a civilização. Esse mito nos remete ao Jardim do Éden, em pleno cerrado matogrossense, aqui, em Campo Novo do Parecis.

Arte por toda parte!
Artistas plásticas do Departamento de Cultura dão sua contribuição

Arte-educandas da Oficina de Pintura em tela, coordenadas pela Instrutora Cristiane Paz, também contribuem com pinturas das belezas de nosso município e do Chapadão, nas portas das salas de oficinas de teatro, música e dança, da biblioteca comunitária, da secretaria do Centro Cultural e da coordenação do Ponto de Cultura.

A área externa recebeu parte da iluminação tão solicitada ao Governo Municipal, dando um belo aspecto à entrada do Centro Cultural. Um projeto de embelezamento da área externa também está sendo organizado pelo Instituto Parecis Cultural - parceiro do ponto de cultura, que contará ainda com outras novidades em breve.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Ninho do Sol no 1º Arraiá da Adcanp

Meninas e meninos do Grupo Renascer durante apresentação da Valsa das Rosas
sob a coordenação da oficineira Lola

O Grupo Renascer, das oficinas do Ponto de Cultura Ninho do Sol, participou no último sábado do 1º Arraiá da Adcanp - Associação de Deficientes de Campo Novo do Parecis


Inúmeras entidades apoiaram o evento, que contou com barracas de comidas e bebidas típicas de festas desta época do ano - as tradicionais festas juninas. Um grande público compareceu na Praça de Eventos para conferir as apresentações culturais.

A quadrilha caipira da Apae, primeira a se apresentar, cativou a todos. O Centro Cultural foi convidado a participar com os grupos das oficinas de arte - danças do ventre, balé, axé, capoeira. Merecem ser destacados a Cia Lua Negra, a dança do fogo e os grupos de danças de rua e rebolation. O Ponto de Cultura Ninho do Sol participou com o Grupo Renascer de dança sênior que apresentou a Valsa das Rosas, dança circular de passos bem marcados e sonoridade clássica.

O que é a Dança Sênior?

A dança sênior constitui-se de um conjunto sistematizado de coreografias baseado em danças folclóricas de diversos povos, especialmente adaptada às possibilidades e necessidades da pessoa idosa. É uma atividade grupal, de baixo impacto, curta duração e não utilização de esforços intensos.

Foi criada em 1971, na Alemanha, por Ilse Tutt, coreógrafa e psicopedagoga social, para a ocupação do tempo livre e estimulação da população daquele país. As músicas alegres e ritmadas do folclore mundial e agora também nacional são fatores de estimulação de todo o sistema motor e sua escolha depende da conotação emocional que se deseja associar ao movimento.

Benefícios da Dança Sênior

O aprendizado das coreografias trabalha a atenção, concentração, percepção, lateralidade, ritmo, memória recente, orientação espacial, estimulando diversas habilidades psicomotoras e cognitivas, além de promover um trabalho motor com progressivo condicionamento físico associado à sensação de satisfação física e emocional.

O trabalho realizado em grupo é cooperativo, possibilitando maior entrosamento, facilitando a socialização e o enriquecimento das relações interpessoais. Capacidades individuais como mobilidade, flexibilidade, agilidade, resistência, equilibrio estático e dinâmico, coordenação motora e outras podem ser estimuladas, reativadas ou recuperadas, influindo positivamente sobre o sentimento de autoestima e eficácia.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Teatro Ogan divulga classificação de Processo Seletivo

Reunida no dia 12 de maio de 2010, a Comissão Especial de Processo Seletivo do Instituto Parecis Cultural (IPC), parceiro do Teatro Ogan, entrevistou dez dos quinze candidatos inscritos no Processo Seletivo para contratação de um Agente Cultural para atuar na Biblioteca Comunitária do Ponto de Cultura Ninho do Sol.

A seleção foi feita pela contagem de pontos, através da análise de currículo e de uma entrevista, que teve maior peso na definição do resultado final. Vários pontos foram analisados na entrevista: comunicação, criatividade, entendimento da função e conhecimento.

Após uma análise criteriosa a Comissão chegou a um denominador comum. O selecionado deve comparecer ao Ponto de Cultura Ninho do Sol, no dia 17 de maio de 2010, em horário comercial, munido de documentos pessoais.

Clique para ver a classificação do Processo Seletivo Nº 02/2010.

