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sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Para refletir! - Porque as crianças aprendem mais com contos de fantasia do que com histórias realistas

Por Deena Skolnick Weisberg, para o Aeon*

As crianças têm muito o que aprender. Pode se dizer que este é o propósito da infância: garantir às crianças um tempo protegido para que elas possam se concentrar em aprender como se comunicar, como o mundo ao seu redor funciona, que valores sua cultura considera importante e por aí vai. Dada a quantidade massiva de informação que as crianças precisam absorver, pareceria recomendado que eles passassem o máximo possível deste tempo engajadas em estudar seriamente as questões e problemas do mundo.

Ainda assim, qualquer um que já tenha passado tempo ao redor de crianças sabe que elas dificilmente têm a aparência de acadêmicos sérios e focados. Ao invés, as crianças passam muito do seu tempo cantando canções, correndo por aí, fazendo bagunça – isto é, brincando. Para além de participarem da grande alegria de descobrir como a estrutura do real funciona através de suas brincadeiras exploratórias, as crianças (como muitos adultos) também tendem a ser profundamente atraídas por jogos e histórias irreais. Elas fingem ter superpoderes ou habilidades mágicas e imaginam interações com seres impossíveis, como sereias e dragões.

Por muito tempo, tanto pais como pesquisadores supuseram que esses “voos de fantasia” eram, na melhor das hipóteses, inofensivos episódios de diversão – talvez necessários para a descontração de quando em quando, mas sem qualquer propósito real. Na pior das hipóteses, alguns defendiam que tais momentos eram distrações perigosas da importante tarefa de entender o mundo real, ou manifestações de uma confusão pouco saudável sobre a barreira entre realidade e ficção. Mas agora, novos trabalhos no campo da ciência do desenvolvimento mostram que não apenas as crianças são plenamente capazes de separar realidade e ficção, mas também que a atração por situações fantásticas pode na verdade ser bastante útil para o aprendizado.


Trabalhos mostram que fantasia pode ser instrumental para aquisição de conhecimento.

Eu me aproximei dessa perspectiva após testar diversas maneiras de ensinar novas palavras ao vocabulário de crianças da educação infantil em programas do Head Start*, na esperança de combater o déficit de linguagem que existe entre crianças de pré-escola de contextos socioeconômicos altos e baixos. Para fazer meu estudo, minha equipe apresentou novas palavras de vocabulário ao longo de uma atividade de leitura compartilhada, e depois reforçou os significados dessas palavras em sessões de brincadeiras tuteladas por adultos.

*Head Start é um programa do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos que oferece educação, saúde e nutrição em serviços abrangentes que envolvem crianças de baixa renda e suas famílias.

A intervenção foi bem-sucedida, e o entendimento das crianças das novas palavras melhorou – o que foi comprovado por testes feitos antes e depois da experiência. Mas o que foi mais interessante para nós foi a diferença entre os dois grupos de crianças deste estudo: aqueles cujas histórias descreviam temas realistas, como cozinhar, e aqueles cujas histórias descreviam temas fantásticos, como dragões. No começo do estudo, publicado em 2015 na revista Cognitive Development, as crianças sabiam menos sobre as palavras dos livros fantásticos, talvez porque tais palavras eram mais desafiadoras. Mas vimos que o conhecimento lexical das crianças aumentou ao longo da intervenção e, nos pós-testes, elas sabiam tanto destas palavras quanto daquelas contidas nas histórias realísticas. Isso é, as crianças ganharam mais conhecimento das histórias fantásticas do que das realísticas.

Essa descoberta é surpreendente uma vez que confronta tudo que sabemos sobre aprendizado e transferência. Um grande montante da literatura na psicologia mostrou que quanto mais próximo o contexto de aprendizagem está do contexto onde a informação será usada, melhor. Isso sugere fortemente que livros realistas deveriam ajudar as crianças a aprender os significados das palavras melhor e reportá-los mais precisamente nos pós-testes. Mas nosso estudo mostrou exatamente o oposto: livros de fantasia, aqueles que eram menos próximos da realidade, permitiram que as crianças aprendessem melhor.


Livros de fantasia, aqueles que eram menos próximos da realidade, permitiram que as crianças aprendessem melhor.

