Mostrando postagens com marcador esporte. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador esporte. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Iphan descentraliza ações de salvaguarda do Programa Pró-Capoeira


A diretora do Departamento do Patrimônio Imaterial (DPI) do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), Célia Corsino, comunicou que, a partir deste ano, as ações de salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial serão executadas de forma descentralizada, conforme o Plano Anual de Trabalho aprovado para 2012. Com relação à salvaguarda da capoeira, a diretora recomendou “a implementação de ações voltadas para mobilização dos capoeiristas - como encontros, reuniões, seminários e outros eventos - e, principalmente, para mapeamento e identificação do universo da capoeira em cada Estado da Federação”. Com a mudança a estruturação do Programa Pró-Capoeira é assumida pela Fundação Palmares.

Diante dessa descentralização, o DPI orientou as superintendências estaduais do IPHAN para que, nas ações de mobilização, sejam discutidas e sistematizadas as demandas levantadas nos encontros de planejamento e criação do Programa Pró-Capoeira, realizados em 2010, em Recife-PE, Rio de Janeiro-RJ e Brasília-DF, onde foram debatidos os temas Capoeira, Internacionalização e Profissionalização; Capoeira e Desenvolvimento Sustentável; Capoeira e Educação; Capoeira e Políticas de Fomento; Capoeira e Esporte; e Capoeira, Identidade e Diversidade. As informações colhidas nos debates estão sistematizadas e disponíveis nos links abaixo.

Essas medidas incluem a transferência da coordenação do Grupo de Trabalho Pró-Capoeira (GTPC) para a Fundação Cultural Palmares. Entretanto, o DPI/Iphan continua trabalhando na Salvaguarda do Ofício de Mestres de Capoeira e da Roda de Capoeira, registrados como Patrimônio Cultural Nacional no Livro dos Saberes e das Formas de Expressão, em 21 de outubro de 2008, e está sendo finalizada a publicação da série Dossiês Iphan - Ofício de Mestres de Capoeira e da Roda de Capoeira que reunirá documentos, pesquisas, depoimentos e fotografias.

Quanto ao Cadastro Nacional da Capoeira, espera-se que as superintendências auxiliem no sentido da validação, complementação e sistematização das informações cadastradas anteriormente, para que seja possível disponibilizar os resultados do cadastro em uma plataforma digital própria. Outra informação importante para as organizações que reúnem capoeiristas refere-se ao Prêmio Viva Meu Mestre: “Até o momento, não está prevista uma nova edição desse prêmio”, informou a diretora do DPI.

Capoeira - candidata a Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade No dia 30 de março deste ano, foi enviada à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) a candidatura da Roda de Capoeira para a Lista Representativa do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. Para coletar as assinaturas de apoio necessárias à candidatura, o IPHAN lançou uma campanha nacional por meio de Petição Pública on line, que reuniu mais de mil assinaturas. Além desse apoio, cerca de 250 assinaturas de anuência foram obtidas durante os Encontros Pró-Capoeira realizados em 2010 e na reunião da Salvaguarda da Capoeira realizada em março de 2012 na Superintendência Estadual de Minas Gerais.

Links resultados dos Grupos de Trabalho realizados nos Encontros Pró-Capoeira:

Recife:

Rio de Janeiro:

Brasília:

Mais informações
Assessoria de Comunicação Iphan 
Adélia Soares – adelia.soares@iphan.gov.br
Mécia Menescal – mecia.menescal@iphan.gov.br
Heli Espíndola – heli.espindola@iphan.gov.br
(61) 2024-5475 / 2024-5476 / 2024-5477


segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Série Lendas e Mitos Paresí-Haliti: A Lenda do Cabeçabol

No Xikunahity o atleta só pode usar a cabeça

Conta a lenda dos índios Paresí-Haliti, que logo que saiu da pedra (Ponte de Pedra), o herói mítico, Wazare, distribuiu seu povo em diversas regiões do Chapadão dos Parecis.

Depois de cumprir sua missão, Wazare fez uma grande festa de confraternização antes de voltar a seu mundo. Durante a festa, ele mostrou a todos a função da cabeça no comando do corpo e sua capacidade de desenvolver a inteligência e alcançar a plenitude mental e espiritual.

Ele também demonstrou que a cabeça poderia ser usada em sua capacidade física, especificamente na habilidade para com o Xikunahity, o Cabeçabol. De acordo com as crenças desta etnia, foi nesta comemoração que aconteceu a primeira partida deste esporte curioso.

Entre os Paresí, o esporte só é praticado durante grandes cerimônias, como: oferta da primeira colheita das roças, iniciação dos jovens de ambos os sexos, ritual das flautas sagradas, caça, pesca e coleta de frutas silvestres abundantes e batismo.

A bola de mangaba

A bola utilizada no jogo é peculiar, pois é de fabricação dos Haliti, feita com a seiva de mangabeira, um tipo de látex extraído de uma arvorezinha do cerrado.

Cacique Geral Paresí-Haliti, João Garimpeiro (João Arrezomae), fabricando
bola de látex de mangaba, utilizada na prática do Xikunahity

O processo de confecção tem duas etapas: na primeira, a seiva é colhida e colocada sobre uma superfície lisa, onde permanece por certo tempo, até formar uma camada ligeiramente espessa.

Na segunda fase faz-se a parte central da bola (núcleo), que inclui o aquecimento da seiva de mangaba em uma panela e resulta em uma película. O látex tem suas extremidades unidas, de modo a formar um saco que será inflado com ar, por meio de um "canudo".

Depois, o núcleo ganha formas arredondadas e recebe sucessivas películas de látex, obtidas da primeira etapa, até formar uma bola, secar e resfriar, ganhando consistência suficiente para pular. A bola tem aproximadamente 30 cm de diâmetro.

A bola do látex de Mangabeira, uma arvorezinha do cerrado

O que é?

O Xikunahity é uma espécie de futebol, em que o chute só pode ser dado usando a cabeça.

É um esporte praticado tradicionalmente pelos povos Paresi, Salumã, Irántxe, Mamaidê e Enawenê-Nawê, todos de Mato Grosso. É disputado por duas equipes que podem possuir oito, dez ou mais atletas e um capitão.

É realizada em campo de terra batida, para que a bola ganhe impulso. O tamanho do campo é semelhante ao de futebol, e conta com uma linha demarcatória ao centro, que delimita o espaço de cada equipe.

A partida tem início quando dois atletas veteranos, um de cada equipe, dirigem-se ao centro do campo para decidir quem irá lançar a bola ao outro, que deverá rebate-la. Isto é decidido por meio de diálogo e a partida inicia com a primeira cabeçada para o campo adversário, a ser recepcionada por um dos atletas com a cabeça.

Quando criou o esporte Wazare quiz mostrar a utilidade física da cabeça

Após isso, os dois atletas deixam o campo, e não realizam outra atividade durante o jogo inteiro. Na disputa, a bola não pode ser tocada com as mãos, pés ou outra parte do corpo, mas pode tocar o chão, antes de ser rebatida pela outra equipe.

Os atletas Paresí se atiram e mergulham com o rosto rente ao chão, livrando o nariz de tocar o solo, o que provoca uma certa violência no "chute" de cabeça e demonstram toda a habilidade, destreza e técnica necessárias na recepção e arremesso da bola.

A equipe marca pontos quando a bola não é devolvida pelos adversários, ou seja, quando deixa de ser rebatida. Quanto maiores as habilidades dos atletas que compõem as equipes, mais acirradas são as disputas, podendo durar até mais de quarenta minutos.

Da Série Mitos e Lendas Paresí-Haliti.
É Cultura? Tá no Ponto!