O Ponto de Cultura Ninho do Sol agradece aos candidatos e espera contar com o apoio de todos nas ações que serão desenvolvidas nos próximos três anos.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Teatro Ogan divulga resultado de licitação

O Grupo de Teatro Ogan de Campo Novo do Parecis divulgou nesta terça-feira, 11, o resultado da licitação para aquisição de um kit multimídia para o Ponto de Cultura Ninho do Sol, em atendimento ao Plano de Trabalho constante no Convênio Nº 054/2009, celebrado com o Governo do Estado de Mato Grosso através da Secretaria de Estado de Cultura/SEC-MT.

A empresas Boa Ventura Sugiki e Cia Ltda, de Tangará da Serra, Melo Equipamentos de Informática Ltda e El Cid dos Santos-ME, ambas de Cuiabá, foram as vencedoras do processo licitatório. O kit multimídia, no valor de R$ 14.408, 32, inclui computadores, filmadora, data show, máquina fotográfica, entre outros itens.

O kit será utilizado nas oficinas multimídia, bem como servirá para registrar as ações desenvolvidas pelo Ponto de Cultura. Dentro do plano de trabalho está prevista a produção de quinze documentários sobre a cultura, a história e o povo de Campo Novo do Parecis e região.

O Ninho do Sol é uma iniciativa do Teatro Ogan, apoiada pelo Instituto Parecis Cultural (IPC), pelo Governo Municipal, Câmara de Vereadores e pela Associação de Moradores do Bairro Nossa Senhora Aparecida. O Ponto de Cultura é patrocinado pelo Governo Federal através do Programa Mais Cultura do Ministério da Cultura (Minc), os investimentos são repassados pelo Governo do Estado, através da Secretaria de Estado de Cultura (Sec).

terça-feira, 11 de maio de 2010

Processo Seletivo definirá Agente Cultural do ponto

O Edital de Processo Seletivo Simplificado Nº02/2010, lançado em 28 de abril e encerrado em 07 de maio deste, selecionará um Agente Cultural para desenvolver atividades na Biblioteca Comunitária Ninho do Sol.
Inscreveram-se 15 pessoas para esse edital, sendo que as mesmas ainda terão uma entrevista com a Comissão de Processo Seletivo na próxima quarta-feira, dia 12, iniciando-se às 8h, por ordem de chegada.
Somarão pontos a análise curricular e a entrevista, cuja classificação será divulgada no dia 13 de maio e o resultado final no dia 16 deste mês. Caso não ocorra contestação, o candidato vencedor será chamado já no dia 17 de maio de 2010 para iniciar as atividades junto à biblioteca comunitária do Ponto de Cultura Ninho do Sol.

Fazem parte da Comissão Especial de Processo Seletivo Simplificado, conforme Portaria Nº 09/2010, de 10 de fevereiro de 2010:

Presidente: MARGA CESCA
Secretária: ELIZANDRA ALVES PEREIRA DA SILVA SOUZA
Membro: FRANCISLAINE ALMEIDA DOS SANTOS

Membro Suplente: JOÃO BATISTA BORDINI

Noite Cultural no Marechal Rondon


Acontecerá na próxima quinta, dia 13 de maio, mais uma Noite Cultural no Distrito de Marechal Rondon. Essa é uma das ações de descentralização da cultura solicitada pelo Governo Municipal.
Promovida pelo Departamento de Cultura da SEMEC com participação do Ponto de Cultura Ninho do Sol, essa Noite Cultural contará com apresentações diversas das oficinas de arte oferecidas em Campo Novo do Parecis: teatro, danças, músicas e capoeira.
Um dos destaques da noite será o espetáculo "Os Saltimbancos" do Grupo Revelação, um dos musicais mais famosos do Brasil, escrito por Chico Buarque e montado à época da ditadura militar criticando a mesma. Esse espetáculo representou o município na 17ª edição do Festival Matogrossense de Teatro, ocorrido em Rondonópolis, no ano de 2009.
A Direção é de Fran Almeida, com coreografias de Franciele Almeida e participação de grupos de dança do Centro Cultural, num projeto de integração entre oficinas. O resultado? Fantástico!
A Noite Cultural terá início às 19h30 no Salão da Comunidade.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Ninho do Sol registra Festa da Colheita dos índios Paresí-Haliti

O Ponto de Cultura Ninho do Sol esteve na Aldeia Quatro Cachoeiras registrando um dos rituais mais importantes dos índios Paresí-Haliti, que habitam a região do Chapadão do Parecis, a Festa da Colheita. Os registros farão parte do acervo do Ponto de Cultura, a ideia é transformá-los em um documentário.
De acordo com o Cacique Narciso, esta foi a primeira vez que a Festa da Colheita foi registrada na íntegra.
A Aldeia Quatro Cachoeiras está localizada a 33 quilômetros da cidade de Campo Novo do Parecis, é um excelente local para o etnoturismo, modalidade turística propícia para esta região.