Em trabalhos mais recentes, nosso laboratório vem replicando este efeito. Um estudo em andamento está descobrindo que as crianças aprendem novos fatos sobre animais melhor a partir de histórias fantásticas do que das realísticas. Outros pesquisadores, usando uma variedade de métodos e medidas, mostraram que representações de eventos aparentemente impossíveis podem ajudar as crianças a aprenderem. Por exemplo, crianças são mais preparadas para aceitar novas informações quando elas são surpreendidas – portanto, quando elas têm quebradas suas suposições sobre o mundo físico.

O que pode estar acontecendo? Talvez as crianças são mais engajadas e atentas quando elas veem acontecimentos que desafiam seu entendimento de como o real funciona. Afinal, os acontecimentos nessas histórias fantásticas não são coisas que as crianças veem todos os dias. Então talvez elas prestem mais atenção, o que leva a mais aprendizado.

Uma possibilidade diferente – e mais rica – é que há algo sobre contextos fantásticos que é particularmente útil ao aprendizado. De tal perspectiva, a ficção fantástica pode fazer algo mais do que capturar o interesse das crianças melhor que a ficção realista. Em vez disso, a imersão em cenários onde elas precisam pensar sobre situações impossíveis podem engajar processamentos mais profundos, precisamente porque elas não podem tratar tais cenários como fariam com qualquer outra situação que encontram na realidade.

Elas precisam considerar cada evento com um olhar novo, perguntando se ele cabe no mundo da história e se ele se encaixa nas leis da realidade. Essa necessidade constante de avaliar a história pode gerar circunstâncias bastante próprias para o aprendizado.

Trabalhos futuros irão investigar todas essas possibilidades. Mas, por hora, é importante notar que nossas descobertas podem ter profundas implicações na educação. Mesmo que seja “somente” o fato de que crianças aprendem melhor em contextos fantásticos, porque tais contextos as ajudam a prestar mais atenção, nós podemos usar este fato para fazer melhores materiais didáticos que irão beneficiar todas as crianças.


Artigo publicado originalmente no Aeon Ideias e traduzido pelo Portal Aprendiz via Creative Commons. Deena Skolnick Weisberg é pesquisadora sênior do departamento de psicologia da Universidade da Pensilvânia. Seus campos de pesquisa incluem o desenvolvimento de uma cognição imaginativa, o papel que a imaginação joga no aprendizado, e pensamento científico e racional em crianças e adultos.

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Dia 09 de Maio - Mato Grosso celebra 266 anos!


Neste dia 09 de maio Mato Grosso celebra 266 anos e para as comemorações, a Secretaria de Estado de Cultura (SEC-MT), organizou algumas programações culturais, em Cuiabá e também em cidades do interior!

Na capital nesta sexta-feira (09), a partir das 17h na histórica Praça da Mandioca localizada no centro de Cuiabá, teremos atrações regionais, como a apresentação do trio Pescuma, Henrique e Claudinho, o rei do rasqueado cuiabano Roberto Lucialdo, Guapo, Gilmar Fonseca, o cantor Ney Aroeira, a Bateria Ouro, a dupla sertaneja Neto e Diego, os grafiteiros do Babu 78, o artista plástico Adir Sodré e outros.

No interior do estado, algumas atividades acontecem em Alto Taquari no 2º Festival Nacional de Violeiros, dos dias 09 e 10 de maio. E em São José do Rio Claro, durante toda a semana acontecem shows e apresentações teatrais.

Camila Paulino
Assessoria de Imprensa da Secretaria de Estado de Cultura de Mato Grosso

domingo, 5 de maio de 2013

Palestra "Roosevelt Rondon" acontece em Sapezal

Servidores da Secretaria de Cultura e Turismo de Campo Novo do Parecis participaram na última sexta-feira (03.05) da palestra "Expedição Roosevelt Rondon - 100 anos" em Sapezal.


Cacá de Souza, Iracema Rodrigues, Vanderlei César Guollo e Adriano Pereira, 
segurando um eixo de carroça da expedição, feito em bronze.

A palestra, ministrada por Cacá de Souza, foi direcionada a alunos das escolas públicas de Sapezal e a toda a comunidade daquele município. Participaram do evento o vice-prefeito, Dr. Benjamin Dequi; o secretário de Desenvolvimento Econômico, João Paulo Mattos Moura; e o coordenador de Turismo, Sidnei Roberto Zimmermann, além de um público composto basicamente por alunos.