Leia o artigo e conheça um pouco sobre a Festa da Colheita:
Massa de mandioca brava usada para a fabricação da chicha e do biju

Festa da Colheita: Uma tradição milenar dos Índios Paresí-Haliti

Bem antes de Pedro Álvares Cabral pisar em terras brasileiras eles estavam por aqui. Bem antes de Rondon ou dos Bandeirantes os índios Paresí-Haliti plantavam mandioca brava, faziam biju, chicha e caçavam ema, veado e anta. Há muito tempo, mas há muito tempo mesmo, quando a macaxeira madura, eles comemoram a Festa da Colheita.

Bem pertinho de Campo Novo do Parecis (400 Km de Cuiabá) fica a aldeia Quatro Cachoeiras, que se tornou famosa depois da passagem da Tocha Panamericana Rio 2007 por lá, plantada estrategicamente a margem do bravo rio Sacre, que apresenta índice zero de poluição, o que é bem raro no mundo contemporâneo.

No último final de semana, entre sexta e domingo (07 a 09 de maio), acompanhei a Festa da Colheita, quanto mais conversava com os indígenas mais eu mergulhava em uma história milenar de dominação e luta para preservar a cultura tradicional, agora cada vez mais distante.

Conheci um pouco mais sobre o cacique Narciso, homem que ainda peleja por esta tal preservação da tradição, a qual ele repete incansavelmente enquanto dialoga. Anfitrião da festa, passou o tempo todo andando pela aldeia pra lá e prá cá, vestindo penas coloridas de ema e arara sempre dando atenção aos visitantes.

Cacique Narciso - Anfitrião da Festa

Nas hati, vi mulheres descascando e ralando mandioca “braba” para preparar a chicha, bebida típica fermentada e artesanal de sabor peculiar, que eles chamam de olóniti, e o biju, alimento torrado parecido com tapioca, porém, mais grosso e azedo.

No rio de águas límpidas e traiçoeiras, vi índias adultas seminuas, envergonhadas com a nossa presença, vi garotinhos e garotinhas de quatro ou cinco anos, no máximo, nadando e mergulhando, como peixes, em meio às pedras e correntezas do virgem Sacre. Vi as quedas, quatro quedas, que na língua Haliti se escreve: Zalakuakua Hwomolo, ou simplesmente Quatro Cachoeiras.

Chicha preparada no fogo que nunca apaga (Idikati)

Ouvi o relato sábio e extenuado do cacique geral de todas as aldeias Paresí-Haliti, João Arrezomae, o João Garimpeiro, no fastígio de quase um século de vivência e experiência, com seu português esfolado que soa como se uma criança semi-alfabetizada estivesse falando.

Com propriedade o cacique franzino descreve a história de dominação vivida pelo seu povo desde os tempos dos bandeirantes e a transformação sofrida no período, principalmente, nos últimos 100 anos, desde Marechal Rondon, passando pelos jesuítas e finalmente, chegando a colonização e a posterior contemporaneidade avassaladora.

Quando o sol se pôs completamente, homens, mulheres e crianças, uns de tênis All Star outros de gravata e paletó, entrelaçaram os braços uns nos outros e cantaram músicas tradicionais em seu idioma materno, como se invocassem espíritos, batendo os pés no chão, bebendo chicha e dançando, contornando incansavelmente o mastro central do interior da hati.

Índia Parecis ralando mandioca para preparar chicha

Este ritual uníssono e recursivo, chamado por eles de Zolane, é uma das cerimônias mais importantes da cultura Paresí-Haliti, sempre apresentado em ocasiões especiais. O rito evocativo e cheio de simbolismo atravessou a noite, regrado a carne de ema e veado, biju e tonéis de litros de chicha.

No dia seguinte, ainda de madrugada, as flautas saíram da Casa da Jararaca. Somente homens podem participar e assistir ao êxtase da evocação e inebriação, de certa forma, arrebatador, produzido pelo ritual das Flautas Sagradas. No centro da aldeia (wenakalati), o fogo eterno (idikati) queimava a madeira seca atiçado pelo vento frio.

Extasiados os homens dançavam abraçados uns aos outros, indo de hati em hati, em um processo de invocação dos espíritos ancestrais, depois voltando ao idikati (fogo), ainda bebendo a chicha e agora vomitando cumprindo um ritual de purificação, comum em outras etnias. O delírio deslumbrante dura até que os primeiros raios do sol apareçam.

Crianças Paresí-Haliti da Aldeia 04 Cachoeiras

Finalmente as flautas são recolhidas e as mulheres liberadas a sair do interior da hati para começar a preparação do batismo. Neste rito, feito de forma tradicional e curiosa, cada família se organizava colocando uma grande quantidade de alimentos em um círculo no pátio.

Os que serão batizados saem da hati, um a um, acompanhados de um padrinho até o círculo, onde recebem um novo nome e parte do alimento oferendado, o restante da comida é dividida entre os demais festeiros.

Além de crianças, adultos também são batizados. Os Paresí-Haliti acreditam que depois de um acidente o índio adulto deve ser rebatizado, onde receberá um novo nome e garantia da renovação espiritual. “É como um renascimento”, explica um indígena.

Apresentação de Zolane no interior da Hati

Terminado o batismo, eles se divertem e brincam, é chegada a hora do ‘canto da formiguinha’. Crianças e rapazes ficam em frente das hati dançando e pedindo as sobras da festa. Os adultos inebriados pela noite de farra ainda caçoam das ‘formiguinhas’, rindo e dando a elas os restos da olóniti kalóre, ou grande festa.

Terminados os três dias de festejo, trouxe para casa uma bagagem extraordinária, o respeito pelos indígenas, que já existia antes, se avivou e o sabor da chicha e do biju azedo se eternizará no meu paladar. A singularidade do som, das cores, dos olhares, do cheiro, dos sabores permanecerá viva na minha memória.

Texto de Alexandre Rolim
Fotografias de Sílvia Schneiders e Vanderlei Guollo

domingo, 9 de maio de 2010

Biblioteca Comunitária será inaugurada

Já em fase de estruturação, a biblioteca comunitária será aberta à comunidade no próximo dia 19 de maio de 2010, na inauguração do Ponto de Cultura Ninho do Sol.


Como parte das ações do Plano de Trabalho do Convênio Nº 054/2009, assinado com a Secretaria de Estado de Cultura e o Governo do Estado de Mato Grosso, patrocinado pelo Governo Federal através do Ministério da Cultura, o Ponto de Cultura Ninho do Sol implataria a biblioteca comunitária somente no ano de 2012.
Entretanto, no início deste ano, graças às doações do acervo literário da extinta Escola Pequeno Mundo, do Sr. Reginaldo Pereira de Jesus, da Escola 04 de Julho e outros integrantes do IPC - Instituto Parecis Cultural, a Biblioteca Comunitária Ninho do Sol será aberta à comunidade com mais de 2.500 livros e cerca de 80 fitas de vídeo infanto-juvenis.
Também já está em andamento o Edital de Processo Seletivo Nº 02/2010, que definirá nos próximos dias o Agente Cultural que trabalhará na biblioteca comunitária, desenvolvendo ações de incentivo à leitura e atividades lúdicas às crianças e jovens.

Programa Documenta

A biblioteca comunitária será também a salvaguarda do acervo do Programa Documenta, do Instituto Parecis Cultural, que objetiva catalogar fotos, vídeos e reálias de importância histórica para Campo Novo do Parecis e região.
Já estão em seu acervo mais de 400 jornais (12 anos de cobertura jornalística) e 3.689 fotos em papel fotográfico do Jornal do Parecis - doação do radialista Joel Lins, parceiro dessa ação. O acervo conta ainda com cerca de 35.000 fotos digitais, cópias do acervo de fotos da Biblioteca Pública Municipal entre os anos de 2003 a 2008.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Apresentações do Ninho do Sol na Noite Cultural das Mães


A Noite Cultural é um dos mais antigos eventos culturais de Campo Novo do Parecis. Promovidas desde setembro de 1994, têm o objetivo de mostrar a diversidade cultural presente nas oficinas, escolas e projetos de nosso município.
São tradicionais as noites culturais das Mães, Ecológica e das Crianças, que levam ao palco um grande número de arte-educandos prestigiados por um público sempre participativo.