Campo Novo do Parecis foi representado no evento pelo secretário de Cultura e Turismo, Vanderlei César Guollo e pela chefe de Fomento ao Etnoturismo, Iracema Rodrigues Pereira, além do diretor de Cultura de Colniza, Adriano Pereira de Souza, que estava em intercâmbio cultural com nosso município.











Sobre o documentário "Expedição Roosevelt Rondon 100 anos"

Neste ano comemora-se os 100 anos da Expedição Roosevelt Rondon, expedição essa liderada por Theodore Roosevelt e Marechal Cândido Rondon, que foi um marco histórico e científico para o conhecimento da fauna e da flora brasileira.

A Expedição teve como intuito pesquisar e coletar espécimes da fauna e da flora do cerrado e da região Amazônica, além de um levantamento cartográfico incluindo o rio da Dúvida, já no estado de Rondônia, rebatizado de rio Roosevelt após a expedição. Roosevelt e Rondon, durante a sua caminhada, percorreram mais de mil km, realizando inúmeros trabalhos.

A expedição Roosevelt Rondon, nas terras matogrossenses, teve início no município de Cáceres, e de lá a expedição navegou pelas águas do rio Sepotuba até a fazenda Taberapuã (no atual município de Tangará da Serra). A partir de lá, no lombo de burros e em carroças puxadas por bois, atravessaram o Chapadão do Parecis tendo apoio na estrutura existente em função da construção da linha telegráfica.

Ficaram impressionados com as belezas da fauna e da flora da região, principalmente das deslumbrantes quedas do Salto Belo (divisa de Campo Novo do Parecis e Brasnorte) e do Salto Utiariti (divisa de Campo Novo do Parecis e Sapezal). Atravessaram o cerrado e adentraram a Floresta Amazônica até atingirem a nascente do rio da Dúvida, no dia 27 de fevereiro de 1914. Ao final da expedição, já em maio de 1914, com um saldo de três pessoas mortas, mais de 2500 aves catalogadas e aproximadamente 500 mamíferos coletados, além de répteis, insetos e muitos peixes, soma-se também uma incalculável contribuição histórica através do trabalho fotográfico e cinematográfico realizado.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Encontro Nacional de Contadores de Histórias abre inscrições para oficinas


Por Naine Terena

Estão abertas as inscrições para as oficinas oferecidas pelo Encontro Nacional de Contadores de Histórias, evento que integra o Projeto Feira Literária de Contadores de Histórias. O projeto idealizado e coordenado pela Cia Alicce Oliveira, com produção de Mazé Oliveira, tem o patrocínio da Secretaria de Estado de Cultura de Mato Grosso (SES/MT), por meio do Programa de Apoio à Cultura, e visa fomentar a cultura literária oral e escrita no Estado. O encontro, que também faz parte das comemorações do Centenário da Biblioteca Pública Estadual Estevão de Mendonça, terá 12 sessões de contação de histórias e nove oficinas nos quatro dias de evento, que deve receber mais de duas mil pessoas.

A abertura oficial acontece no dia 03 de setembro no Palácio da Instrução, em Cuiabá, e as atividades acontecerão entre os dias de 04 a 06 de setembro, no Sesc Arsenal. O público alvo das oficinas são os educadores, acadêmicos, agentes de leitura, artistas e demais interessados no tema. A participação em cada oficina terá o valor de R$ 10,00 e cada participante poderá se inscrever em uma oficina por dia, com direito a certificado. As inscrições se encerram no dia 15 de agosto.

As oficinas

No dia 04 de setembro acontecem as oficinas de Manipulação de Bonecos, com Wanderson Lana (MT) trabalhando as técnicas de manipulação de bonecos; Elaine Cristina Gonçalves (MT) ministra a oficina Humor e Histórias, que tem como foco desenvolver as habilidades corporais e vocais cômicas para serem utilizadas na contação de histórias. Em Contar histórias – Espaço de Encantamento e Sensibilização, ministrada por Rosane Castro (RS), o objetivo é sensibilizar os participantes para o ato de narrar histórias e sua importância no contexto histórico/social.