Na Noite Cultural das Mães 2010, além da participação dos arte-educandos do Centro Cultural, também se apresentaram os aprendizes das oficinas do Ponto de Cultura Ninho do Sol das áreas da dança, música e capoeira. Iniciadas em 15 de março deste ano, as oficinas estão sendo oferecidas na sede do ponto de cultura, na Escola Especial Bem-Me-Quer - APAE, no IFMT - Campus Parecis, na Unidade Prisional, na Escola Estadual Padre Arlindo e no Distrito de Marechal Rondon.
Apesar do pouco tempo de ensaios, os aprendizes do ponto de cultura subiram ao palco e foram aplaudidos por uma platéia que lotou o Plenário do Fórum, espaço cedido para o evento. Destaque especial para os aprendizes da APAE, que apresentaram danças sentadas e capoeira, acompanhados dos alunos do Centro Cultural Aruandê Capoeira.


segunda-feira, 3 de maio de 2010

Ninho do Sol irá registrar Festa da Colheita dos índios Paresí

Mandioca em processo de fabricação da chicha

O Ponto de Cultura Ninho do Sol estará presente na Festa da Colheita para registrar esta festividade tão importante para a etnia Paresí-Haliti. Este registro é uma das ações que faz parte do Plano de Trabalho do Ponto.

Leia matéria a respeito da Festa da Colheita:
Cacique Narciso da Aldeia Quatro Cachoeiras

É tradição entre os índios Paresí-Haliti o visitante se dirigir primeiramente a hati (casa tradicional da etnia) do cacique. Na aldeia Quatro Cachoeiras fomos recebidos pelo cacique Narciso, afetivo e cheio de cordialidades. Ele foi o primeiro a nos cumprimentar, convidando para sair do sol e tomar lugar à sombra de um “tolutsi” (chapéu de palha).

Bastante comunicativo, o cacique pediu para não tirar fotografia enquanto ele não se trajasse com suas vestimentas tradicionais feitas de penas de ema e arara. Narciso entrou na Hati e logo saiu trajado de cacique, assim como os seus ancestrais faziam: “queremos ser vistos do nosso jeito tradicional”, justifica.
Chicha é armazenada em troncos de buriti

O motivo da nossa visita: minha; do diretor de Cultura, Vanderlei Guollo; e do cinegrafista, Maycon Farias; era registrar e aprender um pouco sobre a cultura milenar dos Paresí-Haliti, principalmente de uma tradição em evidência nessa época do ano: a Festa da Colheita.

A aldeia Quatro Cachoeiras é uma das raras que ainda realizam esta festividade da maneira tradicional. Na atualidade, as festas ocorrem principalmente quando se celebram os rituais de passagem individual, ou seja, nominação de crianças e moças púberes (após a primeira menstruação), e de um ritual de calendário, o da colheita da safra de uma roça de mandioca, como é o caso desta.
Chicha armazenada em cabaças

Nesta festa serão batizadas onze pessoas, entre crianças e adultos. É no batismo que eles recebem um nome em sua própria língua, nome pelo qual serão conhecidos entre os seus. Há ocasiões em que os indígenas adultos recebem um novo nome depois de fatos singulares, como um acidente ou uma doença. Na crença dos Paresí-Haliti o novo nome irá influenciar no restabelecimento de sua saúde e na harmonização de todos os aspectos de sua vida.

De acordo com o cacique Narciso a programação da Festa da Colheita começa na sexta-feira, 07 de maio, a partir das 18 horas, quando será feita a recepção dos convidados, logo em seguida ocorre no interior da hati do cacique uma apresentação de Zolane (dança tradicional), entre outros rituais. A festa segue no sábado de manhã com outras atrações como o Jikunahaty (cabeçabol) e o batizado.

Cacique Narciso e Vanderlei Guollo

Narciso convida a todos para participarem da festa e conhecer um pouco mais da tradição e da cultura dos índios Paresí-Haliti. Os preparativos seguem até as vésperas do acontecimento, desde a última quarta-feira, 28, os índios caçam a ema e o veado, entre outros, para alimentar os festeiros.

Cacique Narciso, o repórter Alexandre Rolim e o cinegrafista Maycon Farias

A festa será regrada a muita chicha e carnes assadas, além de cigarros e biju. Narciso relata que ao contrário das festas dos imóti (homem branco), os Paresí não comercializam as bebidas e os alimentos, pois a visão da festa é preservar a cultura e não obter lucros, por isso, o anfitrião arca com todos os custos.

Matéria retirada do site: http://www.parecis.net/
Fotografias de Vanderlei Guollo