Dando continuidade às atividades, no dia 05 o ator Vinicius Rangel (MT) oferece a oficina Livro Aberto Conto Certo, que se utiliza da contação de histórias com recursos ilustrativos que apoiam a oralidade. O também mato-grossense Maurício Ricardo leva ao público a oficina O Corpo em Ação, visando o desenvolvimento do domínio corporal e vocal, com leituras dramatizadas, contação de histórias, além de jogos dramáticos voltados para despertar o interesse pela criatividade. Em Tamoin - um contador de histórias, o instrutor Luiz Carlos Ribeiro (MT) foca a contação de histórias, com abordagens de conteúdo antropológico, que enfoca a importância dos contadores de histórias, dentro do contexto sociocultural de uma nação indígena.

Encerrando o ciclo de oficinas, no dia 06 acontecem as oficinas Cada Um Conta de Um Jeito, com Aline Maciel (SC), fazendo com que os participantes experimentem diferentes formas de se contar um conto. Serão abordadas técnicas de memorização e de expressão corporal e vocal bem como alguns aspectos teóricos da contação de histórias, como: elementos de uma história, quando e como adaptar um conto e técnicas de memorização. A oficina O Universo Brincante do Contador de Histórias, ministrada por Carlos Godoy (SP) prioriza o contato com o jogo teatral, com brinquedos cantados, improvisação teatral e principalmente a narração de histórias. Em A Contação de Histórias na Sala de Aula: o desenho, a dobradura e o barbante, Fernanda Munhão (SP0, busca enriquecer a arte de contar histórias na sala de aula.

As oficinas tem vagas limitadas. Mais informações podem ser obtidas no blog do Evento:
http://encontrodecontadoresdehistorias.blogspot.com.br/ , pelos telefones: (65) 3641-9197/(65)8124-8167, ou pelo e-mail: divulgacaoencontro2012@gmail.com

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Colonização: Primeiros Tempos

O Museu Histórico do Parecis está apresentando, desde o dia 28 de junho, a Exposição Histórica “Colonização: Primeiros Tempos”, aberta ao público até o dia 14 de julho.


Casa da Memória, local que abriga o Museu Histórico do Parecis

O intuito da exposição é fazer um retrospecto do município de Campo Novo do Parecis desde seus primórdios, quando começou ser a desbravado, ainda povoado de Diamantino, até sua emancipação político-administrativa.

O Museu está aberto à visitação nas segundas e quartas-feiras, nos períodos matutinos e vespertinos e nas terças e quintas-feiras nos períodos matutinos e noturnos. Escolas interessadas em agendar visitas podem fazê-la através do telefone (65) 9957-0172, falando com Clarice.

O Museu Histórico do Parecis está localizado na rua São Paulo, n° 372 - NE, Centro, ao lado do INDEA.

Sobre a Exposição Histórica:

O Museu Histórico do Parecis apresenta exposição retratando os primórdios da colonização de Campo Novo do Parecis.

Do encontro entre desbravadores e índios se originou o povoado de Diamantino, e nesta região o desbravador Marechal Cândido Rondon passou no início do século XX, abrindo o cerrado com as linhas telegráficas.

A região ficou esquecida até o ano de 1974 quando apareceram os primeiros colonizadores sulistas. Cada pioneiro convidou outros familiares para morar aqui cedendo parte de suas terras. Em 1975 havia 08 famílias de agricultores e a região era conhecida como Sucuruína II.

O povoado se formou no início da década de 1980. Os títulos definitivos de terras só foram entregues em 1983. A partir de então, devido ao aumento da população, começa-se o loteamento do povoado. Em 1987, com o aumento populacional e econômico do povoado e a distância da sede do município de Diamantino, foi criada a subprefeitura.

Os objetos que compõem a Exposição Histórica “Colonização: Primeiros Tempos” retratam esse processo e as muitas dificuldades encontradas: as distâncias (as estradas eram poucas e ruins), a adaptação das famílias ao lugar, a comunicação, o lazer, a educação, a saúde e a falta de recursos financeiros, motivos que levaram alguns a desistir.

Todos que permaneceram iniciaram, em 1987, o movimento pela emancipação que culminou na criação do município de Campo Novo do Parecis, através da Lei N° 5.315, de 04/07/1988.

Angelita Nirvane Hoppen Ratz Mafalda
Maria das Graças de Souza Fay
Sandra Josefina Paim Teixeira